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segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Churrasco Coisa que eu gosto demais é abrir a casa pros amigos. E casa cheia aqui no sul significa churrasco. A melhor parte é que eu passo menos tempo na cozinha e mais tempo no violão. Dá pra ficar melhor?

Primavera Pra quem gosta de viver coloridamente, a primavera é o melhor período do ano. Quente, mas não tanto. Chuva, mas não muita. Flores, flores, flores. Cores, cores, cores. Céu azul, azul, azul. Não dá pra ficar triste na primavera. (Exceto se você tiver alergia ao pólen, meus pêsames)

Aniversários Setembro é o mês em que a maioria das pessoas que eu conheço na vida fazem aniversário. Não, pera... É o mês com a maior concentração de aniversários de pessoas que eu conheço, incluindo uma mãe e dois irmãos <3

Curitiba Curitiba será minha por uma semana inteira. Ou eu serei dela. Tanto faz, eu nem me importo. Só sei que estarei lá, com o coração batendo forte de alegria.

Computador Da última vez que visitei meus pais, no penúltimo dia meu computador de repente não quis mais ligar. Deixei na UTI aos cuidados do meu técnico/pai, e o bonitinho já está em plena forma, melhor do que sempre, só esperando a mamãe buscar.

Fall season De um ano pra cá eu virei uma dessas pessoas viciadas em séries. Nesse mês estreiam as novas temporadas de várias que eu acompanho: Grey's Anatomy, The Big Bang Theory, The Good Wife, Once Upon a Time, Modern Family, Scandal, Resurrection, Castle... (sim, eu vejo muitas séries)

Feira do livro A 10ª Feira Internacional do Livro acontece sempre em Foz do Iguaçu e sempre em setembro. Nesse ano homenageia Ariano Suassuna, com 12 horas diárias de programação, além de livros em oferta e o marido abrindo a carteira com gosto #oremos

Bodas de papel Sim! Já faz UM ANO que a gente casou no civil, e não contou pra ninguém, pra não confundir as pessoas e evitar perguntas do tipo "ué, mas vcs não vão casar em janeiro? como assim casar agora? por quê? blablabla". Como comemoramos os aniversários? Em todas as datas, é claro!

Independência Já raiou a liberdade, já raiou a liberdade no horizonte do Brasil... Para a maioria das criança, 7 de setembro significa desfile. Para a maioria dos adultos, significa um feriado. Para mim, será um dia dedicado à reflexão sobre a liberdade. E pra você?

Livros novos Aproveitamos que a Amazon passou a vender livros físicos e... não compramos nada, porque a loja só aceita cartão de crédito como forma de pagamento :/ Mas a vontade era tanta de quebrar o jejum de OITO MESES SEM COMPRAR LIVROS (e a listinha só crescendo...), que fizemos o mesmo pedido em outra livraria. Devem estar chegando :)

Política Em plena campanha eleitoral, não dá pra escapar do assunto esse mês. Presidenciáveis, horário eleitoral gratuito, candidatos com nomes esdrúxulos, debates... a gente vê por aí (plim!). Mas você se lembra em quem votou nas últimas eleições? (Eu tenho uma coleção de decepções: Marina, Beto Richa, Ratinho...)

Em setembro tem...

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Não sei se é segredo pra alguém, mas eu estou em eterna conferência via email com alguns amigos mais chegados, conversando sobre todo tipo de coisa útil ou inútil e um dos temas polêmicos do grupo é o feminismo.

Falar sobre o tema é muito complicado, porque não existe um significado uníssono pra esse termo. De um lado, tem o feminismo" formado por putas feitas que não se depilam, odeiam os homens e querem dominar o mundo". De outro lado, tem o feminismo das mulheres oprimidas pelo machismo e pelo patriarcado e que exigem liberdade, mesmo que custe a liberdade alheia, afinal, todos os homens são estupradores em potencial. Enquanto isso, o famoso "feminismo é a luta pela igualdade" vai se tornando um mito...

Por trás da ideia de igualdade e de direito de escolha, existe sempre alguma dominação.


Pra começar, a ideia de igualdade é uma ideia falsa e opressora, porque as pessoas não são iguais. A única coisa que nos faz iguais é o fato de sermos todos humanos, e isso corresponde a um núcleo mínimo de direitos que todas as pessoas devem desfrutar, do qual ninguém pode abrir mão, independente de gênero, idade, cultura, religião ou o que for. Mas fora desse núcleo irredutível que corresponde à dignidade das pessoas, ninguém é igual. E essa é a graça. É por isso que convivemos em sociedade, que precisamos dos outros. Cada ser humano é único!

E é aí que vem uma coisa linda. Como cada ser humano é único, não existe "coisa de homem", "coisa de mulher", "coisa de asiático", "coisa de brasileiro". É claro que muitas dessas "coisas" serão encontradas mais facilmente em um grupo identificado de pessoas, mas por nenhum outro motivo senão o modo que foram criadas e como se relacionam na sociedade. Isso significa que cada um pode fazer o que quiser, mas também significa que os critérios para julgar devem ser iguais.

Eu vejo que muitas "bandeiras feministas" não têm o objetivo de tornar as coisas legais pra todo mundo, mas dar à mulher a liberdade de fazer aquilo de mais escroto , nojento e repugnante que os homens fazem por causa do machismo. A luta não é para que as atitudes machistas sejam eliminadas, mas que elas sejam liberadas pra todo mundo. Acontece que o que é feio pra um, é feio pro outro também. O que é degradante e fere a dignidade do homem (muito embora ele possa pensar que está abafando), também é degradante para s mulheres. O negócio é não nivelar por baixo.

Eu li recentemente um livro muito interessante chamado "O Machismo Invisível" (Marina Castañeda), que fala especialmente como o machismo afeta a vida dos homens. Claro, o machismo faz mal pra todo mundo. Oprime todas as pessoas. Faz com que os homens tenham que adotar uma atitude determinada para que sejam considerados "homens" pelos demais.

O que me deixou triste é que, quando a autora apresentava soluções para os problemas apontados, ela nunca considerou que as pessoas devem dialogar e combinar a forma como funciona melhor pra elas. Se o marido tem direito a ter sua conta particular e gastar como quiser, comprando um carro, por exemplo, sem falar com a esposa, então a esposa também deve ter sua conta particular e gastar como quiser, comprando um carro, por exemplo, sem falar com o marido. A ideia de que o esposo e a esposa devem conversar um com o outro sempre que quiserem usar o dinheiro da família pra comprar um carro, por exemplo.

É triste porque aquelas características consideradas "femininas", de consideração com o outro, de compaixão, de sensibilidade, são vistas como fraqueza, enquanto o egoísmo e a independência são supervalorizados. Isso nos enfraquece como sociedade.

Será que ninguém ainda pensou que certas coisas simplesmente não deveriam acontecer de forma alguma? Que se é nojento que um homem use as mulheres como objetos sexuais descartáveis, que seja violento, que não permita que elas expressem sua opinião, a recíproca também é verdadeira? Que anos de oprimido não justificam o desejo de opressão? Por que o modelo de mulher ideal é uma Lara Croft toda-poderosa que não precisa de ninguém e se vira sozinha? Por que, em vez de querer formar mulheres super-independentes, não autorizamos os homens a serem sensíveis, compassivos e dependentes?

Aqui entra a questão do direito de escolha. Porque se o modelo desejado é o da mulher que se despiu da fraqueza (aquelas características que a sociedade considera femininas) e se revestiu de super-poderes (aquelas características que a sociedade considera masculinas), as escolhas da mulher serão livres apenas se ela escolher se despir de sua fraqueza e se revestir de super-poderes. A mulher que escolhe ser mãe em tempo integral é oprimida. A mulher que é dona de casa é coitada. A mulher que dá de quatro está se sujeitando a um modelo de submissão.

As mulheres de hoje (e eu falo principalmente por mim) carregam nas costas o peso da obrigação de ser bem-sucedida. Aquela obrigação de esfregar na cara dos homens que podemos ser qualquer coisa, fazer qualquer coisa, ou mesmo que somos melhores que eles. O corpo é seu, a vida é sua, você é livre pra ser puta, mas não pra casar, pra deixar o mercado de trabalho, ou pra nunca entrar nele. Você não é livre pra amar e paparicar o seu marido (mesmo que em reciprocidade).

É por isso que eu não me identifico com o feminismo. Porque é muito arriscado se identificar com uma luta que não tem mais identidade. E não acredito no ideal de igualdade de gênero. Porque o que eu acredito é nesse núcleo irredutível de direitos para todos os humanos. E que para que todos desfrutem desse núcleo mínimo, precisamos nos despir do nosso egoísmo, da nossa independência, da nossa necessidade de fazer sucesso, e sermos todos mais servos, mais humildes, mais compassivos, mais "femininos".

Eu não me identifico com o feminismo

sexta-feira, 29 de março de 2013

(Ó eles aqui traveis...)

Bem-vindo ao mundo da internet, onde só é permitido amar ou odiar. Não dá pra simplesmente gostar ou não gostar. Ou estar nem aí pra isso. Cada manifestação é um discurso inflamado que contém muito mais ódio que amor. Até quando se ama alguma coisa, odeia-se os que não amam. Qualquer assunto - um livro, uma marca, um sabor de macarrão instantâneo - vira motivo de discurso.

O problema é quando o alvo do discurso são as pessoas. "Brasileiro deveria canalizar seus ódios contra a corrupção". Mas é claro. E contra a fome, a miséria, a injustiça... Odiar uma atitude, uma situação ou uma consequência é muito diferente de odiar quem a provocou. Muito mais difícil, é claro, porque se eu odeio uma pessoa posso responsabilizá-la por um monte de coisas, até pelo que não disse ou fez. A internet aceita tudo e os haters always gonna hate. Enquanto tem plateia tá tudo certo.

Você é a guerra que você luta. Se sua guerra que não vale a pena...

Age don't matter like race don't matter like place don't matter like what's inside.

Música da Semana: The War Inside (Switchfoot)

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Spoilers. O grande problema de quem lê ou indica ou fala sobre Grande Sertão: Veredas são os spoilers. Minto. É o spoiler. Não é um spoiler difícil de descobrir. Talvez, na época em que foi escrito, tenha sido algo super original, mas eu consigo me lembrar de algumas histórias com o mesmo mistério. É até provável que algumas delas tenham se inspirado na história de Guimarães Rosa. 


Se você é daqueles que não gostam de spoilers,
então não procure chifres em cabeça de cavalo.
Agora, se você está louco pra saber que spoiler é esse,
com imaginação e curiosidade os unicórnios aparecem!
Depois não digam que não avisei.


Eu não ligo para spoiler. Nem por isso vou entregar spoiler algum, fiquem tranquilos. Acho mesmo que o que importa mais é como a história é contada do que o que acontece nessa história. Porque até uma ida ao supermercado pode ficar super interessante se for contada por aquele tio super engraçado, enquanto uma super aventura pode se tornar um tédio na boca do metido do namorado da sua irmã. (Não estou falando de nenhum dos dois, é só um exemplo u.u).

Meu primeiro contato com o grande sertão foi em uma leitura realizada como preparação para um evento da faculdade que tinha como texto-base o trecho do julgamento de Zé Bebelo. Naquele pré-evento, um rapaz muito empolgado lia trechos que ele julgava importantes para a nossa compreensão da história, explicando as passagens para então chegar no julgamento. Não sei se foi o brilho nos olhos daquele moço apaixonado por este livro, se foi o encanto da leitura em voz alta, a linguagem do Rosa... só sei que saí daquela sala direto para a biblioteca.

A escrita é linda. Não por poesia rebuscada, por lirismos enfeitados, mas justamente pela falta de enfeites. É natural. E é linda. O livro todo é uma narração de uma conversa entre Riobaldo e um interlocutor que, por um acaso, durante alguns (vários) dias, fui eu. Conversa é modo de dizer. Ele falou, eu escutei, assenti, sorri e chorei. Marquei suas palavras para reproduzi-las mais tarde. Mas não disse nada. Não cabia.

Mas não tem só Riobaldo nessa história, é claro. É a história da vida dele, sim, mas ele é um excelente contador de histórias. Por mais que vá e volte no tempo em suas narrativas, ele sabe como prender a atenção de alguém. Não só Riobaldo, mas Diadorim, Zé Bebelo, Hermógenes, Joca Ramiro e até alguns personagens que poderiam passar despercebidos por olhos menos atentos ou menos curiosos como Nhorinhá, Compadre Quelemem, Fafafa... A obra é cheia de personagens porque retrata a vida e é cheia de vida. E a vida é assim, cheia de gente.

O cenário disso tudo é o sertão de Minas Gerais e Bahia, mas é, principalmente, dentro de Riobaldo. Não que seja daqueles romances em que a personagem principal passa o tempo todo em reflexões interiores. Não. Riobaldo pensa na vida enquanto vive, e conta a vida para vivê-la. E por ser a vida, o sertão pode estar dentro de qualquer um, seja você homem ou mulher, alto ou baixo, gordo ou magro. As dúvidas e as certezas, as virtudes e as fraquezas que pertencem a todos estão fincadas nessas linhas, muitas linhas, que formam veredas no sertão. O sertão está em toda parte. Talvez por isso é que viver é muito perigoso.

Extras

A edição que eu li veio da Biblioteca de Ciências Humanas e Educação da UFPR. É a 10ª edição da Editora José Olympio, que hoje faz parte do Grupo Editorial Record. A edição bem antiga aparentemente preserva as características da edição original. Conta, inclusive, com o recado do autor na última página.

Como já foi muito manuseado, assim como os outros exemplares da biblioteca (tem vários!), o livro já passou por uma reforma e, por isso, não possui a capa original, com desenhos do artista paranaense Poty Lazarotto. (De férias em Curitiba? Tem uma exposição sobre ele no Museu Oscar Niemeyer).

Por ser uma edição bem antiga, não dá pra contar com muito conforto além das páginas levemente amareladas. O papel tem boa gramatura, não fica grudando um no outro, nem aparecendo a tinta do outro lado, mas as margens das páginas são exploradas ao máximo, assim como o espaçamento entre as linhas.

Grande Sertão: Veredas foi traduzido em vários idiomas e se transformou em The Devil to Pay in the Backlands, Le Diable Dans la Rue, au Milieu du Tourbillon, Wilkie Pustkowie, Gran Sertón: Veredas, Diepe Wildernis: de wegen, além da tradução italiana que manteve o título brasileiro (há um fac-símile da página inicial da tradução italiana na edição que eu encontrei na biblioteca).

No Brasil, a obra recebeu adaptações em filme (1965), em minissérie para a Rede Globo (1985) e em ópera no espetáculo Sertão Sertões, uma Cantata Cênica (2001). Os livros escritos sobre este livro são tantos que eu nem me arrisco a listar. O livro é o único brasileiro a constar da lista dos 100 melhores livros de todos os tempos do The Guardian.


Hoje a obra faz parte do catálogo da Nova Fronteira, que tem também uma edição de bolso, praticamente a metade do preço, naquela coleção Biblioteca do Estudante, que lança títulos que costumam fazer parte do conteúdo dos vestibulares das principais universidades do país. Apaixonante mesmo foi a edição limitada lançada pela mesma editora em comemoração aos 50 anos da obra, que hoje é vendida por meio milhar de dilmas no Estante Virtual...

Grande Sertão: Veredas (João Guimarães Rosa)

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Essa noite sonhei com uma utopia. O mundo que eu sonhei era realmente utópico, eu chamaria de o "mundo das soluções fáceis". Nesse mundo não havia crimes porque existiam muitos policiais nas ruas. A polícia era desmilitarizada e respeitada pela população. Ah, e respeitava a população com a consciência de que existiam para cuidar daquelas pessoas, não pra outra coisa. As pessoas podiam andar pelas ruas escuras sem medo porque só pela ciência de que existiam muitos policiais cuidando da população, a criminalidade já se acuava.

A solução que eles encontraram foi bem simples. Prisões, muitas prisões. Sistema de repressão total. Jogou papel de bala no chão, 'teje' preso por crime ambiental. E assim a galera foi aprendendo a agir de forma legal e responsável, a não causar danos aos outros. Não havia necessidade de escolas porque as pessoas aprendiam na televisão tudo o que elas precisavam. E se não aprendessem, eram presas e aprendiam essas coisas na prisão. Quem saía dos presídios recebia uma carteira de habilitação para convivência em sociedade, obtida por quem fosse aprovado por uma equipe científica respeitada no mundo todo. (Não preciso dizer que ninguém saía antes de conseguir a habilitação, né?)

Ao sair das penitenciárias, as pessoas eram recebidas de braços abertos pela sociedade, afinal, os regressos voltavam a fazer parte da sociedade civil, aquelas pessoas que têm direitos e tudo mais. Essas pessoas contavam como era a vida nas prisões e as histórias se espalhavam por toda a população, em forma de fábulas para aterrorizar as crianças, evitando que essas desobedecessem a lei. Nesse mundo, o Ministério Público, por ser o acusador dos processos criminais, era sempre pro societate, e os criminosos, a partir das investigações, já não faziam parte da sociedade, afinal, não eram sociáveis.

Descobriram, no mundo das soluções fáceis, que a criminalidade é resultado de uma doença psiquiátrica (ou de um demônio, pra quem tem religião), que só se cura através da tortura. Daí a faca na caveira, sabe. Pelo bem dessas pessoas e da sociedade da qual elas, enquanto doentes, não fazem parte, elas são submetidas a sessões diárias de espancamento, até que retornem à consicência social (ou que o demônio saia daquele corpo que não lhe pertence).

Esse é o "mundo das soluções fáceis", porque todas elas já existem. Mas não solucionam ***** nenhuma. É utopia acreditar que internar o menor que foi surpreendido com arma de uso restrito vai resolver alguma coisa quando três anos depois ele sair do CENSE. Ou que pelo menos nesses três anos a retirada de circulação do adolescente é uma quase-solução. Matem-no! E depois encham a boca para falar dos direitos fundamentais da Constituição blablabla. Muita retórica pra quem ainda acredita no Direito Penal do Inimigo. Essas pessoas me fazem acreditar que os Jogos Vorazes se aproximam.

Eu busco algo melhor do que o Direito Penal. E eu acredito que o ECA é algo melhor que o Código Penal porque nele existem medidas mais coerentes pra quem se diz contra a pena de morte. Porque eu não acredito que alguém esteja perdido. Ainda mais alguém que não viveu nem duas décadas. Perdidos são aqueles que não têm esperança. Não acreditar é o primeiro passo para não fazer nada. E eu não vou me juntar aos que não fazem. Eu não me conformo e não vou me conformar nunca com essa "solução" ridícula que temos para a insegurança pública. Eu busco algo melhor e vou buscar enquanto esse algo melhor não acontecer. Eu vou mudar a história com quem quiser se juntar a mim. Sigam-me os bons.

Mas mesmo assim uma coisa ainda não foi falada. vamos supor que nós sonhamos, ou inventamos, aquilo tudo - árvores, relva, sol, lua, estrelas e até Aslam. Vamos supor que sonhamos: ora, nesse caso, as coisas inventadas parecem um bocado mais importantes do que as coisas reais. Vamos supor então que esta fossa, este seu reino, seja o único mundo existente. Pois, para mim, o seu mundo não basta. E vale muito pouco. E o que estou dizendo é engraçado, se a gente pensar bem. Somos apenas uns bebezinhos brincando, se é que a senhora tem razão, dona. Mas quatro crianças brincando podem construir um mundo de brinquedo que dá de dez a zero no seu mundo real. Por isso é que prefiro o mundo de brinquedo. Estou do lado de Aslam, mesmo que não haja Aslam. Quero viver como um narniano, mesmo que Nárnia não exista. Assim, agradecendo sensibilizado a sua ceia, se estes dois cavalheiros e a jovem dama estão prontos, estamos de saída para os caminhos da escuridão, onde passaremos nossas vidas procurando o Mundo de Cima. Não que as nossas vidas devam ser muito longas, certo; mas o prejuízo é pequeno se o mundo existente é um lugar tão chato como a senhora diz. (C. S. Lewis, As Crônicas de Nárnia: A Cadeira de Prata)

Utopia

segunda-feira, 5 de março de 2012

Não, não é um post sobre a Iogurteira Top Therm, mas poderia ser. É um post sobre aquele assunto que pode ser o melhor do mundo, mas que as pessoas continuam fugindo. Ei, não pare de ler. Vamos conversar sobre política. Afinal, por que as pessoas normais querem mudar de assunto nessa hora como quem muda de canal quando começam a falar da incrível filmadora mais vendida do Brasil? Diferente dos incríveis cogumelos do sol - apesar de haver quem jure que funciona - a política vai mudar a sua vida. Eu sei disso porque ela já mudou e continua mudando a sua vida. Não adianta fugir do assunto. Não falar de política não muda o fato de que a sua vida depende disso, só o torna uma pessoa inconsciente sobre o que acontece ao seu redor.

Em algum momento da história a política, que era assunto que que interessava a quem era interessante, deixou de ser interesse da população. (Aliás, a expressão interesse político hoje tem caráter pejorativo, referindo-se à má vontade dos políticos para beneficiar a população). Todos aqueles direitos conquistados pelas mulheres, negros, estudantes e outras minorias pareciam nada pra uma geração anestesiada, incapaz de sentir os choques elétricos da vida implorando para que se levantassem. Estava muito bom assim. Cômodo. Tranquilo. Não havia mais nada a fazer. O mundo é ruim porque as pessoas são ruins. Lutar contra uma coisa ruim só vai servir pra deixar lugar para outra coisa ruim aparecer. É isso mesmo, produção? Vamos nos conformar? Vamos ficar calados? Vamos ficar cegos sem sequer querer saber o que está acontecendo?

Por isso que eu digo que eu não me conformo. Nunca. Não dá pra sentar e estudar e trabalhar e sair e voltar e assistir televisão e ler um livro sem poder pensar sobre o que tem acontecido. Sobre o que sempre acontece. Não dá pra não saber como o mundo funciona. Por isso às vezes eu me pergunto como é que vivem as pessoas que não são de Humanas e não entendem bulhufas da Constituição, da ciência política, da filosofia, da sociologia... (mas é claro que eu não estou dizendo que só entende disso quem é de Humanas, né, gente?) como vivem? Sério, como vocês vivem sem saber quantos impostos vocês pagam? Ou como funciona o orçamento público? Ou sem saber que a nosso sistema bicameralista é inadequado?

Vamos falar de coisa boa? Afinal, a política não vai deixar de ser uma nódoa na nossa roupa novinha em folha enquanto não começarmos a falar sobre isso. Você, que vive nesse planeta, tem que saber o que é esse negócio que a Dilma - que, por sinal, é a presidente dessa república, sabiam? - chamou de 'tsunami monetário' e o que o dólar, a crise na Europa e o Brasil têm em comum. Você, que vive nesse país, pelo amor de Deus, que esse ano temos eleições municipais! Você, por favor, tem que saber em quem você votou, tem que acompanhar quem está decidindo por você. Tem que saber sobre as reivindicações dos ciclistas nas grandes cidades do país - principalmente se você mora em uma metrópole. Você precisa ter uma opinião. Pra ter voz. Pra ser um cidadão, e não um idiota.

Vamos falar de coisa boa?

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Aos quareeeenta e sete do segundo tempo, sai o segundo gol a segunda resenha que garaaaaaante a vitória na segunda fase do Desafio. Haaaaaaaaja coração!

Não me perguntem porque eu escolhi essa biografia. Foi meio, sem lá, intuição. Sempre conheci o cangaceiro como a lenda, ouvindo todo o pessoal da família de meu pai se referindo a ele como compadre. (E não é que tem um tal de Jovi mencionado na biografia? Se era meu avô? Sei lá...) 

Achei toda a história bastante interessante. A biografia é uma pesquisa, com fundo acadêmico, baseada na tradição oral. Isso significa que em vez de ficarem confiando exclusivamente nos documentos, resolveram buscar os depoimentos de pessoas que presenciaram os fatos, ou que estiveram com pessoas que participaram e que contaram suas histórias. Ah, e a organizadora é a neta dele. (Não sabia que cangaceiros tinham filhos? Nem eu. E antes que você imagine como, eles eram criados por padres, fazendeiros, coiteiros - pessoas que davam abrigo para os cangaceiros...)

O livro conta diversas histórias das 'aventuras' do chamado Rei do Cangaço em ordem cronológica. A personagem, que, apesar de real, é também um mito, é bastante confusa, controversa. Capaz de agir com misericórdia ou crueldade, totalmente imprevisível. Ah, vale mencionar também que era um grande estrategista, sempre duas jogadas à frente das volantes - nome das tropas militares que perseguiam os cangaceiros.

Virgulino resolveu ir para o cangaço porque perdeu a paciência. O sítio de sua família, gente pobre, foi roubado por um dos empregados de um grande coronel, desses coronéis que nunca foram militares, sabe?, que era seu vizinho. Além de nunca conseguir a justiça, ainda recebia provocações do filho do coronel, que herdou tudo do pai após sua morte. Com dinheiro e influência a coisa ficou cada vez mais séria. Foram perseguidos mesmo quando tentaram esquecer a encrenca. Foi quando perdeu a paciência e resolveu que ia matar até morrer. Consegue imaginar quanto ódio deve ter para que alguém chegue a tal conclusão?

Apesar de serem os bandidos da história, muitas vezes os cangaceiros se mostraram mais corretos que as volantes. Lampião tinha muito empenho em manter o respeito às famílias, principalmente depois que passaram a levar mulheres em seu grupo, coisa que as volantes não tinham. As coitadas das famílias eram saqueadas pelos cangaceiros, às vezes nem isso, e depois violentadas pelas volantes. Já ouviu aquela história de soldados que invadem a cidade em estado de guerra e começam a abusar das mulheres no local? Pois é. Além disso tinha a tal da crueldade. Se queriam lutar contra os bandidos, não deveriam se igualar a eles, né?

A última história que eu achei interessante foi de como Maria Bonita juntou-se ao grupo. Ela estava na casa de seu pai quando conheceu Lampião. Eles conversaram e ficaram meio amigos. Ele deu uns lenços para ela bordar, pagando, é lógico. Os cangaceiros pagavam tudo o que consumiam. Mas o dinheiro vinha de saques e despojos das batalhas... Ele passou a aparecer lá muitas vezes e a família do pai dela estava sofrendo as consequências disso. Não querendo ver ninguém sofrer, ela tomou a decisão. Da próxima vez em que ele aparecesse, ela o seguiria.

A história toda parece um filme de faroeste versão Herbert Richards. Como assim você não gosta de filme de faroeste? Tem coisa mais engraçada que ver aqueles grandessíssimos filhos de umas mundanas dando tiros pra todo lado? Sério, gente, é engraçado. Assistam qualquer dia desses... Bom, além de engraçado, porque sempre acontecem umas trapalhadas, SEMPRE, também tem toda aquela coisa apreensiva de 'Será que o nosso herói via se safar dessa?' E sim, eu agora estou falando do livro, embora isso também se aplique ao bang-bang.

Fiquei feliz por conhecer um pouco mais da história de um brasileiro. Engraçado é que Lampião foi contemporâneo de Monteiro Lobato, mas parecia que eles viviam em países e épocas completamente diferentes... Ê, Brasil, né?

Desafio Literário: Compadre Virgulino Lampião

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Antes das eleições recebi um email incentivando o voto nulo com informações falsas sobre o código eleitoral. Minha consciência não me deixou simplesmente enviar o email mentiroso para a caixa de spam. Respondi por acreditar que quem me enviou também estava sendo enganado. 

Hoje recebi mais um email falso falando sobre o auxílio reclusão. Com letras enormes e coloridas, queriam me convencer de que o auxílio-reclusão dá a todo presidiário um 'salário' de 810 reais por filho. O ANALFABETO FUNCIONAL que originou esse email ainda dá o site da Previdência Social como referência. Acessando o link do email podemos ter acesso a todas as informações que contradizem àquilo que disse essa... Melhor não dar nomes bonitos às pessoas, né? 

Bom, aí vai a minha resposta ao email, que eu sugeri a quem me enviou que repassasse a todos que poderiam se indignar com o conteúdo falso do email anterior, e ele conscientemente assim o fez: 

O auxílio-reclusão é um benefício que só recebem os dependentes do presidiário que é contribuinte do INSS e que trabalha (com carteira assinada ou como autônomo, como qualquer contribuinte do INSS). O valor do benefício corresponde a 80% da média dos maiores salários de contribuição. O número de filhos não faz diferença. O valor de R$ 810,00 é o limite máximo do último salário-contribuição para o recebimento do benefício e, portanto, o valor máximo de auxílio reclusão. O valor médio de recebimento por família nesse ano foi de R$ 588,43. 

O direito de auxílio-reclusão não é simplesmente um direito do preso, mas um direito do contribuinte e beneficia não o preso, mas a sua família, da mesma forma que beneficia aqueles que recebem pensão por morte. A notícia divulgada nesse email é realmente indignante, mas o seu conteúdo é falso

Não podem pagar por um crime aqueles que não cometeram - cônjuge, filhos, pais. O mesmo direito dos dependentes do contribuinte preso, têm os dependentes do contribuinte morto. A base de cálculo da pensão por morte é a mesma: 80% da média dos maiores salários-contribuição. 

É bom lembrar que criminoso não é só quem mata e rouba. Igualmente é crime molhar a mão do guarda, publicar tweets de conteúdo racista e xenofóbico, fazer gato, assediar a estagiária, ligar o Luan Santana no último volume às três da manhã, fumar maconha, fazer ou pedir nota fiscal fria... 

Não existem níveis de honestidade.

Todas as informações desse email podem ser conferidas no site da Previdência Social (Aconselho que se leia o tópico Perguntas e Respostas em Auxílio Reclusão) e no Código Penal

Se você já encaminhou um email divulgando o "absurdo do auxílio reclusão" ou já ajudou a espalhar a notícia de algum modo, aconselho que divulgue esse post. A ignorância é a pior doença.

Auxílio reclusão - resposta a uma corrente de emails mentirosa

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

E aí que ontem eu já me preparava psicologicamente para o que eu achava que encontraria hoje. Ônibus, tubos e terminais de integração dez vezes mais cheios, com a torcida de que tivessem a consideração de colocar mais ônibus nas linhas mais movimentadas. Não sabe do que estou falando? Pois parece que não é só você. Hoje é o Dia Mundial Sem Carro, mas só pra quem não tem.

A infraestrutura de transportes públicos curitibanos contava com o mesmo movimento de sempre. As ruas com o mesmo fluxo de carros de sempre. Os estacionamentos no centro estão lotados como sempre. E eu ainda nem vi as bicicletas de que ouvi falar. Até pensei que fosse dar tudo errado, mas até o sol apareceu hoje em Curitiba. O trânsito é que é o de sempre. Uma pena!

Eu, que não vejo nenhum problema em andar de ônibus pra lá e pra cá - e acho condenável você sair de sua casa gastando sozinho o que poderia dividir com mais quatro pessoas. Não falo só do combustível, amigo. Seu carro ocupa um lugar a mais, é um poluidor a mais e não vai chegar mais rápido que o coletivo. É claro que um automóvel é útil! Para usar nos fins de semana, em emergências, para sair com crianças (criança em ônibus dá um trabalho!!)

Isso me faz pensar por que as pessoas saem de carro sozinhas quando poderiam muito bem usar outro meio de transporte? Eu amo pensar em porquês Por que acham uma pobreza andar de ônibus? Por que quando completaram dezoito anos foram logo tirar a CNH e ganharam um carro do papai? Por que tem preguiça de pensar? Por que são egoístas? Por que não gostam de cruzar com outras pessoas?

PS¹: Você acha que não consegue viver sem seu carro porque precisa sair o tempo todo? Inventaram um negócio chamado bicicleta que...
PS²: Alguém quer me dar uma bicicleta?
PS³: Três meses de Com tudo o que sou!! Viva!! Não parece que faz mais tempo? Acho que é por causa do Pirralha =P
PS4: Olha só o povo reclamando do trânsito! Vá de Galinha

Sem Carro

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Como brasileiro tem memória curta e eu continuo recebendo esses emails pedindo que eu vote nulo, vou continuar falando até pararem de mandar! e como eu vi em mais alguns lugares falando a mesma coisa, fica o recado:

Não vote nulo, bocó. Não adianta nada.

Para saber mais:
Post no Pirralha;
No Quatro Cantos que eu acabei de conhecer;
E até no Chongas. Sim, eu ambém leio esses blogs.

Eleições

domingo, 22 de agosto de 2010

Acho que todo mundo já viu o comercial sobre os oito jeitos de mudar o mundo, né? (Se não lembra, olha ele aqui) Esses 'oito jeitos' são os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, metas de desenvolvimento até 2015, uma campanha da Organização das Nações Unidas em conjunto com 191 países, incluindo o Brasil.

Eles tratam daquilo que é básico para a vida humana: alimentação, educação, saúde, respeito, cuidado com o meioambiente, desenvolvimento sustentável... Todos precisamos disso, então nada de ficar parado esperando acontecer!
Um grande projeto começa com a sua atitude. Vamos fazer do Brasil um país melhor? Parece difícil... A gente acaba pensando que nem todo mundo vai se comprometer, né? Mas quem não quer melhorar a própria vida? Quem não quer morar num lugar melhor? Quem se envolve, envolve os demais. Tome a iniciativa. É claro que nós podemos!

Links relacionados:
Movimento Nacional Nós Podemos
Pacto Global
Nós Podemos Paraná
Organização das Nações Unidas
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento

Nós Podemos!

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Parece que, apesar de aprovada, a Lei da Ficha Limpa - de iniciativa popular - acabou não sendo grande coisa. Os candidatos estão conseguindo todo tipo de liminares para livrar a própria cara. Há, inclusive, uma no Maranhão pergunte-se você por causa de quem, onde o TRE entendeu que a lei não vale para condenações anteriores à sua aprovação. Assim é fácil, né?

Por isso que precisamos ficar de olho mais do que nunca ô loco, meu! nesses candidatos principalmente nos hipócritas que se rasgaram em elogios à lei, mas depois de aprovada correram para se proteger dela ;)
Cada vez temos mais ferramentas na internet para nos ajudar a exercer esse controle. Só assim essa democracia fica mais democrática. Então o que está esperando?

O Projeto Transparência Brasil objetiva combater a corrupção através da informação. Dentro do projeto há vários sites que servem como ferramenta para que nós, eleitores, estejamos de olho em quem colocamos lá em cima, entre eles o Excelências que traz informações sobre os senadores e deputados federais e estaduais, além dos vereadores das capitais.

Outro projeto interessante é o Vote na Web, que abriga todos os projetos de lei do Congresso Nacional. Além de poder acompanhar os votos dos deputados e senadores, você também pode votar simbolicamente e discutir os projetos. Interessante é ficar comparando os votos dos políticos e dos internautas nos projetos que já tramitaram.

Mas esses são instrumentos para aqueles que já estão lá. Antes de votar em alguém é importante que você faça alguma investigação sobre essa pessoa. Ah, e que você, preferencialmente, vote em quem você pode cobrar depois. Não em quem vai te dar ou te deu isso ou aquilo, ou que vai defender os seus interesses e da sua turma... Os políticos devem governar para o país/estado inteiro, não para uma porcentagem da população que constitui seu curral eleitoral ;)

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