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segunda-feira, 15 de abril de 2013


1) Começando logo de madrugada, brigando com alguém que você ama

2) Sair atrasada de casa

3) O ônibus cuja linha começa dois pontos antes de você já chega lotado

4) O player toca "Angel by your side" para amolecer o coração, seguido de Shadow (If you wanna live me then just go) enquanto o personagem do livro que você está lendo tenta se suicidar pq a mulher que ele ama o largou sem mais nem menos.

5) Quase cair três passos depois de descer do tubo, só agora se lembrando que não devia usar salto porque machucou o tornozelo. E machucar um pouco mais entortando o pé na calçada, claro.

6) Chegar atrasada na primeira aula do primeiro dia do ano letivo

7) O professor não veio

8) O outro professor também não veio.

9) Só teve 1 aula em 5, e nem valeu a pena.

10) Chegar no trabalho cedo e lembrar novamente que não deveria estar com o seu maior salto se você resolveu eliminar o elevador do seu dia-a-dia e trabalha no quarto andar.

11) Chegar no gabinete onde pega sol a manhã inteira... e você saiu cedo de blusa de lã

12) Derrubar uma peça do ar-condicionado pela janela enquanto tenta ligar

13) Bater a cabeça na porta de vidro enquanto tenta pegar a peça que caiu

14) A peça quebrou.

15) Já que as partes mais tristes e humilhantes passaram sem testemunhas, divida estes momentos por email com um grupo de amigos, para que eles riam de você.

16) Não, não. Divida com o mundo.

Como transformar uma segunda-feira em quinta-feira em... vários passos

sábado, 2 de março de 2013

Essa semana não foi fácil. Muito problema, muita notícia ruim, muito chororô. Cada um tem sua reação às dificuldades, né? Eu sou dessas que choram. Depois do choro, vem a raiva. Quando passa a raiva, eu começo a pensar. Mas fazer a raiva passar é mais difícil do que parar de chorar. Cada um tem sua receita. Ouvir aquele CD, pensar naquele lugar, conversar com aquela pessoa... A minha receita é Geller-fashioned: uma pia de louça, uma massa de bolo. Pra acompanhar, uma música no repeat.

Hoje foram duas pias de louça, uma torta de cachorro-quente e um bolo de cenoura. Pra acompanhar, os agudos doídos da Britt Nicole. Essa música me lembra a minha irmã mais velha (porque é uma das que ela gosta), e isso me traz conforto - porque eu lembro que ela está lá, orando por mim. Lembrei também da formatura dela, em janeiro; que ela passou por algumas das dificuldades pelas quais eu estou passando agora, e sobreviveu; que em breve será a minha colação de grau. E que ela também está andando comigo esse tempo todo :) (Ai, que saudade!)

You've been walking with me all this time


PS: Não gostei das versões acústicas (Air1, K-Love, Canal da Britt). São sofriiiidas. Prefiro essa, que é alegrinha.

Música da Semana: All This Time (Britt Nicole)

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Não que os dias nublados não tenham seu charme, mas em momentos tristes ou decisivos eu preciso do conforto da luz do sol no meu caminho. Naquele dia em especial o céu carregava uma camada espessa de nuvens que parecia pesar sobre os nossos ombros, pressionando nossos olhos já cheios de lágrimas contidas. Atribuí o peso às nuvens para desviar minha mente do peso das decisões importantes que me aguardavam e da tristeza que sentia em me despedir de tudo o que eu amo.

Entrei naquele avião minúsculo onde, por incrível que pareça, eu mal conseguia ficar em pé. Fitei as janelas do aeroporto onde sabia que eles ainda me olhavam, mesmo não podendo vê-los. Ampliei o meu olhar para o horizonte cinza e lembrei que o céu costumava me cumprimentar com alegria quando eu escolhia os seus caminhos para viver mais uma aventura. A paisagem não era nada convidativa e eu imaginava alguma turbulência no caminho de volta, mas eu precisava voltar para casa, por mais difícil que fosse.

Os alertas soaram, os avisos se acenderam, os aparelhos eletrônicos foram desligados. As turbinas foram ligadas e as hélices giraram com um barulho absurdo. Absurdamente irritante para quem não queria estar naquele avião. Irritantemente aterrorizante para quem sabia que os minutos seguintes a aproximariam de decisões importantes que não queria tomar, de tarefas imprescindíveis que infelizmente precisavam ser cumpridas.

Enquanto lembrava de como a vida tinha caminhos inconvenientes para chegar a destinos agradáveis, o pequeno jato emergiu das nuvens. Em questão de segundos, a nuvem cinza que os cercava revelou que a luz ainda existia, mais brilhante do que nunca. A espessa camada de nuvens, afinal, estava ali somente para irradiar em sua brancura todo o resplendor do sol. Nascia um novo dia pouco antes do pôr do sol.

Um novo amanhecer

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012



Os últimos meses foram os mais difíceis para este blog. O maior período de silêncio para mostrar que esse negócio de greve não facilita a vida de ninguém. "Ai, que beleza, quatro meses de férias" uma ova. Quatro meses de estudo, seguidos por cinco meses de... jogos vorazes acadêmicos. Eu sou da turma do penúltimo ano, que não tem todo tempo do mundo pra recuperar o tempo perdido, mas que ainda assim entrou em greve (os últimos anos nunca entram em greve, pelo menos não aqui).

Então, nos últimos meses eu tive milhares de trabalhos e provas e trabalhos e artigos e provas em sequência. Sem contar que, além de estudar, eu tenho um trabalho e um estágio, tenho um namorado e uma família, tenho uma pretensão ao mestrado, tenho coisas demais pra manter um blog ativo em plena arena. 

2012, que pra mim só acaba em fevereiro, foi um ano de muita correria, mas que também teve bons resultados. A minha biblioteca triplicou, as minhas notas subiram, consegui participar da vida das pessoas que amo, comecei a trabalhar na área que eu mais gosto na vida, o mundo não acabou, tive um artigo aceito em uma conferência internacional sediada no Japão, terminei o ano no azul.

Aliás, lembram do projeto 101 em 1001? Os 1001 dias terminariam em novembro de 2012, e embora eu não tenha cumprido toda a lista, consegui algumas coisas interessantes. Fui ao Rio e a Foz do Iguaçu, também a uma praia em SC e a Florianópolis, que é uma ilha, e a São Luis, onde nunca pensei que fosse chegar tão cedo. Encontrei minhas amigas de infância e descobrimos que todo o nosso "em comum" hoje se resume às lembranças. Li muitos livros. Vi vários filmes. Comecei a acompanhar algumas séries. Dei muitos presentes.

O Com tudo o que sou também teve seus momentos, com várias postagens muito visualizadas, e eu espero continuar nessa força pra fazer um post específico em seguida, pra não ficar devendo. Quem andou mais parado ainda foi o Verbete Legal, que é uma ideia super legal, mas que precisa de mais inspiração do que pra escrever aqui, onde qualquer coisa vira assunto.

Eu não vou prometer nada, exceto que os blogs continuarão aqui. Pode ser que venham muitos posts depois desse, pode ser que só quando eu estiver de férias, ou talvez só depois das férias. Talvez eu só venha aqui esporadicamente, mas vou manter esse cantinho. Estou estudando uns colaboradores com postagens mensais ou semanais, pra não deixar a peteca cair quando eu estiver no sufoco do TCC, do estágio obrigatório ou das provas para o mestrado.

Então, quando o blog parecer assim, meio abandonado, quero que vocês tentem ficar felizes por mim, porque isso significa que provavelmente estou muito ocupada fazendo alguma coisa que me deixa ainda mais feliz que isso aqui. E olha que meus blogs me deixam muito, muito feliz.

Não sei se amanhã ou bem depois, mas a gente se vê ;)

Adeus, 2012

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Spoilers. O grande problema de quem lê ou indica ou fala sobre Grande Sertão: Veredas são os spoilers. Minto. É o spoiler. Não é um spoiler difícil de descobrir. Talvez, na época em que foi escrito, tenha sido algo super original, mas eu consigo me lembrar de algumas histórias com o mesmo mistério. É até provável que algumas delas tenham se inspirado na história de Guimarães Rosa. 


Se você é daqueles que não gostam de spoilers,
então não procure chifres em cabeça de cavalo.
Agora, se você está louco pra saber que spoiler é esse,
com imaginação e curiosidade os unicórnios aparecem!
Depois não digam que não avisei.


Eu não ligo para spoiler. Nem por isso vou entregar spoiler algum, fiquem tranquilos. Acho mesmo que o que importa mais é como a história é contada do que o que acontece nessa história. Porque até uma ida ao supermercado pode ficar super interessante se for contada por aquele tio super engraçado, enquanto uma super aventura pode se tornar um tédio na boca do metido do namorado da sua irmã. (Não estou falando de nenhum dos dois, é só um exemplo u.u).

Meu primeiro contato com o grande sertão foi em uma leitura realizada como preparação para um evento da faculdade que tinha como texto-base o trecho do julgamento de Zé Bebelo. Naquele pré-evento, um rapaz muito empolgado lia trechos que ele julgava importantes para a nossa compreensão da história, explicando as passagens para então chegar no julgamento. Não sei se foi o brilho nos olhos daquele moço apaixonado por este livro, se foi o encanto da leitura em voz alta, a linguagem do Rosa... só sei que saí daquela sala direto para a biblioteca.

A escrita é linda. Não por poesia rebuscada, por lirismos enfeitados, mas justamente pela falta de enfeites. É natural. E é linda. O livro todo é uma narração de uma conversa entre Riobaldo e um interlocutor que, por um acaso, durante alguns (vários) dias, fui eu. Conversa é modo de dizer. Ele falou, eu escutei, assenti, sorri e chorei. Marquei suas palavras para reproduzi-las mais tarde. Mas não disse nada. Não cabia.

Mas não tem só Riobaldo nessa história, é claro. É a história da vida dele, sim, mas ele é um excelente contador de histórias. Por mais que vá e volte no tempo em suas narrativas, ele sabe como prender a atenção de alguém. Não só Riobaldo, mas Diadorim, Zé Bebelo, Hermógenes, Joca Ramiro e até alguns personagens que poderiam passar despercebidos por olhos menos atentos ou menos curiosos como Nhorinhá, Compadre Quelemem, Fafafa... A obra é cheia de personagens porque retrata a vida e é cheia de vida. E a vida é assim, cheia de gente.

O cenário disso tudo é o sertão de Minas Gerais e Bahia, mas é, principalmente, dentro de Riobaldo. Não que seja daqueles romances em que a personagem principal passa o tempo todo em reflexões interiores. Não. Riobaldo pensa na vida enquanto vive, e conta a vida para vivê-la. E por ser a vida, o sertão pode estar dentro de qualquer um, seja você homem ou mulher, alto ou baixo, gordo ou magro. As dúvidas e as certezas, as virtudes e as fraquezas que pertencem a todos estão fincadas nessas linhas, muitas linhas, que formam veredas no sertão. O sertão está em toda parte. Talvez por isso é que viver é muito perigoso.

Extras

A edição que eu li veio da Biblioteca de Ciências Humanas e Educação da UFPR. É a 10ª edição da Editora José Olympio, que hoje faz parte do Grupo Editorial Record. A edição bem antiga aparentemente preserva as características da edição original. Conta, inclusive, com o recado do autor na última página.

Como já foi muito manuseado, assim como os outros exemplares da biblioteca (tem vários!), o livro já passou por uma reforma e, por isso, não possui a capa original, com desenhos do artista paranaense Poty Lazarotto. (De férias em Curitiba? Tem uma exposição sobre ele no Museu Oscar Niemeyer).

Por ser uma edição bem antiga, não dá pra contar com muito conforto além das páginas levemente amareladas. O papel tem boa gramatura, não fica grudando um no outro, nem aparecendo a tinta do outro lado, mas as margens das páginas são exploradas ao máximo, assim como o espaçamento entre as linhas.

Grande Sertão: Veredas foi traduzido em vários idiomas e se transformou em The Devil to Pay in the Backlands, Le Diable Dans la Rue, au Milieu du Tourbillon, Wilkie Pustkowie, Gran Sertón: Veredas, Diepe Wildernis: de wegen, além da tradução italiana que manteve o título brasileiro (há um fac-símile da página inicial da tradução italiana na edição que eu encontrei na biblioteca).

No Brasil, a obra recebeu adaptações em filme (1965), em minissérie para a Rede Globo (1985) e em ópera no espetáculo Sertão Sertões, uma Cantata Cênica (2001). Os livros escritos sobre este livro são tantos que eu nem me arrisco a listar. O livro é o único brasileiro a constar da lista dos 100 melhores livros de todos os tempos do The Guardian.


Hoje a obra faz parte do catálogo da Nova Fronteira, que tem também uma edição de bolso, praticamente a metade do preço, naquela coleção Biblioteca do Estudante, que lança títulos que costumam fazer parte do conteúdo dos vestibulares das principais universidades do país. Apaixonante mesmo foi a edição limitada lançada pela mesma editora em comemoração aos 50 anos da obra, que hoje é vendida por meio milhar de dilmas no Estante Virtual...

Grande Sertão: Veredas (João Guimarães Rosa)

sábado, 26 de maio de 2012

O Felipe tem razão. Minha biblioteca é muito séria. (Seria muita gabolice eu dizer que sou culta, né? Mas séria pode). Eu tenho, aproximadamente, uns sessenta livros. Quase a metade são livros de Direito. Quase a outra metade é literatura estrangeira. No meio temos alguns livros religiosos, um livro de moda, alguns sobre linguística. Até onde me lembro, só tem um de literatura brasileira. E, em toda a minha biblioteca, apenas um chick-lit.

Estava eu em um dia chato, depois de aulas chatas, almoço no restaurante universitário com cardápio chato, prestes a ir pro estágio, precisando de uma leitura leve, pra não abusar da dor de cabeça que aparece nos dias chatos, mas, ao mesmo tempo, capaz de prender a atenção; alguma coisa divertida. Topei com esse livro que falava de um assassino muito desastrado. Um assassino profissional que esteve prestes a entrar pra história milhares de vezes, mas não conseguiu porque era estabanado. Tem tudo pra ser hilário, né?

Infelizmente, a impressão que eu tive foi que ele errou a dose em tudo. Na aventura do assassino, no humor do desastrado, na apresentação de fatos históricos. O modo como ele aparecia em todos os lugares, envolvido em tudo o que aconteceu de importante naquela data e lugar, vai ficando chato e forçado, assim como os desastres que acontecem com ele. Como tudo dá errado, não há surpresa. Até a ironia parece exagerada. Enfim, um enjoo.

Poderia ser ótimo, mas forçou a barra. Sabe aquelas comédias que ficam dizendo 'ria de mim, eu sou engraçado, olha que situação ridícula de engraçada!'? Enfim, quem tenta ser engraçado fica ridículo, não engraçado. Mas como tem quem goste do como é mesmo o nome daquele do youtube? Felipe Neto, o livro deve ter encontrado seu público. Mas, repito, muito aquém do humor encontrado no primeiro romance do autor. Esperando algo do nível, me decepcionei.

A história é sobre um sujeito que nasceu com um indicador a mais em cada mão e que, por isso, se acha destinado a ser assassino profissional. Filho de um anarquista, o rapaz é mais doido que o pai e vai para uma escola de assassinos onde aprende tudo sobre armas, venenos, bombas, enfim, toda espécie de engenharia mortífera. Sai dali destinado a matar grandes chefes de Estado totalitaristas e livrar os povos da opressão. Mas ele nunca consegue. Por vezes, o desacerto dele é acerto de outro, e o cidadão acaba morrendo de qualquer jeito.

O Jô repete aquela mistura de fatos verídicos com história fictícia. Começa pela morte de Francisco Ferdinando, passa pela morte de Jean Jaurès, a pandemia da gripe espanhola no Brasil, a máfia de Al Capone, o atentado contra Roosevelt, a Intentona Comunista, o Levante Integralista, até a morte de Getúlio, entre outros.

Extras

O exemplar que eu li veio da Biblioteca de Humanas, Educação e Artes da UFPR. (Aviso de utilidade pública: a biblioteca está fechando às 20h durante a greve. É, estamos em greve.) É a segunda edição, de 2000, capa azul. Pra idade que tem, está bem enxuto ;) O livro é o segundo romance de Jô Soares, publicado pela Companhia das Letras, em quase meio quilo de papel off-white de boa qualidade.

O esquema da diagramação é semelhante ao de O Xangô de Baker Street. Marcando as seções dentro dos capítulos temos desenhozinhos. O padrão é de bombas acesas, mas existem algumas partes em que elas combinam com o texto, com o desenho do trem quando ele estava no trem, do submarino quando estava no submarino, do barco quando... enfim, vocês já entenderam.

Eu não gostei do livro, mas pode ter sido pura implicância, ou vai ver que eu não estava mesmo com ares pra esse tipo de literatura. O livro tem bom conceito no Skoob. Pra quem quiser outra opinião, temos resenhas positivas do Vinicius Mahier (Recanto das Letras), outra de Daniel (Jazz e Rock).

Desafio Literário: O Homem que Matou Getúlio Vargas (Jô Soares)

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Essa noite sonhei com uma utopia. O mundo que eu sonhei era realmente utópico, eu chamaria de o "mundo das soluções fáceis". Nesse mundo não havia crimes porque existiam muitos policiais nas ruas. A polícia era desmilitarizada e respeitada pela população. Ah, e respeitava a população com a consciência de que existiam para cuidar daquelas pessoas, não pra outra coisa. As pessoas podiam andar pelas ruas escuras sem medo porque só pela ciência de que existiam muitos policiais cuidando da população, a criminalidade já se acuava.

A solução que eles encontraram foi bem simples. Prisões, muitas prisões. Sistema de repressão total. Jogou papel de bala no chão, 'teje' preso por crime ambiental. E assim a galera foi aprendendo a agir de forma legal e responsável, a não causar danos aos outros. Não havia necessidade de escolas porque as pessoas aprendiam na televisão tudo o que elas precisavam. E se não aprendessem, eram presas e aprendiam essas coisas na prisão. Quem saía dos presídios recebia uma carteira de habilitação para convivência em sociedade, obtida por quem fosse aprovado por uma equipe científica respeitada no mundo todo. (Não preciso dizer que ninguém saía antes de conseguir a habilitação, né?)

Ao sair das penitenciárias, as pessoas eram recebidas de braços abertos pela sociedade, afinal, os regressos voltavam a fazer parte da sociedade civil, aquelas pessoas que têm direitos e tudo mais. Essas pessoas contavam como era a vida nas prisões e as histórias se espalhavam por toda a população, em forma de fábulas para aterrorizar as crianças, evitando que essas desobedecessem a lei. Nesse mundo, o Ministério Público, por ser o acusador dos processos criminais, era sempre pro societate, e os criminosos, a partir das investigações, já não faziam parte da sociedade, afinal, não eram sociáveis.

Descobriram, no mundo das soluções fáceis, que a criminalidade é resultado de uma doença psiquiátrica (ou de um demônio, pra quem tem religião), que só se cura através da tortura. Daí a faca na caveira, sabe. Pelo bem dessas pessoas e da sociedade da qual elas, enquanto doentes, não fazem parte, elas são submetidas a sessões diárias de espancamento, até que retornem à consicência social (ou que o demônio saia daquele corpo que não lhe pertence).

Esse é o "mundo das soluções fáceis", porque todas elas já existem. Mas não solucionam ***** nenhuma. É utopia acreditar que internar o menor que foi surpreendido com arma de uso restrito vai resolver alguma coisa quando três anos depois ele sair do CENSE. Ou que pelo menos nesses três anos a retirada de circulação do adolescente é uma quase-solução. Matem-no! E depois encham a boca para falar dos direitos fundamentais da Constituição blablabla. Muita retórica pra quem ainda acredita no Direito Penal do Inimigo. Essas pessoas me fazem acreditar que os Jogos Vorazes se aproximam.

Eu busco algo melhor do que o Direito Penal. E eu acredito que o ECA é algo melhor que o Código Penal porque nele existem medidas mais coerentes pra quem se diz contra a pena de morte. Porque eu não acredito que alguém esteja perdido. Ainda mais alguém que não viveu nem duas décadas. Perdidos são aqueles que não têm esperança. Não acreditar é o primeiro passo para não fazer nada. E eu não vou me juntar aos que não fazem. Eu não me conformo e não vou me conformar nunca com essa "solução" ridícula que temos para a insegurança pública. Eu busco algo melhor e vou buscar enquanto esse algo melhor não acontecer. Eu vou mudar a história com quem quiser se juntar a mim. Sigam-me os bons.

Mas mesmo assim uma coisa ainda não foi falada. vamos supor que nós sonhamos, ou inventamos, aquilo tudo - árvores, relva, sol, lua, estrelas e até Aslam. Vamos supor que sonhamos: ora, nesse caso, as coisas inventadas parecem um bocado mais importantes do que as coisas reais. Vamos supor então que esta fossa, este seu reino, seja o único mundo existente. Pois, para mim, o seu mundo não basta. E vale muito pouco. E o que estou dizendo é engraçado, se a gente pensar bem. Somos apenas uns bebezinhos brincando, se é que a senhora tem razão, dona. Mas quatro crianças brincando podem construir um mundo de brinquedo que dá de dez a zero no seu mundo real. Por isso é que prefiro o mundo de brinquedo. Estou do lado de Aslam, mesmo que não haja Aslam. Quero viver como um narniano, mesmo que Nárnia não exista. Assim, agradecendo sensibilizado a sua ceia, se estes dois cavalheiros e a jovem dama estão prontos, estamos de saída para os caminhos da escuridão, onde passaremos nossas vidas procurando o Mundo de Cima. Não que as nossas vidas devam ser muito longas, certo; mas o prejuízo é pequeno se o mundo existente é um lugar tão chato como a senhora diz. (C. S. Lewis, As Crônicas de Nárnia: A Cadeira de Prata)

Utopia

segunda-feira, 26 de março de 2012

O dia nasce romântico, com post todo bonitinho no blog dedicando uma música apaixonada. O céu bem lindo, aquele azul curitibano que deixou a Ju completamente encantada. Uma sandália rasteirinha nova amarela super chamativa linda de viver, quero dizer, completamente parecida comigo. É difícil acordar com bom-humor antes das seis da manhã, mas quando não tem jeito, de que adianta ficar emburrada?

Todo dia eu acho impossível de acreditar como tem gente que acorda cedo nesse mundo. Às vezes eu penso que é só pra encher os ônibus pra eu ter que ir em pé, segurando naquelas barras que eu quase não alcanço, equilibrando cinco quilos de papel impresso. Toda vez que eu pego um ônibus desses, isto é, todo santo dia, eu me pergunto por que essa gente toda não resolveu dormir mais um pouquinho se o dia estava tão gostoso pra ter uma relação de amor eterno com um cobertor bem macio.

Só depois de cinquenta minutos (em pé, balançando, tentando equilibrar meu próprio corpo e os quilos extras em papel pesando no meu braço, que revesa com o outro que tenta manter o equilíbrio do conjunto, tentando não ser esmagada pela multidão que desafia o princípio da impenetrabilidade) é que eu chego à UFPR. Duas aulas de Direito do Trabalho e eu descubro que o motorista do ônibus que me trouxe à faculdade sabe mais sobre essa matéria do que eu, cuja carteira de trabalho tem vocação para permanecer em branco eternamente.

Descubro que minha sandália linda e nova arrebentou. É claro que a probabilidade de uma sandália nova arrebentar é muito pequena, mas em uma quarta-feira que queria ser quinta tudo pode acontecer. Até uma greve dos cozinheiros do restaurante universitário. E eu, que subi setecentos metros sob o sol do meio dia, com os livros na mão e a mochila pesando nas costas (porque os livros estão na mão? Porque não cabe o mundo todo na mochila, ué!) e a barriga roncando de fome, tenho que voltar os mesmos setecentos metros pra comprar um sanduíche e comer no ônibus mesmo. Isso porque o cardápio de hoje era ótimo. Por que não fazer greve quando tem carne moída no cardápio, hein? :)

Quarta-feira é o dia em que eu tenho duas aulas de filosofia à noite. Já é meu quarto ano cursando essa matéria, por motivos que eu tenho preguiça de explicar, mas que são mais complexos do que 'hmmm, reprovou, né?'. Você passa duas horas da sua vida ouvindo as invenções da Grécia que nós usamos nos dias de hoje (alfabeto, política, democracia, teatro, escultura) de novo só porque o professor faz chamada e por causa disso você só vai chegar em casa às onze da noite.

Seu namorado está sem internet, e isso significa que você precisa ligar pra ele. Porque ele resolveu brigar com a operadora de telefonia celular, então também não pode ligar pra você. Pelo menos você pode contar como foi seu dia na companhia de Murphy. E rir de si mesma. Porque não tem sandália arrebentada, restaurante fechado, aula chata ou ônibus lotado capaz de me tirar do meu propósito. Hoje eu vou ser feliz, não importa o que aconteça. Eu rio na sua cara, Murphy. HA. HA. HA.

PS: Não é um texto de autoajuda, embora possa parecer. Não tem nada a ver com ter sucesso. Afinal, ninguém precisa de sucesso pra ser feliz.

Ser feliz pra mim é...

terça-feira, 22 de março de 2011

A última vez em que fiquei sem internet em casa foi há duas semanas, quando troquei a prestadora do serviço de internet aqui de casa. (Podem ficar orgulhosos por eu ter feito toda a negociação via telefone?) Foi a tarde do dia sete desse mês - pois é, recesso de carnaval e os caras trabalhando - e eu só pedi pra desligar o serviço quando me ligaram dizendo que o técnico da outra operadora já estava a caminho. Ficar sem internet não dá, né? Engraçado é que cortaram a banda larga minutos depois, já a linha telefônica ficou ativa por algumas horas...

Na semana passada declarei a minha dependência dos serviços da Google Co (aqui, ó!). Mas é claro que nada disso funciona offline, né? Já imaginou sua vida offline? Eu não quero nem pensar! Aliás, só pela limitação no acesso à internet no trabalho eu já me sinto prejudicada. E quando eu passo o dia fora, então? Preciso de um celular com acesso à rede, urgente! Nem que seja só pra acessar email pessoal e twitter.

Com acesso à internet eu resolvo quase todos os problemas que podem surgir na minha vida. Desde renovar um empréstimo de livro que está vencendo, até impressionar o namorado com uma receita de Danette caseiro. Por falar em namorado, não sei o que seria dele e de mim sem essa bendita internet. Setecentos quilômetros de distância só não são driblados com mais eficiência porque.. bem... é virtual, né? Mas pra quem não é chegada em telefone, é quase solução!

Ah, não posso deixar de falar dos meus amigos, dos irmãos, dos encontros... Eu acho engraçado como ainda existe gente que reage com espanto quando eu conto as minhas aventuras internáuticas. Minha chefe quase me bateu sexta-feira porque eu disse que já tinha ido ao Rio de Janeiro encontrar pessoas que só conhecia pela internet e ficar na casa de uma delas. É claro que existe gente do mal, mas a gente se dá mal no mundo real também. E, como cautela e canja de galinha bacon nunca é demais, segue essa receita que você vai ser feliz com seus amigos virtuais cada vez mais reais.

Legal é ver como tudo tem se adaptado pra funcionar através da rede. Velocidade, conexão, interação, aproximação. Todas essas vantagens e mais para funções antes impensadas. Eu, que tinha deletado minha conta no Facebook porque não aguentava os emails de Farmville, tive que reativar por causa de uma disciplina na faculdade. Não é nada de Direito Virtual, Responsabilidade nas Redes Sociais, Liberdade de Expressão Online... (Existe? Inventei todos os nomes) É Direito Financeiro, com o professor mais conectado que eu já tive (twitter dele) até hoje.

A internet é uma via de comunicação infinita. Amo coisas infinitas! Aqui você pode se expressar, sem conjunções adversativas. E quando alguém tentar te calar, te censurar, faça seu direito valer. Você tem voz. Infinita. Alcance mundial. Quem poderia imaginar isso? Que marca você está deixando no mundo?

PS: Pra quem não aguenta as besteiras que eu falo no twitter, o blog agora tem sua própria conta. Quem aguenta também pode seguir, tá?
PS²: Como eu tenho voz infinita, resolvi estender pra, além de falar pelos cotovelos, falar também pelos joelhos, tornozelos e demais articulações. Enfim, conhece o Verbete Legal? Não é porque é meu, não é sim, mas é legal mesmo! E também tem twitter!

Vida em rede

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Nessa segunda-feira, mais um grande evento aconteceu no Salão Nobre da nossa Faculdade de Direito. O lançamento do livro do Pietro Costa (que encerrou hoje ontem sua escola de altos estudos e volta amanhã voltou hoje para a Itália) Soberania, Representação, Democracia. Ao contrário do sentimento da semana anterior, dessa vez me senti muito honrada, uma privilegiada por poder participar do lançamento deste livro e ouvir a palestra incrível de um grande nome da historiografia jurídica mundial.

Esse, pra mim, é o grande diferencial da graduação na UFPR. Certamente eu não teria a oportunidade de assistir palestras de Claus Offe, Antonio Manuel Hespanha, Paolo Cappellini ou Pietro Costa na Unioeste sem custo algum. Pensando bem, acho que na Unioeste, nem com custo. Só se fosse em algum congresso, ou vindo pra cá especialmente pra participar de um desses eventos.

Como havia um texto preparado para esse evento, a palestra foi 'legendada' (Pietro Costa falando e a tradução aparecendo em slides), e depois as respostas às perguntas foram traduzidas pelo professor Ricardo Marcelo.

O tema foi esse aí do título: Cidadania e Integração. Cidadania, o sentimento de pertencimento a uma comunidade. Está relacionada à identidade do povo e à identificação de cada um com esse povo. A integração é superação da heterogeneidade dos conflitos. Todos os diferentes podem ser considerados iguais.

Nas constituições modernas está tudo muito belo, fácil e simples: todos são iguais perante a lei. O problema é que as constituições não são um retrato da sociedade real, mas sim um projeto da sociedade futura. Como pode haver identificação em uma sociedade desigual onde todos têm direito à propriedade, mas poucos podem gozar desse direito?

Vamos complicar as coisas? Coloca nessa sociedade os fatores imigração e migração. Como manter a integração em meio a uma diversidade de culturas? Ainda mais quando não há identificação alguma entre nativos e imigrantes - os primeiros não aceitam a chegada de outras culturas, e os últimos não querem assimilar a cultura de seus 'anfitriões'. Nisso não falo de abandonar as raízes, mas de compreender, adaptar e conviver. Enxergar a multiplicidade e a variedade como força e riqueza (Oi, Gilberto Freyre! Tudo bem?).
Uma questão ficou no ar. Me parece que sempre há uma parcela da sociedade à margem daquilo que é aceitável. Aliás, acredito que sempre há aquela parcela da sociedade que não quer ser integrada. E aí? Disse um colega na discussão que "A Constituição olha para trás, para incluir aqueles marginais, criando novos direitos que projetam novos marginais no futuro."

Transformar o súdito em cidadão não é um resultado assegurado automaticamente pelas nossas constituições democráticas: é somente uma aposta e uma possibilidade. Para que o possível se torne real, depende das escolhas de cada um de nós. 
Pietro Costa

A quem interessar, vou tentar conseguir a tradução integral da palestra ;)

Cidadania e Integração

terça-feira, 2 de março de 2010

Essa postagem veio do meu antigo blog, o Pirralha na Universidade(Algumas postagens do Pirralha estão nesse blog, mas ele ainda pode ser acessado nesse link) Faz parte do 'tudo' que eu sou. 

Não dá pra disfarçar. Quem passou pela Praça Santos Andrade nesse início de semana pode não ter notado, mas as novas caras que chegaram ao Prédio Histórico da UFPR não podiam conter a excitação. E não é porque já fui caloura uma vez que fugi ao padrão. Parecia universitária pela primeira vez.

Subi aquelas escadas com o maior orgulho de ser aluna federal. Orgulho de mim mesma e da universidade que agora é minha. Saí de casa preocupada com a minha falta de senso de orientação (medo de se perder sozinha! haha), com o horário (apesar de ter chegado com muita antecedência) e com a minha cara de SOU CALOURA.

A Aula Magna foi... deliciosa. Ministrada pelo Professor Fabio Konder Comparato - nada menos que brilhante - que falou sobre a dominação do povo pelo controle dos meiso de comunicação, convidando a todos a voltar à ágora - espaço onde, na antiga democracia, todos os cidadãos gregos se reuníam em assembléia e tinham a sua voz. A palavra do povo.

Conversou conosco sobre uma democracia mais participativa, onde a expressão não é apenas as mensagens em ploco, padronizadas, intermediadas, impessoais, dirigidas a receptores anônimos, como ocorre nos meios de comunicação de massa. Quer saber como?

Assim, desse jeito. Você está lendo este blog, a minha ágora. A internet é o meio de expressão mais democrático que há. Não fique aí falando sozinho. Bota a boca no mundo!

Essa postagem foi importada do outro blog, portanto todos os comentários que foram feitos nela estão aqui. Fique a vontade para comentar também!

Sentimento Federal