segunda-feira, 21 de julho de 2014

Eu não me identifico com o feminismo

Não sei se é segredo pra alguém, mas eu estou em eterna conferência via email com alguns amigos mais chegados, conversando sobre todo tipo de coisa útil ou inútil e um dos temas polêmicos do grupo é o feminismo.

Falar sobre o tema é muito complicado, porque não existe um significado uníssono pra esse termo. De um lado, tem o feminismo" formado por putas feitas que não se depilam, odeiam os homens e querem dominar o mundo". De outro lado, tem o feminismo das mulheres oprimidas pelo machismo e pelo patriarcado e que exigem liberdade, mesmo que custe a liberdade alheia, afinal, todos os homens são estupradores em potencial. Enquanto isso, o famoso "feminismo é a luta pela igualdade" vai se tornando um mito...

Por trás da ideia de igualdade e de direito de escolha, existe sempre alguma dominação.


Pra começar, a ideia de igualdade é uma ideia falsa e opressora, porque as pessoas não são iguais. A única coisa que nos faz iguais é o fato de sermos todos humanos, e isso corresponde a um núcleo mínimo de direitos que todas as pessoas devem desfrutar, do qual ninguém pode abrir mão, independente de gênero, idade, cultura, religião ou o que for. Mas fora desse núcleo irredutível que corresponde à dignidade das pessoas, ninguém é igual. E essa é a graça. É por isso que convivemos em sociedade, que precisamos dos outros. Cada ser humano é único!

E é aí que vem uma coisa linda. Como cada ser humano é único, não existe "coisa de homem", "coisa de mulher", "coisa de asiático", "coisa de brasileiro". É claro que muitas dessas "coisas" serão encontradas mais facilmente em um grupo identificado de pessoas, mas por nenhum outro motivo senão o modo que foram criadas e como se relacionam na sociedade. Isso significa que cada um pode fazer o que quiser, mas também significa que os critérios para julgar devem ser iguais.

Eu vejo que muitas "bandeiras feministas" não têm o objetivo de tornar as coisas legais pra todo mundo, mas dar à mulher a liberdade de fazer aquilo de mais escroto , nojento e repugnante que os homens fazem por causa do machismo. A luta não é para que as atitudes machistas sejam eliminadas, mas que elas sejam liberadas pra todo mundo. Acontece que o que é feio pra um, é feio pro outro também. O que é degradante e fere a dignidade do homem (muito embora ele possa pensar que está abafando), também é degradante para s mulheres. O negócio é não nivelar por baixo.

Eu li recentemente um livro muito interessante chamado "O Machismo Invisível" (Marina Castañeda), que fala especialmente como o machismo afeta a vida dos homens. Claro, o machismo faz mal pra todo mundo. Oprime todas as pessoas. Faz com que os homens tenham que adotar uma atitude determinada para que sejam considerados "homens" pelos demais.

O que me deixou triste é que, quando a autora apresentava soluções para os problemas apontados, ela nunca considerou que as pessoas devem dialogar e combinar a forma como funciona melhor pra elas. Se o marido tem direito a ter sua conta particular e gastar como quiser, comprando um carro, por exemplo, sem falar com a esposa, então a esposa também deve ter sua conta particular e gastar como quiser, comprando um carro, por exemplo, sem falar com o marido. A ideia de que o esposo e a esposa devem conversar um com o outro sempre que quiserem usar o dinheiro da família pra comprar um carro, por exemplo.

É triste porque aquelas características consideradas "femininas", de consideração com o outro, de compaixão, de sensibilidade, são vistas como fraqueza, enquanto o egoísmo e a independência são supervalorizados. Isso nos enfraquece como sociedade.

Será que ninguém ainda pensou que certas coisas simplesmente não deveriam acontecer de forma alguma? Que se é nojento que um homem use as mulheres como objetos sexuais descartáveis, que seja violento, que não permita que elas expressem sua opinião, a recíproca também é verdadeira? Que anos de oprimido não justificam o desejo de opressão? Por que o modelo de mulher ideal é uma Lara Croft toda-poderosa que não precisa de ninguém e se vira sozinha? Por que, em vez de querer formar mulheres super-independentes, não autorizamos os homens a serem sensíveis, compassivos e dependentes?

Aqui entra a questão do direito de escolha. Porque se o modelo desejado é o da mulher que se despiu da fraqueza (aquelas características que a sociedade considera femininas) e se revestiu de super-poderes (aquelas características que a sociedade considera masculinas), as escolhas da mulher serão livres apenas se ela escolher se despir de sua fraqueza e se revestir de super-poderes. A mulher que escolhe ser mãe em tempo integral é oprimida. A mulher que é dona de casa é coitada. A mulher que dá de quatro está se sujeitando a um modelo de submissão.

As mulheres de hoje (e eu falo principalmente por mim) carregam nas costas o peso da obrigação de ser bem-sucedida. Aquela obrigação de esfregar na cara dos homens que podemos ser qualquer coisa, fazer qualquer coisa, ou mesmo que somos melhores que eles. O corpo é seu, a vida é sua, você é livre pra ser puta, mas não pra casar, pra deixar o mercado de trabalho, ou pra nunca entrar nele. Você não é livre pra amar e paparicar o seu marido (mesmo que em reciprocidade).

É por isso que eu não me identifico com o feminismo. Porque é muito arriscado se identificar com uma luta que não tem mais identidade. E não acredito no ideal de igualdade de gênero. Porque o que eu acredito é nesse núcleo irredutível de direitos para todos os humanos. E que para que todos desfrutem desse núcleo mínimo, precisamos nos despir do nosso egoísmo, da nossa independência, da nossa necessidade de fazer sucesso, e sermos todos mais servos, mais humildes, mais compassivos, mais "femininos".

sexta-feira, 11 de abril de 2014

[TAG] Isso ou Aquilo? - Livros


Eu lembro da época que isso se chamava caderninho de respostas. Aí veio a internet e o caderninho de respostas virou meme. Aí meme virou outra coisa e o meme virou tag. Enfim, essa tag eu vi no Suspiscious Minds, da Roberta Faria, e resolvi fazer porque achei legal.

1) Áudio-livro ou livro?
Tenho trauma de áudio-livro. Meu pai tinha vários e ele colocava pra ouvir no carro, mesmo os livros chatos que só ele queria ouvir. Teve uma vez que ele fez isso numa viagem. Ui, que horror. Além do mais, com os livros eu imagino as vozes que eu quiser :)

2) Capa dura ou mole?
Capa dura ♥ Tem gente que acha que atrapalha pra ler e tal, e se não for bem feita, o livro vai acabar estragando, mesmo. Mas eu gosto da capa firme, especialmente quando eu estou lendo e andando na rua e segurando outras coisas e o vento tentando virar as páginas (eu vivo perigosamente). Além de ser super lindo, né?

3) Ficção ou não-ficção?
Estou numa fase de não-ficção. Sério. Acho que é abstinência da faculdade ou um chá de adultice que eu tomei sem perceber. Aliás, eu notei isso ontem quando fui escolher a próxima leitura e fiz questão de pegar um livro de ficção.

4) Fantasia ou vida real?
Fantasia! Uma coisa que eu gosto da ficção é que você não precisa seguir os padrões chatos da vida. Não precisa ser preciso. Você pode usar a imaginação à vontade, criar mundos, criar poderes, criar seres... Existem tantos mundos interessantes na ficção! Oz, Nárnia, Terra Média, País das Maravilhas... Quem nunca teve vontade de viajar pra um lugar desses?

5) Harry Potter ou Crepúsculo?
Harry Potter eu não li. Crepúsculo eu li. Não dá pra decidir só porque eu li um e não o outro.

6) E-book ou livro físico?
Livro físico. Muito embora eu esteja querendo demais comprar um e-reader, não acho que um livro digital substitui um livro na minha estante.

7) Comprar ou pegar emprestado?
Cadê a opção ganhar? Sou muito mão de vaca. Vivo emprestando e pegando livro emprestado. Biblioteca sempre foi uma zona de conforto pra mim. E não me incomodo querendo que os livros permaneçam novos pra sempre. Na real, é um desperdício comprar um livro que só vai ser usado uma vez. (Existe um princípio da economia pelo qual as coisas são mais baratas quanto mais elas são usadas. Um sapato de cinquenta reais usado duas vezes sai mais caro que um de cem reais usado cem vezes). Acho que o livro fica triste. E se sujar, se riscar, se fizer uma marquinha, é porque o livro tem história. E livro que tem história é livro feliz.

8) Livro único ou série?
Livro único. Tem muita série que é encheção de linguiça. Isso sem contar as séries que seguem o mesmo tema de outras séries. Um monte de livros com histórias similares só pra fazer dinheiro. Não, obrigada.

9) Livraria física ou online?
Livraria física pra passar o tempo, online pra fazer compras. Não consigo comprar nas livrarias físicas! Primeiro, porque me dá uma agonia pensar que talvez o livro esteja mais barato em outro lugar. Segundo, se eu vou comprar o livro novo, então eu quero que ele venha perfeito. Na livraria os livros geralmente ficam expostos, aí acabam ficando com marquinhas na capa, pra dizer o mínimo. Se eu quiser um livro com história, vou no sebo, ué.

10) Livro longo ou curto?
Longo. Mas não o longo pq ficou enchendo linguiça. O longo que tem história. Gosto de histórias com tramas bem desenvolvidas e cheias de reviravoltas, e pra isso tem que ter espaço. Eu lembro do primeiro "livro grande" que eu li, Se Houver Amanhã, do Sidney Sheldon. Foi indicação da minha professora de português da oitava série. Depois eu fui pra um colégio onde só podia emprestar um livro por semana, então eu pegava só os livros maiores, e trocava com uma amiga, pra durar a semana inteira. Dessa época me marcou O Memorial de Maria Moura.

11) Drama ou ação?
Depende. Da lua, do clima, do humor...

12) Ler no seu canto ou tomando sol?
Eu sou aquela pessoa que vai na praia com um livro na bolsa e não deixa a água chegar acima dos joelhos. Mas eu leio em qualquer canto. Um lugar preferido mesmo não é nem um canto meu nem um lugar ao sol. É o Bosque do Papa em Curitiba. No outono, melhor ainda.

13) Chocolate quente, café ou chá?
Chá. Eu sou uma pessoa que toma chá. Embora não tenha paciência pra fazer chá gelado (esquentar... depois esfriar...) e a minha atual morada não permita o consumo frequente de chá. Aliás, essa chuvinha de hoje é uma boa desculpa pra fazer um chá de hortelã...

14) Ler resenha ou decidir por si?
Eu decido pela sinopse. Ou pela capa. Ou porque alguém que eu confio me indicou. Quase não leio resenha, só as de algumas pessoas específicas. Tem muita resenha ruim por aí. A pessoa fica resumindo tudo o que acontece na história e acha que é uma resenha. Se é pra ler isso, eu vou ler o livro, que é mais legal.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Ajudando as pessoas

No meu último ano de faculdade, estava voltando do estágio na promotoria da infância e juventude, quando o ônibus parou no terminal e subiu um rapaz com um discurso comovente. Ele precisou de ajuda para subir no ônibus e se locomovia com dificuldade. Vinha pedir ajuda financeira. A história dele era a seguinte:

O rapaz trabalhava como motoboy, até que sofreu um acidente. A moto, que era dele, ficou inutilizada. Ele também sofreu gravemente, precisou fazer duas cirurgias na perna, ficou muito tempo internado, sem poder prover o sustento à sua família, e ainda não estava recuperado, pois não conseguia caminhar direito. Também não podia voltar a exercer sua profissão, não só porque não tinha mais moto, mas também porque não conseguia mais pilotar. Como não trabalhava com carteira assinada, ficou totalmente desamparado pelo empregador. Não recebeu seguro-desemprego, indenização, despesas médicas, mesmo tendo se acidentado enquanto estava trabalhando. 
Agora estava em uma situação particularmente difícil, porque sua filha, um neném de poucos meses, precisava tomar um leite especial, que geralmente é fornecido gratuitamente nos postos de saúde, mas que agora estava em falta. Sem condições de alimentar a criança, prestes a ser despejado, disse que o Conselho Tutelar queria tirar a criança dos braços da mãe, que estava naquele momento conversando com o conselheiro do lado de fora do terminal. Precisava de dinheiro para comprar o leite da criança. Agradeceu com lágrimas e desceu.

Enquanto o ônibus se afastava eu comecei a ficar angustiada. Aquele rapaz não precisava estar naquela situação se ele não fosse ignorante sobre os próprios direitos. Deu vontade de descer atrás dele e dar alguma orientação jurídica, tirar aquele homem daquela situação de abuso e injustiça em que ele se encontrava só porque ele não sabe que tem direitos. No caminho pra casa, eu chorei por causa dele, e entrei em crise, pensando na minha covardia e na falta de iniciativa em ajudar uma pessoa que precisava de algo que eu poderia oferecer. Por vários dias eu fiquei mal por causa daquela situação, achando um desperdício todo o meu conhecimento se eu não tinha a capacidade de descer de um ônibus pra ajudar uma pessoa em necessidade.

Outro dia eu tive que voltar a Curitiba pra resolver alguma coisa - eu quase não parei em casa em fevereiro - e estava no ônibus para voltar pra casa, na rodoviária quando entrou um rapaz meio desesperado. Ele contou que precisava viajar com a mulher e a filha, mas a criança acabou de completar seis anos, e precisaria de uma passagem para viajar. Disse que ele não sabia e não estava preparado pra isso, juntou todas as economias, mas ainda faltavam vinte reais. Era o mesmo rapaz. Milagrosamente curado e com uma filha que envelhece um ano por mês. Foi quando eu passei a me questionar.

Por que algumas pessoas preferem se humilhar com uma história inventada para pedir dinheiro do que trabalhar para conquistar suas coisas? Por que as pessoas dão dinheiro sabendo que pode ser um golpe? Afinal, não existem mil maneiras mais eficientes de ajudar a comunidade, de estender a mão e de ser solidário? Essas pessoas que sustentam a mendicância seriam as mesmas que não doam sangue, não fazem um trabalho voluntário, não doam dinheiro pra quem faz um trabalho de desenvolvimento comunitário e realmente precisa de ajuda financeira? Será que essas pessoas realmente pensam que estão ajudando alguém ou só querem se livrar de um problema ou de uma carga de culpa por nunca fazer nada?

Eu preciso, preciso, preciso que exista mais alguém inconformado nesse mundo, porque desse jeito não dá.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Ensaio sobre a Cegueira (José Saramago)


Still looking for the blinding light
Uma cegueira branca. Repentinamente, uma pessoa deixa de enxergar. Seu mundo não se encheu de escuridão, mas de um clarão, como uma neblina espessa ou um refletor inquietante. Os personagens que não têm nome, um a um, descobrem que não enxergam mais, enquanto o leitor é apresentado a um mundo dominado pelo medo, pela dúvida e pela cegueira. 
O primeiro cego: pra mim é como se não houvesse noite.

None of us are bullet proof
Os primeiros cegos são postos em quarentena, em um prédio abandonado que antes fora um manicômio. Não demora muito para que as coisas fujam de controle e a construção volte à sua antiga função. Com mais doentes do que pode acomodar, pouca comida e higiene nenhuma, resta pouco lugar para a solidariedade. Não existe confiança cega. As medidas de emergência são inúteis. Os pesquisadores cegaram. Os cuidadores cegaram. Os governantes cegaram. Os guardas cegaram.
O médico: o mundo caridoso e pitoresco dos ceguinhos acabou, agora é o reino duro, cruel e implacável dos cegos.

You're the vision that gives me sight
Uma única pessoa, a mulher do médico, misteriosamente conserva a sua visão durante todo o tempo. Fingindo estar cega, acompanha o marido até a quarentena, onde assiste o horror que aos demais é poupado. Ao mesmo tempo em que pode ajudar a um seleto grupo de pessoas anônimas, se desespera com a sua ocasional impotência. Ela tem medo que os outros descubram a sua visão e a tornem escrava. Quando não existem mais sãos para vigiar os cegos, a mulher do médico conduz o grupo pela cidade, em busca de abrigo e comida. É pelos seus olhos que observamos o caos e a crueza de um mundo sem aparências.
 A mulher do médico: o único milagre que podemos fazer seria o de continuar a viver.

E o que mais?
O Ensaio sobre a Cegueira é um livro sofrido sobre o sofrimento e a maldade humana. Nas palavras do autor, "Este é um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo.". A escrita é fluida no estilo, como um senhor de idade a contar uma história para um desconhecido no ponto de ônibus. O conteúdo, por outro lado, é quase um vômito. Não tem nenhum pudor em expor toda a imundície que está no interior do homem.

É um livro muito sincero, que colocou muitos 'e se...' na minha cabeça. Comecei a imaginar todas as situações que o livro não expõem, mas que poderiam acontecer naquele cenário. E se uma grávida entrasse em trabalho de parto? E o que terá acontecido com os bebês? E se os cegos conseguissem, afinal, organizar um novo governo, como ele seria? E se essa epidemia desse lugar a outras epidemias? E se toda a comida já produzida acabasse completamente?

A edição da Companhia das Letras é aquela delicinha em papel polen soft <3. Quanto à arte da capa... não entendi o que significa. Se alguém quiser explicar nos comentários... A ortografia é a utilizada em Portugal, por desejo do autor. E o jeito de escrever é confuso até a 30ª página. Saramago não é fácil com os parágrafos e pontos finais. Também não usa travessão ou aspas, só uma letra maiúscula e uma vírgula separam uma fala da outra.

A capa do livro é branca, e ficou bastante suja, porque esse livro passeou bastante. (Eu tenho uma nova teoria de que os melhores livros são aqueles que foram vividos, que livro sujo é livro que foi lido, que as cicatrizes são sinal de que ele foi bem aproveitado e os rabiscos de lápis significam que alguém estava prestando mais atenção no conteúdo que na forma). O livro é meu nosso, mesmo. Foi presente de casamento (na nossa lista de presentes só tinha livros).

A história foi adaptada para o cinema em 2008, com Juliane Linda Moore e Mark Fofo Ruffalo interpretando o casal Médico e Mulher do Médico, e o brasileiro Fernando Meirelles na direção. Ficou tão legal que até o autor curtiu. Com uma fidelidade impressionante, tive a impressão de que a única adaptação no roteiro foi o corte de algumas cenas que tornariam a película muito extensa. (Mas eu senti falta das cenas do armazém do supermercado). O filme está disponível no Netflix, mas dublado em português :/

Os trechos em negrito são da música Blinding Light, de Switchfoot.

É uma leitura que exige estômago e, pra quem não leu Saramago, um pouco de força de vontade pra vencer as primeiras trinta páginas. Você pode adquirir o seu exemplar físico ou e-book na loja da editora Companhia das Letras ou nas principais livrarias.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Dinâmica

Parece que eu entrei no tornado de Oz e de repente estou nessa vida diferente. De vez em quando vem aquela sensação de "Ei, essa é a minha vida a partir de agora." e às vezes aquela dúvida "Isso aqui é a vida real ou eu vou acordar?". Não é a arena dos jogos, não é o país das maravilhas... só que muita coisa é diferente agora.



A #alunafederal agora é egressa. A #estagiária agora é desempregada dona de casa. A #estudantededireito agora faz a sua própria agenda de estudos. A minha #metadecuritibana ainda não se conforma com o verão africano de Foz do Iguaçu (e tudo o que acompanha esse clima quente e úmido pra fazer inveja à selva amazônica). Quem vivia #movidaamúsica agora está viciadíssima em séries (se a Netflix me pagasse pra fazer propaganda...). A #namorada agora é esposa, com direito a nome comprido e tudo mais. A #profissional ainda está pensando o que vai fazer da vida. 

É, muita coisa mudou, e não dá pra voltar atrás. Não que eu esteja arrependida. É que essa história de que nem se eu quisesse eu poderia desfazer isso tudo dá um frio na barriga, afinal de contas, as decisões já foram tomadas. Estou aqui, com aquele medinho lá no fundo, mas feliz, iniciando um novo ciclo, uma nova fase, cheia de novos marcadores para os novos posts do blog que... bom, esse é o de sempre.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Como transformar uma segunda-feira em quinta-feira em... vários passos


1) Começando logo de madrugada, brigando com alguém que você ama

2) Sair atrasada de casa

3) O ônibus cuja linha começa dois pontos antes de você já chega lotado

4) O player toca "Angel by your side" para amolecer o coração, seguido de Shadow (If you wanna live me then just go) enquanto o personagem do livro que você está lendo tenta se suicidar pq a mulher que ele ama o largou sem mais nem menos.

5) Quase cair três passos depois de descer do tubo, só agora se lembrando que não devia usar salto porque machucou o tornozelo. E machucar um pouco mais entortando o pé na calçada, claro.

6) Chegar atrasada na primeira aula do primeiro dia do ano letivo

7) O professor não veio

8) O outro professor também não veio.

9) Só teve 1 aula em 5, e nem valeu a pena.

10) Chegar no trabalho cedo e lembrar novamente que não deveria estar com o seu maior salto se você resolveu eliminar o elevador do seu dia-a-dia e trabalha no quarto andar.

11) Chegar no gabinete onde pega sol a manhã inteira... e você saiu cedo de blusa de lã

12) Derrubar uma peça do ar-condicionado pela janela enquanto tenta ligar

13) Bater a cabeça na porta de vidro enquanto tenta pegar a peça que caiu

14) A peça quebrou.

15) Já que as partes mais tristes e humilhantes passaram sem testemunhas, divida estes momentos por email com um grupo de amigos, para que eles riam de você.

16) Não, não. Divida com o mundo.

domingo, 14 de abril de 2013

Amor Eterno


Apesar de não merecer, ela foi premiada. Eu lhe dei todos os presentes que tinha preparado para ela, não a privei de coisa alguma. Ela não foi boazinha. Já disse, não merecia. Não merecia nada. Não cumpriu os nossos acordos, me desrespeitou, me desprezou, achou que poderia viver sozinha.

Eu a tirei do lugar de onde estava, para lhe dar um novo lar, e ela queria voltar à senzala. Como se me odiasse. Como se eu não a tivesse livrado, alimentado, curado, salvado, como se eu não a tivesse amado com amor eterno e incondicional. Como se ela não tivesse visto tudo o que fiz por ela. Não que ela fosse bonita, inteligente, simpática. Nunca teve nada de especial. Eu simplesmente a amo.

Ela nunca perdeu tempo para voltar aos velhos hábitos. Virar as costas, fazer do seu próprio jeito, desprezar os meus comandos é o que ela faz de melhor. Não que eu a tivesse escravizado para mim, pelo contrário. Só lhe fiz ordenanças para o seu próprio bem, apenas exigi que vivesse de forma saudável. Parece que ela gosta da lama. Gosta de viver na lama, morrendo mais do que vivendo. Não consigo acreditar como ela tem a pachorra de me trocar, sabendo de tudo o que eu fiz com ela, dando os braços a qualquer desconhecido que passe na rua.

Tanta curiosidade pelo desconhecido, tudo o que sempre a levou à ruína, e, mesmo assim, novamente, lá se vai. Eu abri o meu coração, lhe entreguei o meu amor e a minha vida. Dei tudo por ela e ela não consegue simplesmente aceitar o meu amor, confiar no meu amor, depender do meu amor. 

Querida, ninguém a amará como eu a amo. Ninguém mais tem tanto amor. 
Ninguém a conhecerá como eu a conheço. Ninguém mais vê o seu coração.
Ninguém a perdoará como eu perdoo. Sempre de braços abertos.

Volta.

"A verdade é que vocês não tinham quase nada de atraente, Ele os escolheu por puro amor [...] O Eterno, o seu Deus, é Deus de fato, um Deus em que vocês podem confiar. Ele é fiel. [...] Portanto, deixem de ser obstinados, cabeças-duras. O Eterno, o seu Deus, é o Deus de todos os deuses, ele é o Senhor de todos os senhores, um Deus poderoso e tremendo." (Trechos de Deuteronômio 7 e 10)