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domingo, 7 de abril de 2013

Eu tenho grandes defeitos. Todo mundo tem e sabe disso. Difícil mesmo é assumir pra todo mundo. Ou pior, ter essas características indesejadas esfregadas na sua cara. Tem como ficar pior que isso? Mas é claro, como aprendemos com o Tio Murphy. Nada, nada mesmo é pior do que assistir alguém com os seus defeitos sofrendo com as consequências deles. Existem personagens que a gente ama e que, no fundo, são insuportáveis, assim como nós. Mas nós os amamos porque nos identificamos com eles.

Eu sou a Katniss. Grossa, orgulhosa, estúpida e tapada. Muita gente aplaude essa capacidade de dizer as coisas na lata, mas na maioria das vezes dizer o que pensa é um defeito. Que lê as pessoas de maneira errada e se fecha para conhecer. Desconfiada e marcada, etiquetando as pessoas desconhecidas e afastando-as deliberadamente. Impulsiva, que muitas vezes se sacrifica, muitas vezes em vão. Que luta a guerra dos outros sem saber, perseguindo um objetivo que sabe que é impossível.

Eu sou a Monica. Louca, obsessiva, competitiva e manipuladora. Meus amigos adoram o fato de eu ter tantas respostas na ponta da língua, mas precisar saber tudo o tempo todo é um fardo. Eu gosto de culpar meus pais nesse ponto, mas pessoalmente também gosto da sensação de saber tudo. É claro que isso me torna uma chata de galochas. Uma maluca que precisa que todas as coisas estejam do seu jeito. Que não admite que misturem a segunda e a terceira pessoa na mesma frase. Ou parágrafo. Que faz questão que todos em redor concordem consigo. Que fica sempre procurando provar alguma coisa para alguém - qualquer um - que não está nem aí.

Eu sou a Kate. Briguenta, intrometida, exagerada e nervosa. Eu quero ajudar as pessoas vivendo por elas, me metendo em assuntos que não são meus. Tenho essa necessidade de saber sempre o que está acontecendo com todo mundo, e de querer colocar a vida dos outros nos eixos - nos meus eixos. Eu tenho reações exageradas às menores bobagens. Eu brigo pelas coisas mais absurdas. Eu me irrito com besteira.

Eu queria ser Prim, Phoebe e Jennifer, mas eu não sou. Pelo menos eu sei quem eu sou. Katniss Everdeen, Monica Geller e Kate O'Malley estão no meu mural da vergonha, pra me lembrar quem eu sou. Pra que eu não deixe passar vinte e quatro horas antes de pedir perdão pra quem eu andei xingando por aí. Para não surtar com coisas idiotas e parar de brigar por bobagem. Para deixar as pessoas que eu amo viver a vida delas e receber as pessoas de braços abertos, sem julgamentos. E amar mais e melhor.

Mural da Vergonha

sexta-feira, 29 de março de 2013

(Ó eles aqui traveis...)

Bem-vindo ao mundo da internet, onde só é permitido amar ou odiar. Não dá pra simplesmente gostar ou não gostar. Ou estar nem aí pra isso. Cada manifestação é um discurso inflamado que contém muito mais ódio que amor. Até quando se ama alguma coisa, odeia-se os que não amam. Qualquer assunto - um livro, uma marca, um sabor de macarrão instantâneo - vira motivo de discurso.

O problema é quando o alvo do discurso são as pessoas. "Brasileiro deveria canalizar seus ódios contra a corrupção". Mas é claro. E contra a fome, a miséria, a injustiça... Odiar uma atitude, uma situação ou uma consequência é muito diferente de odiar quem a provocou. Muito mais difícil, é claro, porque se eu odeio uma pessoa posso responsabilizá-la por um monte de coisas, até pelo que não disse ou fez. A internet aceita tudo e os haters always gonna hate. Enquanto tem plateia tá tudo certo.

Você é a guerra que você luta. Se sua guerra que não vale a pena...

Age don't matter like race don't matter like place don't matter like what's inside.

Música da Semana: The War Inside (Switchfoot)

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013



PRECISA-SE curso a distância sobre Como Aprender a Dizer Não. Preferência por cursos gratuitos.

COMPRO tempo para fazer mais coisas que eu gosto e menos coisas que eu preciso.

ALUGO acelerador de tempo para chegar nas férias mais depressa. Sem efeitos colaterais.

VENDO cinco quilos de gostosura. Excelente estado. Valor a combinar. Aceito troca por um par de pernas mais firmes.

COMPRA-SE fluência em todas as línguas do mundo. Aceito cursos e livro por menor preço.

TEMOS VAGAS companheiro de viagem até o fim do mundo. Necessário espírito de aventura e um pouco de desaapego. Aceita-se com uma porção razoável de frescura, a combinar.

COMPRO paciência. Pode ser usada, desde que em bom estado.

DOAÇÃO de gula. Temos diversas variedades: gula por doces, coxinhas, pizza e queijo amarelo. Outros tipos de gula sob consulta.

DOA-SE conselhos baratos de gente intrometida. Temos todos os tipos: de inocentes a preconceituosos. Motivo: mudança de vida.

VENDO uma coleção da Barsa. Ótimo estado. Apenas desgaste nas letras da capa pelo decurso do tempo. Aceito troca por dicionário de francês ou italiano. Por dois dicionários, incluo "Livros do Ano" e "Ciência e Futuro" de 1991 a 1997.

Classificados

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Você se muda para a beira do fim do mundo, onde não tem GVT, nem NET, nem qualquer outra operadora telefônica, senão a linda da Oi, que lhe oferece míseros 2M de internet, se você tiver a sorte de conseguir isso tudo. A demora para instalação que é de praxe. A instalação pela metade no primeiro dia que também é habitual. O telefone funciona, a internet, não. 

O dono da casa começa a receber ligações de call centers, todas dizendo que seria necessário completar a instalação da internet, e que para isso seria necessária a instalação do provedor. Para instalar o provedor, precisam dos seus dados. Foi bem nessa hora que eu, a responsável pela linha, cheguei em casa, quando meu pai estava ao telefone com uma dessas ligações bem suspeitas.

A moça pedia os meus dados, como nome, CPF, agência e conta bancária... De onde a moça fala? Do serviço de internet, ela responde. Sim, mas de que empresa? Eu me irrito só de lembrar da hesitação da funcionária adestrada a aplicar golpes em consumidores pouco informados em dizer para qual empresa estava trabalhando. (Algumas pessoas dizem que a pessoa está só fazendo o seu trabalho e blablablá, mas o mercado de trabalho é grande. Ninguém precisa trabalhar naquilo que é contra sua ética, é uma questão de princípios. Pena que nem todos têm princípios.) 

A moça insistia que eu precisava fornecer os dados da minha conta bancária ou do meu cartão de crédito, pois de outra forma a minha internet não funcionaria. Respondi que a empresa não precisava de dado nenhum, porque eu pagaria a fatura assim que ela chegasse em minha residência. A moça se irritou e engrossou comigo. Eu engrossei com ela e exigi que ela me dissesse em nome de que empresa ela trabalhava. A resposta: Terra Networks Brasil.

Desliguei o telefone, não sem antes dizer que não gostaria de receber outras ligações daquela empresa e que não precisava de provedor nenhum, obrigada, explicando para os residentes da casa que era um golpe e que a moça queria vender um serviço desnecessário por conta da ignorância dos outros. Me disseram que já tinham passado os dados bancários da minha mãe para a Uol. Não pensei duas vezes e liguei para a Uol dizendo que assinaram um provedor em meu nome (ninguém precisa saber que ela é ela e eu sou eu se eles estão errados e minha mãe não pode ligar em horário comercial, né?) e que eu queria cancelar. Cancelado. Fim. Né?

Sim, se a Uol e a Terra não começassem a lançar débito automático na conta da minha mãe. Dez reais, trinta e cinco reais, cinquenta reais. Bloqueio no banco. Continua debitando. Na audiência de conciliação, a Terra disse que o problema é da minha mãe que não leu as letras pequenininhas. E a coitada nem estava em casa. A pergunta que fica: como será que Uol e Terra ficaram sabendo que meu telefone tinha acabado de ser instalado e minha internet não estava funcionando? Pois é...

O golpe do provedor

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Existem coisas muito legais, mas que comprometem muito a gente. Desafio literário, clube de leitura, faculdade, livro viajante... junta tudo isso e você não consegue mais ler o que você quer. Esse mês de maio eu dei sorte, porque todas as leituras que eu tive que fazer eram leituras que eu também queria fazer. Mas também não li outra coisa senão essas com que já tinha me comprometido. (Aham. Quem disse que eu terminei?) Esse mês eu entrei no Círculo do Livro, um clube de leitura online, (Ou melhor, um clube online de leitura), e nesse mês o livro escolhido era Persuasão.

Persuasão tem um começo chato e eu confesso que demorei um pouco pra entender quem era a personagem principal daquela história. Diferente de Emma e Elizabeth, Anne é uma pessoa fraca, apagada, que ficou pra titia por não querer impor sua vontade. Anne é inteligente, tem bom senso, tem cultura, mas não tem atitude.

Assim como em outras obras de Jane Austen, Persuasão fica bom a partir da segunda parte. É quando o mocinho aparece mais, e quando a Mary, irmã mais nova da protagonista, aparece menos. Por falar em Mary, ela conquistou o trono de personagem mais chata do (meu) universo literário. Apesar dessa impressão, a trama não tem personagens tão marcantes, ou mesmo tão presentes como em Emma e Orgulho e Preconceito.

O interessante na obra é o trabalho da autora com o tempo. Toda história acontece por causa de um pedido de casamento recusado oito anos antes. Os sentimentos dos personagens a respeito do passado, do presente e da relação entre os dois é muito bem colocado, torna toda a história muito crível, muito real. Oito anos depois, eles estão mais maduros, mais conscientes, porém não menos machucados com o que aconteceu no passado. Acompanhar o desenvolvimento da mágoa para a redescoberta do amor de Anne Elliot e Capitain Wentworth, na segunda parte do livro, é emocionante. Só por isso, leva três estrelas.

Extras

O exemplar que eu li era de uma coletânea com todas as obras de Jane Austen compiladas num só livro, em inglês, edição da Oxford University Press. É uma edição bastante antiga, com aquelas páginas de jornal bem amareladas, letras pequenininhas, folhas finas que quase sempre grudavam umas nas outras. Peguei emprestado na Biblioteca de Humanas, Educação e Artes da UFPR - que agora está fechada por causa da greve dos servidores.

No mesmo dia da reunião do Círculo do Livro, eu vi a adaptação em filme feita em 2007, que está disponível inteirinha e legendada no Youtube. Aliás, não só essa obra, mas todas as adaptações dos livros de Jane Austen feitos na mesma época (pela BBC, eu acho). Essa conta com o lindo do Rupert Penry-Jones como Capitão Wentworth, e só por isso vale assistir #piriguetagem (Relevem o fato de que eu só o vi nesse filme, tá?)

Houve outras três adaptações em filme (1995) e minissérie (1971 e 1960).  Helen Baker escreveu uma continuação chamada Connivance, em que a Mrs. Clay fica se insinuando pro Sir Elliot e pro Mr Elliot (o barão pai da Anne e o primo herdeiro do título).

Persuasão foi o último livro completo escrito por Jane Austen, quando ela já estava doente. Talvez por isso seja mais curto e menos elaborado que os outros. A obra é póstuma, publicada em 1918, o ano seguinte ao da morte de Austen.

Todas as obras de Jane Austen em inglês estão em domínio público. Em português, você terá que comprar o livro ou procurar em uma biblioteca. Entre as edições disponíveis hoje, as melhores são da Zahar (capa dura), Landmark (capa dura e bilíngue), Landmark (bilingue, capa flexível), e as não tão boas, em ordem decrescente, L & PM (edição de bolso), Bestbolso (edição de... bolso) e Martin Claret (não compre se puder evitar, eu sei que você pode).

PS: A Travessa não me paga nada, mas depois de fazer cotação de preços para as minhas futuras aquisições (uma listinha que já tem mais de quatrocentos títulos), e levando em conta o frete grátis para o estado do Rio e as cidades de São Paulo, BH, Vitória e ♥ Curitiba ♥, recomendo como dica de amiga ;)

Persuasion (Jane Austen)

sábado, 26 de maio de 2012

O Felipe tem razão. Minha biblioteca é muito séria. (Seria muita gabolice eu dizer que sou culta, né? Mas séria pode). Eu tenho, aproximadamente, uns sessenta livros. Quase a metade são livros de Direito. Quase a outra metade é literatura estrangeira. No meio temos alguns livros religiosos, um livro de moda, alguns sobre linguística. Até onde me lembro, só tem um de literatura brasileira. E, em toda a minha biblioteca, apenas um chick-lit.

Estava eu em um dia chato, depois de aulas chatas, almoço no restaurante universitário com cardápio chato, prestes a ir pro estágio, precisando de uma leitura leve, pra não abusar da dor de cabeça que aparece nos dias chatos, mas, ao mesmo tempo, capaz de prender a atenção; alguma coisa divertida. Topei com esse livro que falava de um assassino muito desastrado. Um assassino profissional que esteve prestes a entrar pra história milhares de vezes, mas não conseguiu porque era estabanado. Tem tudo pra ser hilário, né?

Infelizmente, a impressão que eu tive foi que ele errou a dose em tudo. Na aventura do assassino, no humor do desastrado, na apresentação de fatos históricos. O modo como ele aparecia em todos os lugares, envolvido em tudo o que aconteceu de importante naquela data e lugar, vai ficando chato e forçado, assim como os desastres que acontecem com ele. Como tudo dá errado, não há surpresa. Até a ironia parece exagerada. Enfim, um enjoo.

Poderia ser ótimo, mas forçou a barra. Sabe aquelas comédias que ficam dizendo 'ria de mim, eu sou engraçado, olha que situação ridícula de engraçada!'? Enfim, quem tenta ser engraçado fica ridículo, não engraçado. Mas como tem quem goste do como é mesmo o nome daquele do youtube? Felipe Neto, o livro deve ter encontrado seu público. Mas, repito, muito aquém do humor encontrado no primeiro romance do autor. Esperando algo do nível, me decepcionei.

A história é sobre um sujeito que nasceu com um indicador a mais em cada mão e que, por isso, se acha destinado a ser assassino profissional. Filho de um anarquista, o rapaz é mais doido que o pai e vai para uma escola de assassinos onde aprende tudo sobre armas, venenos, bombas, enfim, toda espécie de engenharia mortífera. Sai dali destinado a matar grandes chefes de Estado totalitaristas e livrar os povos da opressão. Mas ele nunca consegue. Por vezes, o desacerto dele é acerto de outro, e o cidadão acaba morrendo de qualquer jeito.

O Jô repete aquela mistura de fatos verídicos com história fictícia. Começa pela morte de Francisco Ferdinando, passa pela morte de Jean Jaurès, a pandemia da gripe espanhola no Brasil, a máfia de Al Capone, o atentado contra Roosevelt, a Intentona Comunista, o Levante Integralista, até a morte de Getúlio, entre outros.

Extras

O exemplar que eu li veio da Biblioteca de Humanas, Educação e Artes da UFPR. (Aviso de utilidade pública: a biblioteca está fechando às 20h durante a greve. É, estamos em greve.) É a segunda edição, de 2000, capa azul. Pra idade que tem, está bem enxuto ;) O livro é o segundo romance de Jô Soares, publicado pela Companhia das Letras, em quase meio quilo de papel off-white de boa qualidade.

O esquema da diagramação é semelhante ao de O Xangô de Baker Street. Marcando as seções dentro dos capítulos temos desenhozinhos. O padrão é de bombas acesas, mas existem algumas partes em que elas combinam com o texto, com o desenho do trem quando ele estava no trem, do submarino quando estava no submarino, do barco quando... enfim, vocês já entenderam.

Eu não gostei do livro, mas pode ter sido pura implicância, ou vai ver que eu não estava mesmo com ares pra esse tipo de literatura. O livro tem bom conceito no Skoob. Pra quem quiser outra opinião, temos resenhas positivas do Vinicius Mahier (Recanto das Letras), outra de Daniel (Jazz e Rock).

Desafio Literário: O Homem que Matou Getúlio Vargas (Jô Soares)

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Fantástico. Divertido. Profundo. Engraçado. Emocionante. Belo. Cativante. Ri. Chorei. Senti.
Agora quero ver tudo isso em um filme!
As palavras clichezentas acima foram escritas a lápis na última página do livro tão logo terminei a leitura. Eu comecei com todos os preconceitos possíveis, tudo porque assisti P.S. Eu te amo em uma festa do pijama quando estava no terceiro ano do Ensino Médio e unanimemente afirmamos que poderíamos ter feito coisa melhor, como empapelar a casa de alguém ou brincar de verdade ou consequência, ou brincar de verdade ou consequência e, em razão disso, empapelar a casa de alguém. Ah, sim, Se você me visse agora é da mesma autora com cara de modelo francesa: Cecelia Ahern. (Sou a única que fala Cecélia pra não esquecer que são dois Es?)

A história é sobre Elizabeth, seu sobrinho Luke e o amigo imaginário invisível deles, Ivan. Essa é uma daquelas histórias em que já se sabe mais ou menos onde vamos chegar, só não se sabe como. Bem, Cecelia escreve romances e este É um romance entre Elizabeth e Ivan. Mas como?

Elizabeth é uma chata. Uma chata quadrada. Um cubículo. Uma adulta de verdade. Não há nenhum espaço em sua vida para subjetividades, imprevistos, novidades, surpresas, ou qualquer coisa feliz dessa vida. Elizabeth tem uma vida bege com superfícies impecavelmente limpas, mas armários completamente bagunçados por dentro, trancados a chave porque ela sabe que não conseguiria dar a volta por cima se as coisas fugissem completamente ao seu controle novamente. Ela não corre riscos.

Coisa-linda-que-
vontade-de-apertar!
Ivan... bom, quantos anos ele tem? Na minha cabeça, o Ivan é a cara daquele mocinho de De Repente 30 do Mark Ruffalo (se bem que eu acho que o Ivan tem olhos azuis.. como se Hollywood ligasse para as características físicas dos personagens, né?). Ele é fofo, engraçado, mistura a sinceridade espontânea de uma criança com a sabedoria de quem já viveu muito. Ele é a cor que estava faltando na vida de Elizabeth. E a cor é azul como o mar azul como no coração uma doce... Ivan é um amigo invisível profissional cuja missão é ensinar Elizabeth a viver e, de repente, aprender alguma coisa sobre a vida.

Além deles, temos Saoirse (tive que colar do livro pra escrever direito - a pronúncia é algo como 'sersha'), a irmã completamente maluca de Elizabeth, mãe do Luke, uma criança fofa, que é quem primeiro conhece Ivan. Luke é cuidado pela Elizabeth que, por defeito na parte imaginativa do cérebro, é incapaz de compreender o que é uma criança. Ainda, temos a sócia maluquete de Elizabeth, Poppy; Benjamin, o cliente que não toma banho; Joe, dono da única cafeteria de Baile na gCroite (é o nome do lugar. Esses irlandeses...), e os amigos de Ivan: Opal, Calendula, Bobby, Tommy, Olivia.

É a típica comédia romântica, com personagens muito bem construídos, com vida própria, com uma diferença básica de todas as comédias românticas do mundo: você não sabe como vai acabar. Quer dizer, dá pra ser feliz pra sempre com um amor invisível? Por que não? Essa é a grande descoberta da história. E não sou eu quem vai estragar isso.

Extras

O exemplar que eu li é meu mesmo. Ganhei da Ju-Fina-Flor no amigo secreto das Sisterchicks. Aliás, ô menina que sabe dar presente! Ganhei dois livros bem diferentes, mas que são, os dois, a minha cara. Amei!

No Brasil ele está no catálogo da Rocco (que, pelo preço dos livros, poderia ter um site melhorzinho, né?) A capa é bonita, daquelas que fazem muito sentido pra quem já leu e que deixam quem não leu cheio de perguntas. Infelizmente a capa descolou. Logo depois de ganhar o livro no Rio, viajei pra casa do meu namorado. Aí emprestei o livro e a pessoa resolveu usar as orelhas da capa como se fossem marcadores. Arrebentou com a capa e eu nem pude falar nada. Sabe aquela pessoa com quem a gente não deve se meter? Aquela, que começa com so e termina com ra? Pois é :/

Um minuto de silêncio, por favor.
Dá uma decepção também porque os livros da Rocco são caros e, se um livro é caro, a gente não espera tamanha fragilidade. Falando em qualidade, a tradução é quase ótima. Tirando uma 'a estrada sequer tinha nome, o que ela achava procedente' e um 'she knew better than' ao pé da letra, mais um ou dois erros de digitação. Apesar do papel ser branco, o estilo e o tamanho da fonte são agradáveis e os espaços são bem confortáveis para a leitura.

Foi confirmada a adaptação do enredo para o cinema, com Hugh Jackman no papel de Ivan. Por falar em adaptação, o título original é If you could see me now, traduzido literalmente na versão brasileira, mas nos Estados Unidos o nome é A Silver Lining. Oi? Pois é.

O livro pode ser comprado nas principais livrarias (menos na Cultura e na Fnac, pelo menos no site já esgotou) como Curitiba, Travessa, Saraiva, Submarino.Mais informações no site da Cecelia Ahern, na Wikipedia (em inglês) e no Skoob. Ah, claro, tem as citações no Tumblr. Divirtam-se e depois me contem ;)

Se você me visse agora (Cecelia Aherns)

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Situações desesperadoras que pedem medidas desesperadas. Eu precisava viajar com minha família para ver o meu avô pela última vez, mas precisava voltar antes deles para trabalhar. Nós iríamos de carro, eu voltaria de avião. Por motivo até hoje desconhecido, eu não conseguia efetuar a compra online na Webjet e o preço Salvador-Curitiba nas férias de julho pra dali uma semana e meia era impossível nas outras companhias aéreas. Não que o preço da Webjet fosse bacana, só era menos impossível. Tive que comprar a passagem no balcão do aeroporto, em dinheiro.

Aconteceu que aquela foi mesmo a última vez que eu vi meu avô, e eu já estava em Salvador para pegar o avião no dia seguinte quando chegou a notícia. A primeira coisa que eu fiz: cancelar minha passagem no balcão da Webjet no aeroporto de Salvador e voltar pro interior com minha mãe. Ao explicar a situação, não recebi nem um sorriso de simpatia. Fui informada que não seria possível o reembolso ali, que eu teria que solicitar ao SAC, mas que, descontados cem reais pelo cancelamento, aquilo que eu paguei ficaria como crédito por até um ano.

Então, eu precisava ir ao Rio em janeiro. Que legal que pelo menos eu tinha esse crédito, né? Só que pra usar um crédito de uma passagem comprada no balcão da Webjet no aeroporto você precisa ir até o balcão com o localizador da passagem cancelada... e vai pagar os preços do balcão. Primeiro, você não tem muita ciência das opções, já que é a atendente quem realiza a operação no computador dela, cuja tela fica "de costas" pra você. Então, vai saber se aquele é o menor preço, né? Segundo, embora por telefone as atendentes cariocas da Webjet digam que os preços variam e pode ser que no aeroporto esteja mais barato, não está. Nunca está. E as promoções da internet nunca valem pra compra no balcão.

Daí que pra comprar passagens de ida e volta Curitiba-Rio com três meses de antecedência em dias promocionais eu gastaria quase o dobro do que paguei na passagem Salvador-Curitiba comprada em cima da hora pra viajar num sábado a tarde. E ainda tinham descontado cem reais. Se eu pudesse fazer a compra pela internet aproveitando os créditos que tinha, a Webjet ainda me deveria cem reais. É. E a raiva de ter que ir até o aeroporto de Curitiba que fica em São José e pegar três ônibus pra voltar pra casa sem a passagem?

Desisti desse negócio de reaproveitar os créditos e no dia 03 de março liguei para o SAC da Webjet e pedi o reembolso. Informei todos os dados pessoais e bancários e fui orientada a ligar novamente em cinco dias úteis para verificar se o reembolso fora aprovado. O prazo para o reembolso era de 40 dias... úteis. Em cinco dias eu liguei, fui atendida, tive que esperar na linha e, passado um certo tempo, a ligação caiu. Que coisa, não? Isso aconteceu mais duas vezes em que eu tentei me informar se o crédito fora aprovado, e as atendentes foram sempre muito delicadas e educadas, só que não.

No dia 09 de abril eu liguei de novo. Pedi informações sobre o reembolso e o atendente prontamente disse que ainda não tinha sido efetuado, mas que estava aprovado e eles ainda estavam dentro do prazo, que se encerraria na sexta-feira, dia 13. Aí eu aproveitava toda oportunidade para checar o saldo da conta e verificar que eles não depositaram. Nem no dia dez, onze, doze, treze, catorze, quinze, dezesseis... liguei. De fato, o prazo fora extrapolado. De fato, o reembolso estava aprovado. Não, a atendente não sabia porquê nem podia passar a linha para quem soubesse. Me passou o email da ouvidoria e só. A ouvidoria  deve ter só ouvidos e nenhuma boca, porque não me respondeu.

Eu já viajei três vezes de Webjet esse ano. A minha primeira viagem de avião foi com essa companhia. Eu já aguentei voo atrasado, comissária desrespeitosa, atendente que não sabe passar informação... já tive até a minha mala danificada e eu deixei passar. Agora já ultrapassou os limites da falta de respeito. Não voo mais de Webjet, nem por um real.

Ei, Webjet, devolve o meu dinheiro!

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Nicole é uma garota com conteúdo. Ela é inteligente, tem assunto, gosta de ler, sabe como lidar com as palavras, mas... transforma a própria vida num dramalhão mexicano. Eu tentava me lembrar de quando tinha a idade dela e, claro, as coisas parecem muito maiores do que realmente são no início da adolescência. Mas não é pra tanto, mocinha! Até as coisas boas que acontecem com a Nicole são transformadas em tragédia quando chegam ao seu diário.

Adônis finge que é um menino rebelde. Se apresenta como o cara que não gosta de ninguém na escola porque é superior aos demais. E gosta de rock. No começo tudo o que ele faz é criticar o mau gosto alheio, comparando à sua grande capacidade mental e sensibilidade musical. Depois ele diz que não gosta de ler, conhece um cara famoso, faz amigos, monta uma banda, ele próprio fica famoso e se apaixona. E mostra como é incrivelmente burro. Burro! Burro! Seu burro! (Pronto, passou).

Apesar disso, o livro não é ruim. Não é ótimo (se a Nicole pegasse leve com o drama), mas também não é ruim (a burrice do Adônis é necessária, ou não haveria história). E não, ele não é burro-burro, os relatos históricos dele são interessantes e ele sabe escrever. Mas não enxerga o que está acontecendo na frente dele. Coisa de homem?

A história é cheia de referências da cultura pop (as que eu entendi eram quase todas envolvendo o Diário da Princesa - aliás, em matéria de drama, Nicole ganha da Mia com folga), o enredo, apesar do dramalhão, é leve, adolescente. Me incomodou um pouco a mudança drástica dos personagens do modo como eles foram apresentados no começo (tanto os 'autores' Nicole e Adônis como as pessoas a quem eles descreviam) e o seu comportamento no futuro. Muito destoante. A irmã da Nicole é o exemplo mais gritante. 

Ah, claro, como um romance adolescente não podem faltar umas pitadas de nonsense, como o final macarrônico e o fato de todo mundo se dar bem demaaaais nessa história. Aquelas coisas incríveis que acontecem nos filmes da Sabrina e de High School Musical, sabe? Acho que a Esther precisa continuar escrevendo, porque só assim ela vai chegar lá. Esse primeiro livro mostrou que ela tem potencial, mas ainda precisa escrever mais, mais, mais, mais. Dez mil horas, é o que dizem.

O exemplar foi emprestado pelo Felipe, que logo recebeu aquela pergunta que eu faço pra todo mundo que me empresta um livro: pode rabiscar? Quero dizer, não exatamente assim, que é pra pessoa não morrer do coração. A pergunta é "posso fazer anotações a lápis, bem de leve pra não marcar o papel?", bem cheia de dedos. Nos meus eu rabisco mesmo. A lápis, mas com menos discrição. 

Primeiro, porque eu vou marcando os erros de edição. Tradução mal feita, quando é o caso, ou palavra escrita errado, ou uma frase que não deu pra entender. Mas quase sempre é sobre a história mesmo. Eu marco partes engraçadas/tristes/profundas. E escrevo coisas como "tomar Coca Cola É viver perigosamente!" "Ah, vá! Ela acredita mesmo que inventou essa frase?" "Sua rídícula u.u" "BURRO!". Porque eu nunca lembro de colocar essas coisas no histórico do Skoob. Tem que ser na hora. E ler na frente do computador com o Skoob aberto cansa - e no ônibus é impossível (aham, eu escrevo no livro quando leio no ônibus. Em pé também).  Descobri que rabiscar o livro é viciante. Não que eu rabisque o livro de todo mundo. Eu sempre peço antes. E nunca rabisco os da biblioteca.

Ah, a capa do livro me intrigou por uma coisa: a Nicole não tem olhos castanhos? Por que na capa os olhos são verdes? E por que ela usa óculos? Eu tinha achado a capa suuuuper legal, tem orelhas, o acabamento é ótimo... até ver que não tem nada a ver com o livro. Porque, além de todo, a menina está sorrindo (#risadamaléfica). Os erros de edição foram poucos. Muito poucos se considerar que a editora não é daquelas grandes (eu não conhecia esse selo "Desfecho Romances").

O livro foi avaliado de duas até cinco estrelas no Skoob, então acho que depende mesmo de quem lê. O Felipe contou como foi o lançamento do livro e depois escreveu uma resenha. A Elisa, irmã da Esther, também escreveu uma resenha, e eu não queria estar no lugar dela. Ainda bem que eu acho que nenhum dos meus... ahhh, deixa pra lá. Pra que adiantar o sofrimento, não é mesmo? Quem quiser comprar (é um ótimo presente pra aquele aniversário de 15 anos da amiga da sua irmã) pode tentar na Livraria da Travessa ou direto com a Editora Multifoco.

Uma Garota com Conteúdo (Esther Braga)

segunda-feira, 12 de março de 2012

Existem atitudes que facilitam muito a vida da gente, mas que são tão difíceis de sair do falatório pra prática! Coisas que a gente sabe que precisa praticar, está cansado de saber que tudo seria muito melhor se você mudasse, chegando a dizer que a partir de hoje será diferente, compromissos feitos com a sua própria pessoa.

Eu sei que eu preciso aprender a errar. Não que eu nunca erre, o problema é o contrário. É que eu erro muito, mas não sei o que fazer nessa situação. Como é que se faz pra mudar de ideia e dar o braço a torcer sem ficar completamente sem graça. Pra quem sempre tem todas as respostas, sempre tem que ter tudo sob controle, pra quem acha que não pode errar, aprender a errar não é lição fácil. E eu não posso nem dar a receita. Ainda não aprendi e não faço ideia de como se faz isso.

Outra coisa que eu preciso aprender é a sair de uma discussão pacificamente. Eu tentei fazer isso outro dia, mas acho que escolhi a pessoa errada pra praticar. Acabou que o sujeito brigou comigo porque eu decidi concordar com ele pra acabar com a discussão. Mas nem quando eu tento perder! Ainda estou esperando me recuperar dessa experiência assustadora. Se tivesse um curso... Enquanto isso, tento aprender a não discutir. Quem sabe daqui a cinquenta anos eu chegue lá...

Eu preciso aprender...

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Ao meu alcance é o primeiro CD do Ministério de Jovens e Adolescentes da Primeira Igreja Batista de Curitiba. Lançado em setembro do ano passado, o álbum leva em seu título o tema da juventude para 2011, com as músicas mais cantadas durante o ano nos cultos de sábado (e sexta). Entre versões e composições, temos cultos de verdadeira adoração. Quando a gente nem percebe que veio cantando no caminho até em casa. Na rua. Ah, e no ônibus. O louvor da juventude da PIB é contagiante. No meio de todos aqueles jovens, você se sente parte... mesmo que não conheça ninguém ali. Apesar disso, o CD foi gravado em estúdio - o que diminuiu muito o brilho das músicas. Um daqueles casos raros em que eles fazem melhor ao vivo. 

Eu falaria um pouquinho sobre cada música, mas aí esse um pouquinho acabou ficando grande e, bem... são onze músicas. Então eu vou falar rapidinho sobre elas num parágrafo só em poucos parágrafos. As três primeiras faixas, Abra o Coração, Nosso Deus e No Espírito de Deus Há, são versões de, respectivamente, Did you feel the mountains tremble? (Delirious?), Our God (Chris Tomlin) e Where the Spirit of the Lord Is (Chris Tomlin). As duas primeiras foram, definitivamente, as músicas do ano. Destaque para No Espírito de Deus Há, que samba na cara da sociedade brinca com a letra jogando um estilo techno na música. Se no Espírito de Deus há liberdade, por que não?

Depois temos Somente N'Ele e Amor Maior, composições de, respectivamente, Sally Poubel e do Pr. Michel (pastor da juventude da PIB Curitiba). São lindas! A primeira tem uma melodia envolvente, com notas longas no final dos versos (o que é muito legal pra dar vontade de cantar junto), e a intérprete, Dani Lima, tem uma voz linda. Amor Maior já é conhecida em Curitiba, gravada originalmente no álbum Compromisso e Adoração, da Pib de Curitiba, mas eu gosto muito mais do arranjo de Ao meu alcance. Já era boa, ficou ainda melhor!

Depois temos Quebrantado, que é uma música que eu, pessoalmente, não gosto. Sabe cisma? Eu costumava gostar dela como Sweetly Broken (Jeremy Riddle), mas depois enjoei e desgostei de todas as versões. Eu sei, é besteira. Quem não tem nada contra a música vai gostar. Mais Perto de Ti e Gratidão   são também da Sally Poubel. Essa guria é um talento! A música é linda e tem no MySpace dela. Quer saber como é o sotaque curitibano legítimo e carregado? Vai lá hahaha. Gratidão foi gravada pela Talita, que é a ministra auxiliar de adoração na PIB e Líder do ministério de louvor dos adolescentes e jovens. E tem uma voz de arrepiar. Excelso é de composição do Pr. Michel e... sei lá. É legal, mas não é ótima. Acho que ficou meio apagada no meio das outras. Não sei se foi a interpretação ou o quê... a letra é ótima, mas eu nem consigo me lembrar da melodia de cabeça, sabe.

Pra fechar o CD, Hosana, num arranjo bem mais rapidinho (e sem aquela voz derretida) que na versão da Mariana Valadão. Gosto mais. Por último, Tu És Bom, que eu sei que já ouvi a original, mas não lembro qual é... as duas dão vontade de dançar. São muito alegres! E encerrar um álbum que é um sonho de uma galera com Deus é bom o tempo todo é muito válido.

Depois de tudo isso, só tem um probleminha. Eu não sei onde vendem o CD. Quero dizer, comprei o meu lá na PIB, num estande, depois do culto, mas não sei se vende em outro lugar você pode comprar o seu pela internet, na loja do Dia a Dia com Deus. Também não encontrei todas as músicas pra ouvir no youtube, e algumas no Vagalume, sem áudio, e nenhuma delas no Letras.terra, o que é uma pena. São muito boas mesmo. UPDATE: dá pra ouvir todas as músicas do CD no Grooveshark. [Valeu, gente! ;)] Agora vou imitar a Cíntia e colocar os links que eu achei, com um ♥ do lado das minhas favoritas.

Abra o Coração
Nosso Deus 
No Espírito de Deus Há 
Somente N'Ele
Amor Maior
Quebrantado
Mais Perto de Ti
Gratidão
Excelso
Hosana
Tu És Bom

PS: Eu falo que eles fazem melhor ao vivo, e quando vou procurar os vídeos, mordo a língua - com que música? Quebrantado. Pois é. Acho que é porque eu não fui no culto de lançamento. Nos cultos que eu vou eles arrasam ;)

CD Ao meu alcance - Juventude da PIB de Curitiba

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

"O tipo de livro que eu não imaginaria que você leria". Uma mistura de autoajuda com auto-biografia, e com certeza por isso se tornou um best seller. Cheio daquelas frases tocantes, sabe como é, não sabe? Cheio daquelas coisas que, no fundo, todo mundo sabe, só que às vezes se esquece. Por exemplo, que é bom ter um tempo só pra você. Ou que relacionamentos são difíceis. Ou que você precisa saber conviver consigo, com seus pensamentos e com sua própria solidão, antes de conviver com outras pessoas.

Não foi nada transformador. Francamente, quem se diz "transformada" por um livro como esse precisa de muita coisa na vida. Não que seja um livro ruim. Foi uma leitura agradável. Muito agradável, na maior parte do tempo. O ritmo do livro é quase sempre bem marcado. A personagem principal - a autora, né? - se expõe na medida certa. Você se sente próxima. E ela tem senso de humor, o que é ótimo. Mas, caramba, é um livro, com uma história, que nem é a melhor do mundo.

A narrativa mescla o tempo presente com os flashbacks que são uma espécie de por que eu cheguei até aqui. E eles são bastante frequentes na primeira parte que, paradoxalmente, fala sobre prazer. Digo paradoxalmente porque são lembranças bem feias, daquelas que a gente não quer lembrar. Divórcio, abandono, depressão, e esses sentimentos de falta de fé na vida que eu simplesmente não consigo aceitar, muito menos entender.

Então vem o prazer. Eu me lembro das aulas de sociologia no meu primeiro ano de faculdade (e ó, faz teeeempo) em que o meu professor dizia que o hedonismo (que é uma doutrina que afirma que o homem chega ao seu objetivo supremo através do prazer, mas que, na época, ele definiu apenas como a busca pelo prazer) era um grande mal dessa época. Outro paradoxo: essas pessoas que tão desesperadamente procuram o prazer, procuram nos lugares errados e pensam que encontraram. Elas não sabem sentir prazer.  Sabe aquele sujeito que sai de férias, mas não consegue relaxar? Aquelas pessoas que comem, mas não sentem o gosto da comida? Que viajam, mas não param pra apreciar o pôr do sol?

(Vamos abrir um parênteses para falar sobre a gastronomice do livro, já que ficou na categoria literatura gastronômica do Desafio Literário: eu fico com fome só de pensar nas delícias tão cuidadosamente descritas no terço italiano do livro. Basta?)

Mas parece que o prazer é feio. Porque depois sempre vem aquela culpa, né? Você está aí de férias, enquanto poderia estar ganhando dinheiro. Está comendo essas calorias que vão parar no seu quadril e não sairão nunca mais. E porque parou pra ver o pôr do sol, acabou pegando esse trânsito horrível na Avenida Iguaçu. Ou por que, afinal, você não deixa essa vida capitalista mesquinha para se dedicar a algo maior? Parece que a devoção é o oposto do prazer. Mas tem que ser? Elizabeth passou meses dentro de um ashram, num retiro espiritual. Todo o auto-conhecimento e a libertação dos fantasmas que ela ainda abrigava valeram a pena. Mas será que a devoção é mesmo o oposto do prazer?

Então vem o equilíbrio. E, com o equilíbrio, o amor. Chegam de mãos dadas, com suavidade, um empurrando o outro. O fato é que quando você está bem consigo, você consegue ficar bem com os outros. Quem não se suporta é mesmo insuportável. Então a busca pelo equilíbrio, na verdade, fala sobre todo tipo de relacionamento e sobre toda forma de amor.

Mas ninguém precisa ir à Itália para ter prazer na vida. Nem se trancar num retiro espiritual para se encontrar com Deus. Ou consigo mesmo. Muito menos passar em Bali para descobrir o que é ter uma vida equilibrada. E ninguém precisa ler Comer, Rezar, Amar para descobrir isso. Por isso que esse livro não transforma. Só fala de algumas coisas óbvias que talvez você não tenha prestado atenção.

Site da autora

PS: Estou lendo Comprometida e gostando muito mais.

Desafio Literário (de janeiro): Comer, Rezar, Amar (Elizabeth Gilbert)

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

É, faz tempo que eu li - foi em julho mesmo, a resenha é que atrasou um tiquinho -, mas as impressões que esse livro que causou um alvoroço nos blogs literários Brasil afora não desapareceram. Parte desse movimento todo deve ter sido porque o autor é bacana (me senti tão antiga falando bacana...).Outra parte por causa dessa onda ufanista que fez virar moda elogiar tudo o que é nacional, só pelo fato de ser nacional - aquele balaio de gatos e cachorros que descredibiliza completamente quem não consegue fazer uma crítica sincera. Mais uma parte por puxa saquismo e vontade de ganhar livros de graça pra depois fazer um elogio que diz nada com nada.

Primeiro, o elogio: o autor escreve bem. Sério, eu gostei. Porque se eu não tivesse gostado, eu certamente me lembraria #souchata. Também não me lembro de nenhum erro grosseiro de edição, nenhuma narração confusa.  Alguns momentos carregam algum suspense, mas sem deixar o leitor perdido sobre o que aconteceu, acontece ou acontecerá. Essa foi uma das coisas que me prendeu ao livro. Toda história fica melhor quando é bem contada. Mas a melhor história do mundo pode ficar insuportável quando a narrativa não funciona.

Chegamos à história e ao meu julgamento: eu não gostei do livro. Apesar de ser bem escrito e de não ter implicado com nada de mais. Eu impliquei com a história. Nada mais, nada menos. Fica a pergunta ao autor: ele sabia do que estava falando quando resolveu escrever sobre irmãos adotivos?

A trama, que não é nenhum spoiler porque é a premissa do livro, se desenvolve na história de amor de dois irmãos adotivos. História de amor. Irmãos. Adotivos. Na primeira vez que eu ouvi falar disso, fiquei matutando sobre as consequências jurídicas dessa união - eles não podem casar... mas será que podem constituir uma união estável?, mas quando eu li o livro a coisa mudou de figura.

Até então, eu não tinha me imaginado no lugar dos personagens, mas ler um livro é se transportar pra dentro da história. Quando eu fiz isso, não funcionou. A história não bate. Não rola. Não combina. Sabe por quê? Eu tenho um irmão adotivo. E nós nos tornamos irmãos quando adolescentes. Nem crescemos juntos como Leo e Carol. Eu não consigo me apaixonar pelo Dan simplesmente porque ele É meu irmão. Sabe, pra mim, dizer diferente é como se a adoção não fosse adoção de verdade. Como se duas pessoas não pudessem se fazer irmãos. Acontece que nós somos.

Já ouviram aquela expressão 'como beijar um irmão'? Tem naquele filme chato PS: I Love You. Beijar um irmão não é só nojento. Não tem graça. Nenhuma. E é nojento. Se você tem um irmão do sexo oposto (ou do mesmo, se você não tem essas conveniências...), imagine-se beijando-o(a). Na boca. Beijo de novela, mesmo. Uuuugh! Desculpa, Enderson. Não rola. Porque eu não consigo diferenciar meu irmão biológico do meu irmão adotivo. O sentimento é exatamente o mesmo. Eu sou apaixonada pelos dois! Mas o Eros é só  com o Haralan ;)

PS: Meu irmão - o mais velho, adotivo - vai casar! Que emoção! :)
PPS: Esqueci de dizer que a edição é ótima! A capa é linda e a abertura dos capítulos também. Amei!
~0~
Sobre o autor: Blog | Twitter | Skoob
Sobre o livro: Skoob | Twitter
Onde comprar: Saraiva | Curitiba | Martins Fontes

Desafio literário (de julho): Todas as estrelas do céu - Enderson Rafael

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Seje o assunto mais interessante, seje o local mais severo, seje a pessoa mais respeitável, nada consegue me prender o bastante para deixar de me arrepiar ao ouvir um erro grotesco como seje. E não me venha com uma tal de... como é mesmo? 'variação linguística', porque eu não estou falando de conversas no dia-a-dia. Estou falando de palestras, sermões, discursos, aulas... Aquelas 'falas' de autoridade, em que a pessoa precisa passar certa credibilidade, certo conhecimento. (Preste atenção nessa última frase. Elimine todas as situações que não se combinam com credibilidade e conhecimento - me refiro ao tal do conhecimento empírico, pra deixar as coisas mais claras). Falou seje, perdeu comigo.

É uma pessoa simples? Certo. Mas já aprendeu tanta coisa pra dar essa palestra, sermão, discurso, aula... porque não aprendeu a conjugar o verbo ser? Eu sei, é um verbo irregular, verbo irregulares são difíceis, mas eu duvido que ele fale 'fazi'. Se aprendeu a conjugar o verbo 'fazer', por que não o verbo 'ser'? Ser é muito mais importante do que fazer! Que adianta fazer e acontecer, se falta ser?

A pessoa que não sabe usar a língua portuguesa na oralidade passa diversas impressões, algumas podem até ser erradas, mas nenhuma é muito boa. A primeira coisa que eu penso é que essa pessoa não estudou. Coitado. Não teve oportunidade. Tudo bem, vamos ajudar a essa pessoa, ele não tem culpa de não saber. Ah, teve oportunidade? Faltou vontade? Ou fala errado por pura malandragem? Resolveu aprender a falar com os mano? Precisa de uma boa aula também. Módulo I - Vergonha na cara: não é tão amarga quanto Buscopan e você pode tomar sem contra-indicações. (Aceito sugestões para um nome mais curto, mas tão bom quanto. Ou melhor, é claro).

A segunda coisa que eu penso é que a pessoa não lê. Porque língua é prática. Ninguém aprende trocentas mil regras gramaticais, ortográficas e tudo mais e consegue aplicar isso no dia-a-dia sem dar um tilt cada vez que formular uma frase. Um dos grandes benefícios da leitura é o exercício do idioma. Eu tenho pena de quem não lê. Seja qual for o motivo porque a pessoa não lê, eu tenho pena de quem não pode ou não quer desfrutar de algo tão maravilhoso como o prazer de ler um bom livro.

Depois posso pensar que a pessoa tem preguiça, porque poderia muito bem saber conjugar o verbo 'ser'. Preguiça é mortal! Quer dizer, se você pode fazer melhor, porque se acomodar no mais ou menos? Não consigo gostar da mediocridade. Desculpem, não consigo mesmo. Ainda mais quando a tal mediocridade se relaciona ao instrumento de trabalho da pessoa. Quem trabalha com uma colheitadeira tem que saber usar. Quem trabalha com a língua não deve pensar diferente. 

Por último, vou pensar mal de quem colocou uma pessoa despreparada pra passar vergonha na frente de todo mundo. A pessoa pode não ter culpa de ser despreparada (se tem, Módulo I...), mas quem colocou essa pessoa na mira de todo mundo, ah... esse sim tem culpa! Sabia muito bem do que se tratava, ou pelo menos deveria saber. É no mínimo descuido, mas pode ser maldade também. Que feio, servidor... Você não pode fazer isso!

Isso tudo eu penso enquanto tenho um arrepio e sussurro 'seja!'. Não consigo, não consigo não corrigir. Chata, eu sei, mas eu tenho que corrigir, nem que seja só pra mim. Seje... Menas... Ponhar... Melhor parar pra não acabar passando mal aqui! Continuem vocês, se estiverem com bom condicionamento físico pra aguentar.

PS: Centésima postagem! :) (E em vez de fazer um post comemorando, eu dou uma de chata. É bem o que eu sou mesmo! hahaha)

Seje...

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Não existe adaptação perfeita. Por isso que eu prefiro sempre assistir ao filme como se fosse uma história totalmente nova, só que parecida com alguma que eu já li. Deixo as comparações para o final, depois que eu assisto ao filme.

O início do filme é ótimo. O modo como eles chegam a Nárnia é impressionante, mágico e inusitado, do modo exato como se deve chegar a um mundo como o de Nárnia. Aliás, todas as cenas de ação foram satisfatoriamente bem executadas para um filme infantil.

As atuações, contudo, passaram bastante apagadas. Não dá pra perceber nenhum personagem de destaque e até a própria trama é meio confusa. Primeiro eles saíram em busca dos sete fidalgos, depois eles recebem outra missão em busca de sete espadas para desfazer um encanto maligno. Aí a viagem, que tinha o propósito de honrar aqueles homens, passa a ter outro propósito, de libertar o povo de um mal que ninguém até então sabia que existia.

A passagem deles pelas ilhas é bastante curta. Às vezes dá a impressão de que eles não passaram mais que algumas horas em algumas ilhas. É lógico que o filme só tem noventa minutos, mas existem recursos que simulam a passagem do tempo. As cenas acontecem muito rapidamente, é tudo muito corrido, muito depressa.

O final do filme também é um pouco confuso. Não ficou claro porque de repente o rei ficou confuso e depois, mais de repente ainda, não estava mais. Aliás, muitas cenas do filme ficaram confusas, sem explicação, e várias dessas não faziam parte do enredo verdadeiro do filme.

ATENÇÃO!
NÃO PROSSIGA SE NÃO QUISER SABER SPOILERS!

Por falar em enredo, vou lembrar que ele parece em algumas coisas com a crônica, mas a história é totalmente outra. No início é tudo muito parecido, apenas com adaptações para o enredo de cinema. A partir da chegada do navio à primeira ilha, tudo muda. Até as características dos personagens mudou, como a do primeiro lorde, que de homem respeitado passa a cativo na masmorra. Ah, e a inclusão do mistério do nevoeiro, desnecessário. Além do mais, enquanto eles deveriam seguir em direção ao Leste, ao País de Aslam, para libertar os últimos fidalgos, no filme eles devem ir à Ilha Negra - o que pra mim significa exatamente o oposto.
Por último, fica o meu protesto explícito: Esculacharam com a minha parte favorita de todas as crônicas! Cheguei a ficar ofendida quando vi o que fizeram com a alegoria do dragão. Nem mesmo a alegoria final, que tentaram imitar, ficou decente. O que custava apresentar Aslam como cordeiro e depois transformá-lo em leão?

FIM DOS SPOILERS!
JÁ PODE ABRIR OS OLHOS

Enfim, o filme não é de todo ruim, desde que não se vá com expectativas criadas a partir do livro. Não há quase nenhuma relação entre eles, e as que se preservam chegam a parecer coincidência. Como filme, tem bastante ação e enredo um pouco confuso. Dá pra assistir em uma tarde de preguiça e absoluta falta do que fazer. Recomendo ler o livro depois de assistir o filme, como a gente faz quando come uma caixa de bombons - deixa o melhor pro final.

A Viagem do Peregrino da Alvorada (Filme)