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sexta-feira, 14 de março de 2014

No meu último ano de faculdade, estava voltando do estágio na promotoria da infância e juventude, quando o ônibus parou no terminal e subiu um rapaz com um discurso comovente. Ele precisou de ajuda para subir no ônibus e se locomovia com dificuldade. Vinha pedir ajuda financeira. A história dele era a seguinte:

O rapaz trabalhava como motoboy, até que sofreu um acidente. A moto, que era dele, ficou inutilizada. Ele também sofreu gravemente, precisou fazer duas cirurgias na perna, ficou muito tempo internado, sem poder prover o sustento à sua família, e ainda não estava recuperado, pois não conseguia caminhar direito. Também não podia voltar a exercer sua profissão, não só porque não tinha mais moto, mas também porque não conseguia mais pilotar. Como não trabalhava com carteira assinada, ficou totalmente desamparado pelo empregador. Não recebeu seguro-desemprego, indenização, despesas médicas, mesmo tendo se acidentado enquanto estava trabalhando. 
Agora estava em uma situação particularmente difícil, porque sua filha, um neném de poucos meses, precisava tomar um leite especial, que geralmente é fornecido gratuitamente nos postos de saúde, mas que agora estava em falta. Sem condições de alimentar a criança, prestes a ser despejado, disse que o Conselho Tutelar queria tirar a criança dos braços da mãe, que estava naquele momento conversando com o conselheiro do lado de fora do terminal. Precisava de dinheiro para comprar o leite da criança. Agradeceu com lágrimas e desceu.

Enquanto o ônibus se afastava eu comecei a ficar angustiada. Aquele rapaz não precisava estar naquela situação se ele não fosse ignorante sobre os próprios direitos. Deu vontade de descer atrás dele e dar alguma orientação jurídica, tirar aquele homem daquela situação de abuso e injustiça em que ele se encontrava só porque ele não sabe que tem direitos. No caminho pra casa, eu chorei por causa dele, e entrei em crise, pensando na minha covardia e na falta de iniciativa em ajudar uma pessoa que precisava de algo que eu poderia oferecer. Por vários dias eu fiquei mal por causa daquela situação, achando um desperdício todo o meu conhecimento se eu não tinha a capacidade de descer de um ônibus pra ajudar uma pessoa em necessidade.

Outro dia eu tive que voltar a Curitiba pra resolver alguma coisa - eu quase não parei em casa em fevereiro - e estava no ônibus para voltar pra casa, na rodoviária quando entrou um rapaz meio desesperado. Ele contou que precisava viajar com a mulher e a filha, mas a criança acabou de completar seis anos, e precisaria de uma passagem para viajar. Disse que ele não sabia e não estava preparado pra isso, juntou todas as economias, mas ainda faltavam vinte reais. Era o mesmo rapaz. Milagrosamente curado e com uma filha que envelhece um ano por mês. Foi quando eu passei a me questionar.

Por que algumas pessoas preferem se humilhar com uma história inventada para pedir dinheiro do que trabalhar para conquistar suas coisas? Por que as pessoas dão dinheiro sabendo que pode ser um golpe? Afinal, não existem mil maneiras mais eficientes de ajudar a comunidade, de estender a mão e de ser solidário? Essas pessoas que sustentam a mendicância seriam as mesmas que não doam sangue, não fazem um trabalho voluntário, não doam dinheiro pra quem faz um trabalho de desenvolvimento comunitário e realmente precisa de ajuda financeira? Será que essas pessoas realmente pensam que estão ajudando alguém ou só querem se livrar de um problema ou de uma carga de culpa por nunca fazer nada?

Eu preciso, preciso, preciso que exista mais alguém inconformado nesse mundo, porque desse jeito não dá.

Ajudando as pessoas

segunda-feira, 4 de março de 2013

Não ficou uma fofura??

Digam aí, vai...

Agora eu tenho que terminar de estudar a matéria da final de amanhã, que é o que eu deveria estar fazendo em vez de ter o grande insight pra alterar o a carinha do blog (coisa que eu queria fazer desde a última alteração, que nem ficou boa).

Por que a gente só tem essas grandes ideias e vontades e disposições quando na verdade tem que fazer outra coisa?

Enfim, vou lá estudar.

Um beijo!

(Sério, digam o que acharam!! :D)

OMG! O Com tudo o que sou mudou de cara!!!

sábado, 19 de janeiro de 2013

Eu não resisto a uma coleção bonitinha. Acho o máximo quando a editora tem o bom gosto de formatar todos os livros de um mesmo autor (ou não! qualquer desculpa pra fazer combinadinho já me deixa feliz!) num mesmo estilo. As capas combinando na estante... não fica lindo? Não teria comprado John Grisham com as capas antigas. Aliás, eu deixei de comprar um livro dele esse mês porque ainda não tinha com a capa nova. Mas a gente quer falar da história, né?



"Os Litigantes" é uma história de anti-heróis. Um advogado alcoolista que anuncia divórcio rapidinho e baratinho em cartelas de bingo. Um advogado veterano que passou a vida inteira procurando clientes em batida de carro e ainda não conseguiu dinheiro pra se aposentar ou pra se divorciar da mulher. Um advogado em uma firma gigante, com um salário enorme e um trabalho que é um saco, que resolve largar o emprego e tomar um porre. Estes são os protagonistas de Grisham: os fracassados.

Como se fosse uma versão loser desse cara, sabe?

No início eu fiquei com raiva, principalmente do Wally (o bêbado) e do Oscar (o velho). Eles são exatamente o tipo de advogado do qual eu tenho nojo. Aquela escória que faz qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, pra arrumar um cliente qualquer. Enquanto Oscar só quer se aposentar ou morrer, o que acontecer primeiro, Wally ainda está em busca do golpe perfeito. Algum caso contra alguma empresa grande para conseguir uma indenização vultuosa e ganhar uns honorários bem gordos.

David (aquele que tomou um porre) é um tipo mais nobre e foi por ele que eu levei o livro até o fim. Veja só, ele estava naquela firma enorme, com milhares de advogados, ganhando quinhentos dólares por hora pra lidar com subscrição de títulos com ênfase nos spreads do after-market de segundo e terceiro níveis, principalmente para multinacionais que prederem não pagar impostos em qualquer lugar do mundo. Cinco anos sem nunca pisar num tribunal, só criando papelada. Trabalhando para empresas, e não para pessoas. Eu sei que há quem goste disso (e eu fico feliz por isso - ninguém pode me obrigar a fazer esse tipo de trabalho enquanto houver quem goste dessas coisas), mas eu prefiro trabalhar resolvendo os problemas das pessoas, e o David também.

Aí tem a capa do livro, com esses comprimidos. Isso porque a história se desenvolve quando, ao mesmo tempo em que David toma um porre, chuta o balde na firma e vai parar da F & F, Wally Figg arruma um caso contra uma gigante farmacêutica, pedindo indenização pela morte de um cliente que teria sido causada por um remédio que fazia mais mal do que bem. Foi um fervo no país inteiro. Ele bateu em cada porta prometendo um milhão de dólares para quem aceitasse entrar na ação coletiva. Entrou com a ação no tribunal federal sem a mínima experiência com um juri (nos Estados Unidos, quase tudo vai a juri)... 

Se não gosta de pessoas de terno, esse livro não faz o seu tipo.

Talvez eu esteja entediando vocês com essa história e eu realmente acho que esse livro deve ser muito entediante para quem não consegue ao menos ver um episódio de Law and Order. O fato é que eles arranjam muita corda pra se enforcar, e quando você se dá conta, o livro que estava um saco com esse tipo de gente que você despreza (no caso, 'você' seria eu mesma) conseguiu prender a sua atenção porque você quer saber se vai dar certo, se eles vão ganhar a ação, se vão se dar mal, se o David vai se corromper... Quando você se dá conta, está cativada pela escória do mundo jurídico (os advogados porta de cadeia ou, no caso, caçadores de ambulância, sem o menor senso de ética), não porque concorda com o que eles fazem, mas porque se importa com o que eles são (ignorem o fato de que eles não existem) e quer saber como eles vão sair dessa, e se vão se emendar depois dessa.

Dei três estrelas porque o livro é realmente bom. Não é muito bom, nem ótimo, mas é bom.Não é bom por inteiro, mas vai ficando bom com o passar do tempo. Entre os leitores do Skoob, tem avaliações de três a cinco estrelas. Ninguém abandonou. Se você gosta de assistir Law and Order e de filmes com cenas de tribunal, se já é fã de John Grisham, vai fundo ;)

Extras

Comprei o livro em... acabei de perceber que eu não anotei. Eu sempre anoto a data na sobrecapa. (Aproximadamente uma hora). Lembrei. Foi numa promoção de 3 por 30 do Submarino. Chegou em setembro, pouco antes de começar a grande ressaca literária de 2012 (que, pelo visto, assolou boa parte da população da minha timeline). Eu tinha lido Pequena Abelha e parecia que nada na minha estante era bom pra ler em seguida. Peguei um Sidney Sheldon na biblioteca que resolveu meu problema. Acontece que, na sequência eu li Em Chamas e A Esperança. O que aconteceu em seguida não foi uma ressaca literária, foi uma fossa. Eu chafurdei no luto pelos personagens queridos. Mas não vamos falar disso agora. Daí que eu precisava de alguma coisa pra sair dessa situação, e como Sidney Sheldon funcionou na última vez, achei que John Grisham daria certo.

Enfim, no Brasil, John Grisham é sinônimo de Rocco. Eu já falei aqui que as edições da Rocco são muito porquinhas, especialmente quando você pensa no preço que eles cobram. Eu pago caro com gosto se o trabalho for lindo e maravilhoso. Não é o caso dessa edição, mas dá pro gasto. É bonitinha. O papel é branco #chora, mas a capa é bonitinha, a fonte e o tamanho da letra são confortáveis, e eu achei bonitinho como colocaram o nome do autor e a paginação nas folhas. Também gosto das orelhas bem largas.

O livro é o lançamento mais recente (e mais barato) do autor no Brasil, do original The Litigators. Escrito em 2011, ainda não tem adaptação televisiva ou cinematográfica. Depois desse, Grisham já publicou mais dois ainda não lançados no Brasil. Alguém segura esse homem! Ele é o sexto mais lido nos Estados Unidos (dizem) e dos 28 livros lançados saíram 19 adaptações para TV ou cinema.

Como é lançamento de 2012 da Rocco, tem exemplares a rodo e volta e meia está em promoção. Podem olhar na Travessa, Submarino, Cultura ou Saraiva, ou na livraria de sua preferência. Só não olhem no site da editora, não presta. (Que vergonha, Rocco! Que site horroroso!). Mais informações no Skoob ou no site do John Grisham (em inglês).

Os Litigantes (John Grisham)

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012



Os últimos meses foram os mais difíceis para este blog. O maior período de silêncio para mostrar que esse negócio de greve não facilita a vida de ninguém. "Ai, que beleza, quatro meses de férias" uma ova. Quatro meses de estudo, seguidos por cinco meses de... jogos vorazes acadêmicos. Eu sou da turma do penúltimo ano, que não tem todo tempo do mundo pra recuperar o tempo perdido, mas que ainda assim entrou em greve (os últimos anos nunca entram em greve, pelo menos não aqui).

Então, nos últimos meses eu tive milhares de trabalhos e provas e trabalhos e artigos e provas em sequência. Sem contar que, além de estudar, eu tenho um trabalho e um estágio, tenho um namorado e uma família, tenho uma pretensão ao mestrado, tenho coisas demais pra manter um blog ativo em plena arena. 

2012, que pra mim só acaba em fevereiro, foi um ano de muita correria, mas que também teve bons resultados. A minha biblioteca triplicou, as minhas notas subiram, consegui participar da vida das pessoas que amo, comecei a trabalhar na área que eu mais gosto na vida, o mundo não acabou, tive um artigo aceito em uma conferência internacional sediada no Japão, terminei o ano no azul.

Aliás, lembram do projeto 101 em 1001? Os 1001 dias terminariam em novembro de 2012, e embora eu não tenha cumprido toda a lista, consegui algumas coisas interessantes. Fui ao Rio e a Foz do Iguaçu, também a uma praia em SC e a Florianópolis, que é uma ilha, e a São Luis, onde nunca pensei que fosse chegar tão cedo. Encontrei minhas amigas de infância e descobrimos que todo o nosso "em comum" hoje se resume às lembranças. Li muitos livros. Vi vários filmes. Comecei a acompanhar algumas séries. Dei muitos presentes.

O Com tudo o que sou também teve seus momentos, com várias postagens muito visualizadas, e eu espero continuar nessa força pra fazer um post específico em seguida, pra não ficar devendo. Quem andou mais parado ainda foi o Verbete Legal, que é uma ideia super legal, mas que precisa de mais inspiração do que pra escrever aqui, onde qualquer coisa vira assunto.

Eu não vou prometer nada, exceto que os blogs continuarão aqui. Pode ser que venham muitos posts depois desse, pode ser que só quando eu estiver de férias, ou talvez só depois das férias. Talvez eu só venha aqui esporadicamente, mas vou manter esse cantinho. Estou estudando uns colaboradores com postagens mensais ou semanais, pra não deixar a peteca cair quando eu estiver no sufoco do TCC, do estágio obrigatório ou das provas para o mestrado.

Então, quando o blog parecer assim, meio abandonado, quero que vocês tentem ficar felizes por mim, porque isso significa que provavelmente estou muito ocupada fazendo alguma coisa que me deixa ainda mais feliz que isso aqui. E olha que meus blogs me deixam muito, muito feliz.

Não sei se amanhã ou bem depois, mas a gente se vê ;)

Adeus, 2012

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

"Vivemos em uma sociedade que ensina as mulheres a não serem estupradas, e não os homens a não estuprar". Essa frase foi retirada de um cartaz da Marcha das Vadias que, assim como esse post, não é sobre sexo, é sobre violência.

Quem acompanha meu twitter pessoal viu que ontem eu sofri um assédio sexual. Não que eu me sentisse inatingível: uma a cada três mulheres no mundo será abusada sexualmente de alguma forma durante a sua vida. Um terço de todas as mulheres do mundo. Ontem eu fui constrangida no ônibus por um pênis se infiltrando na minha retaguarda sem pedir licença. Meninas abrem as pernas para o papaizinho, mas a mãe não acredita. Jovens são tratadas como peça de exposição no mundo dos tarados enquanto pensam que estão apenas vivendo suas vidas. Mulheres são constrangidas a fazer sexo achando que é seu dever.

Pra quem está confuso, vou explicar o que é estupro. Como crime, é definido pelo Código Penal, que antigamente dizia que era o constrangimento de mulher a ter conjunção carnal (ou seja, penetração do pênis na vagina). Acontece que houve uma reforma em 2009, e hoje estupro é o constrangimento sobre qualquer pessoa a ter conjunção carnal ou praticar/permitir que alguém pratique ato libidinoso (ato de satisfação da libido, isto é, do desejo sexual). Quando se fala em constranger, significa obrigar. Trocando em miúdos, quem comete estupro obriga alguém a fazer sexo ou praticar/permitir que o estuprador pratique outro ato para a satisfação da libido.

Esse post é uma convocação para a blogagem coletiva que acontecerá no dia 21 de novembro de 2012. A convocação é para mulheres e homens. Pra quem já foi estuprado e pra quem nunca foi. Especialmente, uma convocação pra quem é contra o uso das mulheres como objeto sexual. Ei, estuprador, compra uma boneca inflável!



Regras:
- Incluir no post o banner da blogagem coletiva.
- Colocar um link para este post.
- Postar seu texto no dia 21 de novembro de 2012.
- Deixar um link para seu post nos comentários.

(Pela relevância do tema, quem quiser participar, mas não tem blog, pode publicar seu texto no Facebook e deixar o link nos comentários. Quem não tem blog, nem facebook... ah, gente, não vale um tweet, mas se você consegue ser criativo de outras formas, fique à vontade e contribua para a causa. Se você não consegue fazer um texto ou qualquer coisa criativa, mas quer fazer alguma coisa, divulgue a campanha!)

No dia 25 de novembro de 2012, Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, haverá um post com todos os links da blogagem coletiva.

Blogagem Coletiva Antiestupro: "Vá se arrumar que hoje eu vou lhe usar"

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Você se muda para a beira do fim do mundo, onde não tem GVT, nem NET, nem qualquer outra operadora telefônica, senão a linda da Oi, que lhe oferece míseros 2M de internet, se você tiver a sorte de conseguir isso tudo. A demora para instalação que é de praxe. A instalação pela metade no primeiro dia que também é habitual. O telefone funciona, a internet, não. 

O dono da casa começa a receber ligações de call centers, todas dizendo que seria necessário completar a instalação da internet, e que para isso seria necessária a instalação do provedor. Para instalar o provedor, precisam dos seus dados. Foi bem nessa hora que eu, a responsável pela linha, cheguei em casa, quando meu pai estava ao telefone com uma dessas ligações bem suspeitas.

A moça pedia os meus dados, como nome, CPF, agência e conta bancária... De onde a moça fala? Do serviço de internet, ela responde. Sim, mas de que empresa? Eu me irrito só de lembrar da hesitação da funcionária adestrada a aplicar golpes em consumidores pouco informados em dizer para qual empresa estava trabalhando. (Algumas pessoas dizem que a pessoa está só fazendo o seu trabalho e blablablá, mas o mercado de trabalho é grande. Ninguém precisa trabalhar naquilo que é contra sua ética, é uma questão de princípios. Pena que nem todos têm princípios.) 

A moça insistia que eu precisava fornecer os dados da minha conta bancária ou do meu cartão de crédito, pois de outra forma a minha internet não funcionaria. Respondi que a empresa não precisava de dado nenhum, porque eu pagaria a fatura assim que ela chegasse em minha residência. A moça se irritou e engrossou comigo. Eu engrossei com ela e exigi que ela me dissesse em nome de que empresa ela trabalhava. A resposta: Terra Networks Brasil.

Desliguei o telefone, não sem antes dizer que não gostaria de receber outras ligações daquela empresa e que não precisava de provedor nenhum, obrigada, explicando para os residentes da casa que era um golpe e que a moça queria vender um serviço desnecessário por conta da ignorância dos outros. Me disseram que já tinham passado os dados bancários da minha mãe para a Uol. Não pensei duas vezes e liguei para a Uol dizendo que assinaram um provedor em meu nome (ninguém precisa saber que ela é ela e eu sou eu se eles estão errados e minha mãe não pode ligar em horário comercial, né?) e que eu queria cancelar. Cancelado. Fim. Né?

Sim, se a Uol e a Terra não começassem a lançar débito automático na conta da minha mãe. Dez reais, trinta e cinco reais, cinquenta reais. Bloqueio no banco. Continua debitando. Na audiência de conciliação, a Terra disse que o problema é da minha mãe que não leu as letras pequenininhas. E a coitada nem estava em casa. A pergunta que fica: como será que Uol e Terra ficaram sabendo que meu telefone tinha acabado de ser instalado e minha internet não estava funcionando? Pois é...

O golpe do provedor

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Essa noite sonhei com uma utopia. O mundo que eu sonhei era realmente utópico, eu chamaria de o "mundo das soluções fáceis". Nesse mundo não havia crimes porque existiam muitos policiais nas ruas. A polícia era desmilitarizada e respeitada pela população. Ah, e respeitava a população com a consciência de que existiam para cuidar daquelas pessoas, não pra outra coisa. As pessoas podiam andar pelas ruas escuras sem medo porque só pela ciência de que existiam muitos policiais cuidando da população, a criminalidade já se acuava.

A solução que eles encontraram foi bem simples. Prisões, muitas prisões. Sistema de repressão total. Jogou papel de bala no chão, 'teje' preso por crime ambiental. E assim a galera foi aprendendo a agir de forma legal e responsável, a não causar danos aos outros. Não havia necessidade de escolas porque as pessoas aprendiam na televisão tudo o que elas precisavam. E se não aprendessem, eram presas e aprendiam essas coisas na prisão. Quem saía dos presídios recebia uma carteira de habilitação para convivência em sociedade, obtida por quem fosse aprovado por uma equipe científica respeitada no mundo todo. (Não preciso dizer que ninguém saía antes de conseguir a habilitação, né?)

Ao sair das penitenciárias, as pessoas eram recebidas de braços abertos pela sociedade, afinal, os regressos voltavam a fazer parte da sociedade civil, aquelas pessoas que têm direitos e tudo mais. Essas pessoas contavam como era a vida nas prisões e as histórias se espalhavam por toda a população, em forma de fábulas para aterrorizar as crianças, evitando que essas desobedecessem a lei. Nesse mundo, o Ministério Público, por ser o acusador dos processos criminais, era sempre pro societate, e os criminosos, a partir das investigações, já não faziam parte da sociedade, afinal, não eram sociáveis.

Descobriram, no mundo das soluções fáceis, que a criminalidade é resultado de uma doença psiquiátrica (ou de um demônio, pra quem tem religião), que só se cura através da tortura. Daí a faca na caveira, sabe. Pelo bem dessas pessoas e da sociedade da qual elas, enquanto doentes, não fazem parte, elas são submetidas a sessões diárias de espancamento, até que retornem à consicência social (ou que o demônio saia daquele corpo que não lhe pertence).

Esse é o "mundo das soluções fáceis", porque todas elas já existem. Mas não solucionam ***** nenhuma. É utopia acreditar que internar o menor que foi surpreendido com arma de uso restrito vai resolver alguma coisa quando três anos depois ele sair do CENSE. Ou que pelo menos nesses três anos a retirada de circulação do adolescente é uma quase-solução. Matem-no! E depois encham a boca para falar dos direitos fundamentais da Constituição blablabla. Muita retórica pra quem ainda acredita no Direito Penal do Inimigo. Essas pessoas me fazem acreditar que os Jogos Vorazes se aproximam.

Eu busco algo melhor do que o Direito Penal. E eu acredito que o ECA é algo melhor que o Código Penal porque nele existem medidas mais coerentes pra quem se diz contra a pena de morte. Porque eu não acredito que alguém esteja perdido. Ainda mais alguém que não viveu nem duas décadas. Perdidos são aqueles que não têm esperança. Não acreditar é o primeiro passo para não fazer nada. E eu não vou me juntar aos que não fazem. Eu não me conformo e não vou me conformar nunca com essa "solução" ridícula que temos para a insegurança pública. Eu busco algo melhor e vou buscar enquanto esse algo melhor não acontecer. Eu vou mudar a história com quem quiser se juntar a mim. Sigam-me os bons.

Mas mesmo assim uma coisa ainda não foi falada. vamos supor que nós sonhamos, ou inventamos, aquilo tudo - árvores, relva, sol, lua, estrelas e até Aslam. Vamos supor que sonhamos: ora, nesse caso, as coisas inventadas parecem um bocado mais importantes do que as coisas reais. Vamos supor então que esta fossa, este seu reino, seja o único mundo existente. Pois, para mim, o seu mundo não basta. E vale muito pouco. E o que estou dizendo é engraçado, se a gente pensar bem. Somos apenas uns bebezinhos brincando, se é que a senhora tem razão, dona. Mas quatro crianças brincando podem construir um mundo de brinquedo que dá de dez a zero no seu mundo real. Por isso é que prefiro o mundo de brinquedo. Estou do lado de Aslam, mesmo que não haja Aslam. Quero viver como um narniano, mesmo que Nárnia não exista. Assim, agradecendo sensibilizado a sua ceia, se estes dois cavalheiros e a jovem dama estão prontos, estamos de saída para os caminhos da escuridão, onde passaremos nossas vidas procurando o Mundo de Cima. Não que as nossas vidas devam ser muito longas, certo; mas o prejuízo é pequeno se o mundo existente é um lugar tão chato como a senhora diz. (C. S. Lewis, As Crônicas de Nárnia: A Cadeira de Prata)

Utopia

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Quanto uma vida pode mudar em menos de 30 dias? É certo que mudanças fazem parte da vida, mas algumas mudanças dependem de um empurrãzinho. Outras precisam de um chute. Outras simplesmente acontecem, conforme o soprar dos ventos. Outras ainda surgem como um furacão.

Meu nome é Forasteiro
Vindo de uma terra distante
Meus pés estão cobertos de terra
De tantas idas e vindas
E eu tenho visto
Ótimas coisas à distância
Elas vêm a mim
Eu as sigo
Eu sigo em frente

Foi com um belo chute que eu decidi deixar o escritório onde trabalhava. Eu tinha acabado de renovar o contrato quando percebi que não conseguiria esperar o mês de dezembro ou janeiro para viver um pouco. Pensando no assunto, vi que a minha liberdade, que eu tanto amo, estava murchando; que eu já não me sentia tão desafiada e estimulada como no início; que os feedbacks que eu recebia eram de 'ficou muito bom, parabéns!' quando eu sabia que não estava tão bom assim e a versão final dos trabalhos vinha com trezentas modificações; que o esforço que eu sentia estava sendo maior que a recompensa. Que a coisa que eu mais prezava ali era a companhia das minhas colegas de trabalho (SAUDADE!!!) e, bem, eu não tenho filhos pra criar, nem prestações a vencer, e não havia nada que me obrigasse a continuar ali. Chegou a hora de chutar tudo pro alto. (Mesmo porque, em um contrato de estágio, você tanto pode decidir não voltar mais amanhã, como eles podem decidir que não querem mais você, e ninguém tem nada com isso).

Porque estou a ponto de largar tudo
E viver aquilo que eu acredito
Não posso fazer nada agora
A não ser confiar que você me sustentará
Quando eu largar tudo


Estágio é assim: dura enquanto todos têm benefícios. Quando os benefícios diminuem, e isso uma hora acontece, a gente leva com carinho as coisas que aprendeu para as oportunidades que virão, e deixa uma porta aberta com as pessoas que, afinal, vão sempre fazer parte da sua rede - se você não resolver mudar de profissão para uma área completamente diferente, morando em um planeta perdido em uma galáxia distante. É hora de experimentar; e eu, que já sou doida pra experimentar coisas novas, gosto muito da ideia de poder estagiar um pouquinho em cada área desse oceano jurídico, que é bem grande. Continuo a nadar, às vezes aproveitando as correntes, às vezes lutando pra fazer meu próprio caminho. (Quem disse que nunca vale a pena?)

Eu já vi sonhos que movem montanhas
Esperança que nunca acaba
Mesmo quando o céu está caindo
Eu já vi milagres acontecerem
Orações silenciosas sendo respondidas
Corações machucados se renovarem
É o que a fé pode fazer


Com um empurrãozinho eu decidi que precisava me dedicar a outra área. Não deixar o Direito - eu amo o que eu faço. Me dedicar também a outra área que eu também amo. Porque um pessôoo me convenceu que eu preciso ter dez mil horas de prática pra aumentar a minha capacidade, e porque eu sabia onde encontrar a oportunidade perfeita pra obter muitas horas de tradução. Foi por causa de uma porta aberta com aquele meu cliente que eu o resgatei nos meus emails exatamente no momento em que ele procurava alguém pra fazer essa tarefa. (Posso ouvir a Katie dizendo 'It's such a God-thing!'). Então, é bom variar as águas por onde eu nado. Ou misturar as correntes. Estou sentindo que essas vão me empurrar bem adiante!

Cedendo à sua gravidade
Sabendo que você está me segurando
Eu não tenho medo


Então veio um furacão e deliberadamente cortou a energia elétrica do lugar onde eu morava, pra me forçar a sair dali bem rapidinho. Foi uma semana até improvisar uma 'casa' nova, em um lugar ainda mais longe - coisa boa pra dar uma dor nas costas é mudança! Eu, que tenho carinha de vinte, mas corpinho de sessenta e dois, estou toda entrevada. Mas quem disse que essas mudanças também não podem ser boas? Ainda que forçada, eu consigo entender alguns benefícios. Por exemplo, dormir no mesmo quarto e pegar o mesmo ônibus que o meu irmão todos os dias está nos aproximando mais - sempre achei muito preocupante o casulo adolescente dele. E faz muito mais sentido plantar uma igreja quando você mora ali do ladinho (ou melhor, nos fundinh - okay, vamos deixar de ladinho), do que quando você mora em ooooutro bairro, longe de todo aquele povo que você quer apresentar a Jesus!

Eu vou andar pela fé
Mesmo quando não conseguir ver
Porque esse caminho esburacado
Prepara à sua vontade para mim


Enfim, os bons ventos me levam em uma direção não muito certa. São ventos suaves, mas há muita neblina no caminho. Muitas águas ainda vão rolar nessa corrente, e eu me deixo levar. É claro que é melhor ficar quieta sobre o que você ainda não ter certeza do que ficar falando sobre o que você acha que vai acontecer. Então eu fico quietinha e deixo acontecer ♪naturalmen - corta!! Posso não saber bem onde estou indo, mas não preciso saber muita coisa. Só ♫continue a nadar, continue a nadar...♪

Tu me guias e não me deixas cair
Tu me levas bem perto do teu coração
E certamente tua bondade e misericórdia me seguirão


PS: A Lisa diz que faz posts gigantes porque só escreve uma vez por semana. Considerando que esse é o primeiro post do mês, ficou até pequeno, né?
PS²: Pois é, a pessoa criativa aqui misturou as músicas das semanas passadas no post!
Na ordem em que aparecem:
Move Forward - Bethany Dillon
Let Go - BarlowGirl
What Faith Can Do - Kutless (posso dizer que cumpri minha obrigação com essa música?)
I'm Letting Go - Francesca Battistelli
Walk By Faith - Jeremy Camp
All The Way My Savior Leads Me - Chris Tomlin

Continue a Nadar

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

#legalizaroaborto foi a hashtag que chegou aos TTs da noite de ontem e ainda está agitando as redes sociais (e anti-sociais) por aí. A minha opinião não cabe num tweet. Seria mal-explicada ou incontroversa minha manifestação a respeito em 140 caracteres. Olha, só! Eu nem expliquei o título do post e já estamos em... mais de 300 caracteres! (e subindo...)

Quem precisa entender se eu estava sendo irônica ou não no título do post, bem... eu não estava. Eu sou a favor da legalização do aborto e tenho um argumento só: as mulheres e adolescentes que morrem com seus bebês fazendo abortos clandestinos por aí. Não adianta vir com seus sermões morais. Essas pessoas não vão deixar de recorrer à clandestinidade para se livrar de filhos que não querem. Nem vão tomar mais cuidado por causa dos seus tweets informando sobre os métodos contraceptivos - quem não conhece esses métodos? Menos ainda vão deixar sua atividade sexual com quem bem entenderem porque você acha que elas não devem fazer. Moralismo não muda o mundo.

O que acontece é que existem pessoas que, a despeito de toda informação existente por aí - não chamam essa nossa época de era da informação? -, têm relações sexuais que resultam em gestações indesejadas e entre essas pessoas existem algumas - várias! - que procuram "clínicas" clandestinas porque não querem, não podem ou simplesmente não gostam da ideia de ter um filho. Justificável ou não, essa atitude tem consequências nefastas: pessoas morrem. E frequentemente não é só o feto.

O grande problema é que, como tudo isso acontece na clandestinidade, apesar de todo mundo saber o que está acontecendo por aí (com exceção do Felipe #nãoresisti), essas mortes caem na chamada 'cifra negra'. Ninguém enxerga. Não dá pra contar. Não vira estatística. (Existem estatísticas sobre o aborto, mas quase sempre englobam também abortos espontâneos e sempre admitem a contagem de um nível inferior ao que acontece de fato pelo simples fato de que os abortos clandestinos não são registrados a menos que sejam denunciados em hospitais ou delegacias).

A criminalização do aborto não impede que as pessoas procurem os meios clandestinos. Pelo contrário, colabora para que isso aconteça, aumentando os índices de morte da gestante. Levemos a hipótese de que fosse regulamentado o aberto até o terceiro mês de gestação, realizado em hospitais da rede pública e hospitais credenciados da rede privada. As diferenças com o aborto que é feito hoje são enormes. Primeiro, porque temos o acompanhamento médico na nossa hipótese, o que já é grande coisa. Segundo, porque há possibilidade de acompanhamento psicológico, orientação e, quem sabe, a mulher pode acabar desistindo. Terceiro, a diminuição da carnificina das 'clínicas' clandestinas, pouco preocupadas com saúde, higiene, ou qualquer coisa desse tipo. Por último, teríamos números mais precisos sobre o aborto. As estatísticas são relevantes não só para mera fiscalização, mas também para adoção de políticas de controle e conscientização.

Eu não sou a favor do aborto. Acredito que a gestação é uma consequência de outras ações e que as pessoas não devem fugir das consequências de suas escolhas (ênfase na palavra escolhas). Acredito menos ainda que seja uma disponibilidade da mulher decidir se quer ter o filho agora ou se quer dispor como bem entender do próprio corpo. Pra mim isso é ideia ultrapassada, que remonta aos tempos do pater familias do Direito Romano. Além de tudo, é profundamente egoísta. E mais, ninguém sabe de que modo a vida pode mudar com a chegada de um filho. Geralmente muda pra melhor ;) Também não acredito no aborto como meio de controle social ou controle da criminalidade. O remédio pra isso é educação.

Acredito na legalização do aborto porque ser contra é fechar os olhos para a realidade. Se eu queria que a realidade fosse diferente? Lógico que sim. Mas não vejo outro meio de conscientização e de mudança enquanto essa situação não entrar no mundo jurídico, no mundo das estatísticas. A situação é grave, gravíssima, e exige uma tutela do Estado, que nada pode fazer enquanto tudo isso não existir no seu mundo. Aí, quem sabe um dia as pessoas possam conversar racionalmente sobre isso e resolverem consigo mesmas que o aborto não é a solução. É só o começo de problemas novos.

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Legalizar o Aborto? Sim!

sexta-feira, 1 de julho de 2011

É, a ideia era ler também alguma peça brasileira, mas não deu. Foi difícil escolher outras peças que não fossem dele, mas não deu pra ler outra coisa. Esse mês foi de Shakespeare. Li três comédias em um volume único, mas uma delas foi releitura (não conta para o DL).

Foto: divulgação do filme The Tempest
A Tempestade
Um duque italiano levou um golpe do próprio irmão para assumir o ducado, sendo enviado para uma ilha deserta - e distante - e dado como morto. O ex-duque, por sua vez, passa a perna na feiticeira da ilha, adquire seus poderes e torna seu escravo o monstrengo Calibã, filho da feiticeira morta. Quando descobre que o navio da Corte Real está por perto, faz com que uma tempestade leve todos para a ilha e arma sua vingança.
No início da história fica meio difícil de entender do que eles estão falando - como quando a gente vai passando pelos canais e cai no meio de um filme. Aí, em poucas páginas, Próspero (o ex-duque) conta todo o seu plano, ou seja, toda a história. O enredo não é sobre o que acontece, é sobre como acontece, porque enquanto realiza seu plano de vingança e reconquista, Próspero resolve se divertir com os náufragos.
O destaque vai para os coadjuvantes. A historinha paralela entre Estéfano, Trínculo e Calibã, fazendo planos para dominar a ilha. E, claro, o vento, que também é um personagem, chamado Ariel.


Foto: Titânia e Oberon
Sonho de uma Noite de Verão
Essa peça eu já conhecia. Li e quase atuei/dirigi quando estava na oitava série. Depois nós mudamos de ideia e eu fui a Rosa em O Pagador de Promessas (Rá! Essa ninguém sabia, né?).
A história na verdade conta várias histórias, todas muito fofas e divertidas. Tem o casamento de Teseu e Hipólita, pano de fundo para toda a história. Tem o quadrado amoroso de Hérmia, que ama Lisandro, mas que está prometida para Demétrio, por quem sua amiga, Helena, é apaixonada. Os quatro vão parar no meio de uma floresta quando Lisandro e Hérmia resolvem fugir. Nesse momento, Puck, a mando de Oberon, rei dos elfos, apronta com os quatro, causando a maior confusão, e prega também uma peça em Titânia, a rainha das fadas, fazendo-a se apaixonar por um homem com cabeça de asno. O coitado só estava ensaiando uma peça para apresentar no casamento do duque!

Mas, entre todos, o que eu queria mesmo ler era...

Foto: Divulgação.
O Mercador de Veneza
Porque o julgamento de Shylock é épico! Depois de ver tantos comentários jurídicos sobre a peça eu tinha que ler, tinha mesmo. Só não li antes porque não tinha encontrado em português na biblioteca (não tenho paciência pra ler Shakespeare em inglês arcaico, não, você tem?). Mas bem, poderia fazer um milhão de outros comentários jurídicos, mas vou falar só da história.
O caso é o seguinte: Bassânio quer se casar com Pórcia, mas pra isso precisa de um dinheiro. Pede o dinheiro emprestado a Shylock, tendo como fiador seu amigo Antonio. O contrato diz que, caso não paguem a dívida, Shylock terá direito a um quilo de carne do peito de Bassânio, na região do coração. Bassânio viaja para fazer a corte a Pórcia e acaba ficando seu noivo. Logo depois, descobre que os navios de Antonio naufragaram e que, sabendo disso, Shylock foi cobrar a dívida. Retorna a Veneza para o tribunal e consegue livrar seu amigo graças à inteligência da esposa.
Existem muitos destaques nessa história, mas acho que o mais legal é que a mocinha não é só uma mocinha... Em geral, as mulheres e Shakespeare são tolas apaixonadas. Pórcia se destaca não só por ser bela e rica, sua esperteza faz a diferença, mudando os rumos da história. A peça mais legal que já li até hoje!

Peças de teatro são um pouco difíceis de se ler quando não se está acostumado. Às vezes fica um pouco confuso, algumas coisas não estão escritas (não existe 'disse Fulana, sorrindo enquanto pensava em...'), mas esse exercício de imaginação se torna muito interessante depois de pegar o jeito!

Desafio Literário: Shakespeare

terça-feira, 22 de março de 2011

A última vez em que fiquei sem internet em casa foi há duas semanas, quando troquei a prestadora do serviço de internet aqui de casa. (Podem ficar orgulhosos por eu ter feito toda a negociação via telefone?) Foi a tarde do dia sete desse mês - pois é, recesso de carnaval e os caras trabalhando - e eu só pedi pra desligar o serviço quando me ligaram dizendo que o técnico da outra operadora já estava a caminho. Ficar sem internet não dá, né? Engraçado é que cortaram a banda larga minutos depois, já a linha telefônica ficou ativa por algumas horas...

Na semana passada declarei a minha dependência dos serviços da Google Co (aqui, ó!). Mas é claro que nada disso funciona offline, né? Já imaginou sua vida offline? Eu não quero nem pensar! Aliás, só pela limitação no acesso à internet no trabalho eu já me sinto prejudicada. E quando eu passo o dia fora, então? Preciso de um celular com acesso à rede, urgente! Nem que seja só pra acessar email pessoal e twitter.

Com acesso à internet eu resolvo quase todos os problemas que podem surgir na minha vida. Desde renovar um empréstimo de livro que está vencendo, até impressionar o namorado com uma receita de Danette caseiro. Por falar em namorado, não sei o que seria dele e de mim sem essa bendita internet. Setecentos quilômetros de distância só não são driblados com mais eficiência porque.. bem... é virtual, né? Mas pra quem não é chegada em telefone, é quase solução!

Ah, não posso deixar de falar dos meus amigos, dos irmãos, dos encontros... Eu acho engraçado como ainda existe gente que reage com espanto quando eu conto as minhas aventuras internáuticas. Minha chefe quase me bateu sexta-feira porque eu disse que já tinha ido ao Rio de Janeiro encontrar pessoas que só conhecia pela internet e ficar na casa de uma delas. É claro que existe gente do mal, mas a gente se dá mal no mundo real também. E, como cautela e canja de galinha bacon nunca é demais, segue essa receita que você vai ser feliz com seus amigos virtuais cada vez mais reais.

Legal é ver como tudo tem se adaptado pra funcionar através da rede. Velocidade, conexão, interação, aproximação. Todas essas vantagens e mais para funções antes impensadas. Eu, que tinha deletado minha conta no Facebook porque não aguentava os emails de Farmville, tive que reativar por causa de uma disciplina na faculdade. Não é nada de Direito Virtual, Responsabilidade nas Redes Sociais, Liberdade de Expressão Online... (Existe? Inventei todos os nomes) É Direito Financeiro, com o professor mais conectado que eu já tive (twitter dele) até hoje.

A internet é uma via de comunicação infinita. Amo coisas infinitas! Aqui você pode se expressar, sem conjunções adversativas. E quando alguém tentar te calar, te censurar, faça seu direito valer. Você tem voz. Infinita. Alcance mundial. Quem poderia imaginar isso? Que marca você está deixando no mundo?

PS: Pra quem não aguenta as besteiras que eu falo no twitter, o blog agora tem sua própria conta. Quem aguenta também pode seguir, tá?
PS²: Como eu tenho voz infinita, resolvi estender pra, além de falar pelos cotovelos, falar também pelos joelhos, tornozelos e demais articulações. Enfim, conhece o Verbete Legal? Não é porque é meu, não é sim, mas é legal mesmo! E também tem twitter!

Vida em rede

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Férias demais. Demais. Não estou dizendo que as férias foram demais, no sentido de legais. Isso eu já disse aqui. E isso foi antes de eu ter férias demais, no sentido de excesso. Eu estou oficialmente de férias desde... algum dia do início de dezembro. E as aulas ainda não voltaram. Ainda faltam dez dias e eu estou parecendo uma criança prestes a ir pra escola. (Aquelas que gostam de ir pra escola e ficam carregando a mochila nova pela casa toda, não aquelas que choram quando chega na esquina da escola)

Pra matar a saudade das aulas (sim, vocês leram direito. SAUDADE das aulas) eu faço o quê? Estudo. Estou digitalizando o caderno do ano passado (Isso significa digitar aquilo que já foi manuscrito. Alguém quer me dar um notebook pra eu não precisar escrever nunca mais!) Fico olhando a grade horária, escolhendo que caderno eu vou usar pra que disciplina (resolvi comprar dois pequenos em vez de um grande), pesquisando o currículo dos professores na internet (nunca fez isso? Descobri que quando eu nasci meu professor de Constitucional B já era doutor!).

Talvez uma parte disso seja porque eu não conheço os colegas de turma. No ano passado eu estudei com os atuais 2º diurno e 3º noturno, e agora vou estudar com o 3º diurno. Os professores também são novos. Nunca estudei com nenhum deles. (Só com os livros que eles escreveram. Parece meio surreal estar em aula com o cara que escreveu o livro que eu usei em 2008) E a expectativa de estudar coisas novas. Apesar de ter achado ótimas algumas as disciplinas introdutórias que fiz e refiz aqui, estou doida pra estudar aquilo que eu gosto de verdade. (Posso contar que quase entrei em crise de identificação até lembrar que eu amo esse negócio jurídico? Sem trocadilhos. Ah, vocês nem entenderam...)

Estou ansiosa pra sentir aquele frio na barriga que sempre me dá quando eu subo aquela escadaria. Ansiosa pra carregar bolsas pesadas, atochadas de livros, e carregar mais alguns na mão. Ansiosa pra descobrir quem ministrará a aula magna no dia 28. Ansiosa pra encher minha cabeça de interrogações. Ansiosa pra escrever sobre isso.

Pena que eu não tenho uma mochila de rodinhas pra sair arrastando pela casa...

Ansiedade de fim de férias

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Não sei se existe alguma profissão que não sofra desse mal. É assim, você estuda, se prepara, se dedica, investe dinheiro, investe tempo, planeja o que você vai fazer, planeja como você vai fazer. Você tem uma carreira. Ou você ainda não tem, porque eu não tenho ainda e já estou sentindo os primeiros sintomas.

Começa sempre com uma simples pergunta, uma ajudinha básica. Afinal, você é quem conhece esse assunto, não custa nada dar uma mão pro seu amigo de tantos anos, ou pior, porque se for parente é até ofensa não responder. Tudo bem, responder uma pergunta básica não faz mal. Isso se parasse por aí. Depois dessa começam os favores, e as pessoas passam a achar que você tem uma profissão para ganhar dinheiro e atender amigos e parentes. (Tem gente mais egoísta que acha que você não precisa ganhar dinheiro)

Agora o grande problema é quando você trabalha com coisas consideradas 'simples'. Especialmente quando seu trabalho não é 'fazer'. Um consultor, por exemplo, trabalha dando orientações, respondendo perguntas. Algumas pessoas acham um absurdo pagar caro para que um advogado apenas responda às suas dúvidas, mas não levam em conta quanto tempo e quanto dinheiro ele investiu para poder responder a essas dúvidas. Para saber se vale a pena, basta se perguntar: eu posso perguntar isso pra qualquer outra pessoa, ou esta é a pessoa qualificada para me orientar nessa questão? É claro que algumas pessoas vão pensar que podem perguntar pra qualquer pessoa quando não podem, mas aí é problema delas. 

Por exemplo, eu sou doida pra ter um layout próprio no blog. Quer dizer, na verdade o projeto é mais complexo que isso, mas eu conheço pessoas que podem fazer. Ou melhor, eu conheço pessoas que fazem isso, trabalham com isso. Mas eu nunca vou pedir pra nenhuma dessas pessoas fazer isso pra mim enquanto eu não puder pagar pelo serviço dela. É diferente quando a pessoa se oferece. Eu já trabalhei e trabalho voluntariamente, para amigos e até para desconhecidos, com a mesma seriedade e dedicação com que trabalho pra ganhar as minhas contas, eu assumi um compromisso. Mesmo assim, é educado oferecer uma gratificação, mesmo que ela não aceite. (Não preciso contar se eu aceito ou não, certo?) E estar preparado para o caso de a pessoa aceitar, né? Nem que seja um livro, um chocolate, um jantar. (Já viram gente que oferece e depois fica bravo porque a pessoa aceitou?)

Meus pais dizem que eu sou cruel, verdade, eles dizem isso mesmo, porque eu disse que não trabalho pra parente. Mas como ter uma relação profissional quando a pessoa a qualquer momento vai querer apelar para os laços sanguíneo-afetivos que os unem? E pior, quando o parente/amigo acha que você pode fazer o favor de trabalhar de graça pra ele. Tá, às vezes pode, mas você é muito cara de pau de achar que pode pedir isso, né? Se a pessoa estiver numa situação difícil, por exemplo, enquanto ela está trabalhando de graça pra você, parente/amigo, poderia estar ganhando dinheiro, trabalhando pra um cliente, que poderia até ser você.

Tem gente que não gosta de fatiar as pessoas, (vida profissional, pessoal, espiritual, etc), mas é bom lembrar antes de pedir um favor a seu amigo/parente que esse é o trabalho dela. Respeite o trabalho alheio, assim como você quer ser respeitado em sua profissão. Não se aproveite dos seus amigos, tenha amor e consideração por eles, mais do que por você. 

(Na verdade era pra eu contar uns casos engraçados e outros tristes sobre isso, mas o post já está grande. A gente continua aqui embaixo, tá? Todo mundo aqui deve ter alguma história pra contar...)

Amizade Aproveitadora

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O sonho do meu pai era ser engenheiro civil. Não existe curso melhor nesse mundo, nem profissão melhor nessa vida do que a de engenheiro, pelo menos é o que ele pensa. Como ele fez Teologia e não Engenharia, tem toda a certeza de que terá um filho engenheiro. Meu pai teve dois filhos e um deles faz Direito. O outro ele já acredita que vai fazer Engenharia Mecânica, o que já é um orgulho, o que eu duvi-de-o-dó, mas a filha que faz Direito é uma desencaminhada total.

Onde já se viu tanta inteligência pra fazer um cursinho desses?, ele diz. Afinal, qualquer imbecil vira um advogado! Se ainda quisesse seguir a carreira pública, mas não. Não quer ser juíza, nem engenheira! É um desperdício!

Não interessa se ela já está no terceiro ano de Direito. Pode até se formar. Desde que depois faça Engenharia Civil. Depois ou agora. Ahh... ele a ouviu falando da editora. Agora cismou que é melhor fazer Jornalismo do que Direito. 

Afinal, de que vai lhe servir? Jornalismo é muito melhor do que Direito. Letras? Não, Letras é curso de quem não sabe o que fazer e tem medo de ficar desempregado. Tal e qual Pedagogia. O que que eu tô falando? Você tem é que fazer Engenharia Civil!

O negócio é fingir que não está ouvindo. Ele vai continuar falando de qualquer jeito, então que fale sozinho. Que nem quando ele a surpreende lendo os blogs no Reader. É incrível como é bem na hroa que ela está vendo algum de casamento.

Casamento? Não, não casa, não... Vai fazer Engenharia Civil...

Que fique bem claro que não fui eu quem disse isso aí, ta bom? Foi o aspirante a engenheiro e eu não tenho responsabilidade sobre isso!

Você não quis dizer Engenharia?

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Antes das eleições recebi um email incentivando o voto nulo com informações falsas sobre o código eleitoral. Minha consciência não me deixou simplesmente enviar o email mentiroso para a caixa de spam. Respondi por acreditar que quem me enviou também estava sendo enganado. 

Hoje recebi mais um email falso falando sobre o auxílio reclusão. Com letras enormes e coloridas, queriam me convencer de que o auxílio-reclusão dá a todo presidiário um 'salário' de 810 reais por filho. O ANALFABETO FUNCIONAL que originou esse email ainda dá o site da Previdência Social como referência. Acessando o link do email podemos ter acesso a todas as informações que contradizem àquilo que disse essa... Melhor não dar nomes bonitos às pessoas, né? 

Bom, aí vai a minha resposta ao email, que eu sugeri a quem me enviou que repassasse a todos que poderiam se indignar com o conteúdo falso do email anterior, e ele conscientemente assim o fez: 

O auxílio-reclusão é um benefício que só recebem os dependentes do presidiário que é contribuinte do INSS e que trabalha (com carteira assinada ou como autônomo, como qualquer contribuinte do INSS). O valor do benefício corresponde a 80% da média dos maiores salários de contribuição. O número de filhos não faz diferença. O valor de R$ 810,00 é o limite máximo do último salário-contribuição para o recebimento do benefício e, portanto, o valor máximo de auxílio reclusão. O valor médio de recebimento por família nesse ano foi de R$ 588,43. 

O direito de auxílio-reclusão não é simplesmente um direito do preso, mas um direito do contribuinte e beneficia não o preso, mas a sua família, da mesma forma que beneficia aqueles que recebem pensão por morte. A notícia divulgada nesse email é realmente indignante, mas o seu conteúdo é falso

Não podem pagar por um crime aqueles que não cometeram - cônjuge, filhos, pais. O mesmo direito dos dependentes do contribuinte preso, têm os dependentes do contribuinte morto. A base de cálculo da pensão por morte é a mesma: 80% da média dos maiores salários-contribuição. 

É bom lembrar que criminoso não é só quem mata e rouba. Igualmente é crime molhar a mão do guarda, publicar tweets de conteúdo racista e xenofóbico, fazer gato, assediar a estagiária, ligar o Luan Santana no último volume às três da manhã, fumar maconha, fazer ou pedir nota fiscal fria... 

Não existem níveis de honestidade.

Todas as informações desse email podem ser conferidas no site da Previdência Social (Aconselho que se leia o tópico Perguntas e Respostas em Auxílio Reclusão) e no Código Penal

Se você já encaminhou um email divulgando o "absurdo do auxílio reclusão" ou já ajudou a espalhar a notícia de algum modo, aconselho que divulgue esse post. A ignorância é a pior doença.

Auxílio reclusão - resposta a uma corrente de emails mentirosa

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Sabe o que enche um balão, né? Não é o ar, o gás... é a pressão do que estiver dentro do balão. Ou você acha que não tem ar dentro do balão que você ainda não encheu? A pressão faz o balão crescer.

Eu nunca soube lidar muito bem com pressão. Lembro das competições que eu participava, daquelas disputas de conhecimento - de gincana bíblia a olimpíada de matemática. Tudo muito bom, tudo muito bem, até chegar na final, com todo mundo depositando toda a confiança em mim. Eu cedia à pressão. Vinha o tal do 'branco'. Pufff, falhei. Sempre um erro besta, que no segundo em que terminava sabia que tinha errado.

Foi no meu primeiro vestibular que descobri uma coisa diferente. Achava que por causa desse histórico teria um fracasso bonito tentando o vestibular assim. Pra Direito, imagine! (Não levei em conta a diferença entre uma competição com platéia e uma prova individual, mas pressão é pressão, né?) Na hora da prova eu me surpreendi com a minha capacidade... de ser fria! Logo eu, que vivo com as emoções afloradas, sejam elas quais forem! Pois é, vai ver que um pouco de pressão ajuda a crescer.

Mas vou te contar uma coisa, o mesmo motivo pelo qual o balão cresce, é o que o faz explodir. Eu já tive a ponto de explodir várias vezes durante essa minha vida (música de drama ao fundo). Não é fácil ter que ser a melhor, ter que superar as expectativas, ter que impressionar. E não precisam me dizer que eu não preciso ser isso ou aquilo. Essa neura nem é minha, é a pressão que colocam em cima de mim. Expressamente.

Ultimamente estou assim, quase explodindo, quase não aguentando. Casa, família, namorado, chefe, projeto, blog, amigos, igreja... tenho mesmo que dar atenção pra todo mundo? E se eu parar um pouquinho, será que não vão me bater quando notarem que eu parei? Preciso de folga. Férias. Chega.

*Suspira*

(Fim da catarse)

(Eu acho)

Feito um balão

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Nessa segunda-feira, mais um grande evento aconteceu no Salão Nobre da nossa Faculdade de Direito. O lançamento do livro do Pietro Costa (que encerrou hoje ontem sua escola de altos estudos e volta amanhã voltou hoje para a Itália) Soberania, Representação, Democracia. Ao contrário do sentimento da semana anterior, dessa vez me senti muito honrada, uma privilegiada por poder participar do lançamento deste livro e ouvir a palestra incrível de um grande nome da historiografia jurídica mundial.

Esse, pra mim, é o grande diferencial da graduação na UFPR. Certamente eu não teria a oportunidade de assistir palestras de Claus Offe, Antonio Manuel Hespanha, Paolo Cappellini ou Pietro Costa na Unioeste sem custo algum. Pensando bem, acho que na Unioeste, nem com custo. Só se fosse em algum congresso, ou vindo pra cá especialmente pra participar de um desses eventos.

Como havia um texto preparado para esse evento, a palestra foi 'legendada' (Pietro Costa falando e a tradução aparecendo em slides), e depois as respostas às perguntas foram traduzidas pelo professor Ricardo Marcelo.

O tema foi esse aí do título: Cidadania e Integração. Cidadania, o sentimento de pertencimento a uma comunidade. Está relacionada à identidade do povo e à identificação de cada um com esse povo. A integração é superação da heterogeneidade dos conflitos. Todos os diferentes podem ser considerados iguais.

Nas constituições modernas está tudo muito belo, fácil e simples: todos são iguais perante a lei. O problema é que as constituições não são um retrato da sociedade real, mas sim um projeto da sociedade futura. Como pode haver identificação em uma sociedade desigual onde todos têm direito à propriedade, mas poucos podem gozar desse direito?

Vamos complicar as coisas? Coloca nessa sociedade os fatores imigração e migração. Como manter a integração em meio a uma diversidade de culturas? Ainda mais quando não há identificação alguma entre nativos e imigrantes - os primeiros não aceitam a chegada de outras culturas, e os últimos não querem assimilar a cultura de seus 'anfitriões'. Nisso não falo de abandonar as raízes, mas de compreender, adaptar e conviver. Enxergar a multiplicidade e a variedade como força e riqueza (Oi, Gilberto Freyre! Tudo bem?).
Uma questão ficou no ar. Me parece que sempre há uma parcela da sociedade à margem daquilo que é aceitável. Aliás, acredito que sempre há aquela parcela da sociedade que não quer ser integrada. E aí? Disse um colega na discussão que "A Constituição olha para trás, para incluir aqueles marginais, criando novos direitos que projetam novos marginais no futuro."

Transformar o súdito em cidadão não é um resultado assegurado automaticamente pelas nossas constituições democráticas: é somente uma aposta e uma possibilidade. Para que o possível se torne real, depende das escolhas de cada um de nós. 
Pietro Costa

A quem interessar, vou tentar conseguir a tradução integral da palestra ;)

Cidadania e Integração

sábado, 6 de novembro de 2010

Esse é o nome do evento que aconteceu ontem na UFPR, sobre o qual preciso fazer um relatório para ganhar 1,5. Olha eu aqui mendigando 1,5, tsc tsc Sabe como é aquele trabalho extra pra tentar resgatar os desesperados, né? Uma grande benevolência para fazer um trabalho que deveria valer 5,0, só que você vai ganhar, no máximo 1,5. Por que, né? Estou te fazendo um grande favor oferecendo esse trabalhinho bobo.

Estilo Florentino foi um evento que reuniu grandes historicistas do Direito do Brasil, da Itália e da América Latina para falar sobre a influência da Escola de Firenze sobre a História do Direito na América Latina. O evento contava com três mesas de debate (manhã, tarde e noite) sobre as obras de Pietro Costa, Paolo Cappellini e Mario Sbricoli, respectivamente.

O trabalhinho extra é o seguinte: comparecer a pelo menos duas das três mesas e redigir um relatório sobre o evento. Aí vocês pensam: "E você ainda está aí reclamando? Um trabalhinho desses deveria valer um ponto, no máximo!". Eu respondo "Vem fazer!" que nada nessa vida é assim tão fácil. Dos sete debatedores, quatro eram italianos, um colombiano, um argentino e um brasileiro. Sem tradução nenhuma. Aliás, não havia sequer consideração pelos pobres que não parlam italiano. Falavam rápido e comendo as palavras como se estivessem na casa da mamma deles.

O resultado disso é que nas anotações para o meu relatório há um punhado de frases desconexas dos pedaços que eu entendi antes de me perder completamente mais uma vez. Algumas coisas que eu não sei porque anotei. Algumas passagens incompletas. E eu fazendo meu relatório no blog em vez de fazer o relatório que vai me ajudar nessa disciplina. Vale escrever dez linhas e dizer "O resto não entendi. Sinto muito."?

Resposta do professor de história do direito/diretor da faculdade/coordenador do evento: (Não ao blog, à turma. Acho que ele nem sabe da existência do blog...)
O evento não teve tradução porque era em forma de debate, e, como tal, não poderia haver prévia tradução dos textos, já que as falas dos convidados, em geral, não foram trazidas prontas. Além do mais, eu esperava que vocês entendessem pelo menos os convidados latinoamericanos, e, com exceção de Pietro Costa e Paolo Cappellini, os demais convidados possuem um italiano bastante fácil de se entender.

E a minha consideração final...
Bom, se o evento era um debate, a única solução possível seria a tradução simultânea, certo? E como temos os tradutores, seriam duas as possibilidades: gastar muito tempo com fala-tradução-fala-tradução (tem coisa mais chata que ouvir uma palestra inteira aos pedacinhos?) ou gastar muito dinheiro com equipamento de tradução simultânea (e um tradutor profissional capaz de traduzir o Pietro Costa sem perder o fio da meada. Oh, homem pra falar rápido!!).

Entendo, portanto, as dificuldades de traduzir esse evento, mas não deixo de me sentir desprivilegiada por estar presente em um evento com graaaandes nomes da historiografia jurídica mundial e não entender metade do que eles estão falando. E pior, ver a expressão de encantamento de quem está entendendo. Ainda quero saber o que eu perdi...

Ah, só mais uma consideração. Partindo da ideia de que o evento é no Brasil, ministrado para brasileiros, era de se esperar certa consideração dos convidados estrangeiros, para propiciar uma comunicação mais eficiente. Afinal, quem ministra uma palestra não deve se ver como aquele que deve ser entendido por todos, mas sim como quem deve se fazer entender. Comunicação, é isso aí ;)

Estilo Florentino

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

É incrível como os melhores estágios caem no meu colo sem que eu sequer tenha pensado neles. Porque estágio  se mede pelo aprendizado, não pela quantia de horas ou pelo valor da bolsa. Meu primeiro estágio foi uma oportunidade incrível para quem tinha acabado de terminar o primeiro ano. Até hoje não vi outro que aceitasse uma estagiária tão nova para um trabalho tão sério. Geralmente o pessoal do primeiro ano trabalha com a parte mais 'mecânica' do negócio, usa mais braços e pernas do que cabeça. Eu fazia todo o trabalho que um advogado faz, e olhe só, entrei sem concorrência nenhuma porque pagava pouco!

Quem me acompanha sabe como eu tenho procurado por estágios desde... março. Definitivamente esse período foi mais longo do que eu pensava, mas hoje eu sei que seria muito mais difícil chegar até aqui se eu tivesse conseguido uma daquelas vagas. E eu não teria conseguido essa. Incrível. Maravilhosa. Inimaginável. Até meu namorado ficou com inveja¹.

Me candidatei a outra vaga, que já estava ocupada, e essa caiu no meu colo. Um trabalho totalmente acadêmico: fazer, digitar e organizar fichamentos, traduções, pesquisas da bibliografia de um bi-doutorando. Ele faz dois doutorados ao mesmo tempo. Existe gente mais doida que eu. Que fique claro que primeiro ele lê, e depois me passa, ta? Recebo os livros todos grifados e anotados a lápis.

Dedicação de quinze horas por semana, perfeito pra quem estuda em dois períodos. Eu tenho o que eu gosto e o que eu preciso: uma biblioteca incrível e atualizada e direcionamento para as minhas leituras. (Eu não consigo me prender a um tema. Gosto de tudo. É difícil escolher!) Além do mais, o meu chefe patrão ainda não sei como chamá-lo tem a maior atenção do mundo pra responder às minhas perguntas. Ele ganha tempo, eu aprendo a lot. Bom demais.

¹ Um dos doutorados é em Economia. Ele (meu namorado) é doido com Economia. Estou com um monte de livros dos sonhos dele na minha estante ;)

Estágio Novo

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Em As Cidades Invisíveis (1972), Italo Calvino extrapola os fatos possíveis e imagina um diálogo fantástico entre "o maior viajante de todos os tempos" e o famoso imperador dos tártaros. Melancólico por não poder ver com os próprios olhos toda a extensão dos seus domínios, Kublai Khan faz de Marco Polo o seu telescópio, o instrumento que irá franquear-lhe as maravilhas de seu império.
Em nenhuma outra obra Italo Calvino levou tão longe os valores que considerava fundamentais à sobrevivência da "espécie literária": leveza, rapidez, exatidão, visibilidade, multiplicidade e consistência. O leitor verá que é impossível não se perder nessas cidades, como é impossível não se enredar nessas teias de palavras. 
(Sinopse retirada da Biblioteca Folha - Imagem do Google Imagens)

Aí está um livro que eu provavelmente não teria lido se não fosse para a prova que tenho na próxima semana. Que bom que li! Esses livros que nos forçam a ler para provas, seminários e fichamentos têm a inconveniente mania de ser terríveis de chatos e por isso que só se lê por obrigação.

As Cidades Invisíveis me surpreendeu logo por ser uma narração em mini-contos (pois é, nem fui procurar saber sobre o livro, só sabia que tinha que ler), e sempre que eu penso em mini-contos, penso em blogs ♥

Além do mais, envolve personagens históricos - Kublai Khan (neto do Khan mais famoso) e Marco Polo - e metáforas. Milhões de milhares de metáforas. Amo metáforas (ou melhor, amo metáforas inteligentes). Eu já tenho mania de fazer uma aplicação filosófica/sociológica/jurídica... de quase tudo, me senti encontrando um amigo que tem as mesmas manias que eu. Quem não tem um amigo assim?

As cidades, todas com nome de mulher, espelham algum aspecto da vida, do ser humano, da sociedade. Algumas trazem reflexões escondidas em metáforas sobre a morte, os desejos, o trabalho, a religiosidade, os símbolos, as crenças... mas as minhas preferidas são as que falam do tempo - o passado, o futuro, o presente, a memória, aquilo que talvez nunca aconteça...

O viajante reconhece o pouco que é seu descobrindo o muito que não teve e o que não terá

Eu não poderia continuar sem transcrever os tantos trechos do livro de que gostei. É daquelas pra ler com um caderninho, pra anotar todas as excelentes frases (ou ficar enchendo a timeline alheia). Na verdade, acho que cada uma das cinquenta e cinco cidades pede um post pra falar só dela - todas muito egoístas. Mas eu não sou boa com séries. Difícil terminar as séries que começo. Então, se quiser, você lê e depois a gente conversa sobre elas, ta bom?

As Cidades Invisíveis - Italo Calvino