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sábado, 26 de maio de 2012

O Felipe tem razão. Minha biblioteca é muito séria. (Seria muita gabolice eu dizer que sou culta, né? Mas séria pode). Eu tenho, aproximadamente, uns sessenta livros. Quase a metade são livros de Direito. Quase a outra metade é literatura estrangeira. No meio temos alguns livros religiosos, um livro de moda, alguns sobre linguística. Até onde me lembro, só tem um de literatura brasileira. E, em toda a minha biblioteca, apenas um chick-lit.

Estava eu em um dia chato, depois de aulas chatas, almoço no restaurante universitário com cardápio chato, prestes a ir pro estágio, precisando de uma leitura leve, pra não abusar da dor de cabeça que aparece nos dias chatos, mas, ao mesmo tempo, capaz de prender a atenção; alguma coisa divertida. Topei com esse livro que falava de um assassino muito desastrado. Um assassino profissional que esteve prestes a entrar pra história milhares de vezes, mas não conseguiu porque era estabanado. Tem tudo pra ser hilário, né?

Infelizmente, a impressão que eu tive foi que ele errou a dose em tudo. Na aventura do assassino, no humor do desastrado, na apresentação de fatos históricos. O modo como ele aparecia em todos os lugares, envolvido em tudo o que aconteceu de importante naquela data e lugar, vai ficando chato e forçado, assim como os desastres que acontecem com ele. Como tudo dá errado, não há surpresa. Até a ironia parece exagerada. Enfim, um enjoo.

Poderia ser ótimo, mas forçou a barra. Sabe aquelas comédias que ficam dizendo 'ria de mim, eu sou engraçado, olha que situação ridícula de engraçada!'? Enfim, quem tenta ser engraçado fica ridículo, não engraçado. Mas como tem quem goste do como é mesmo o nome daquele do youtube? Felipe Neto, o livro deve ter encontrado seu público. Mas, repito, muito aquém do humor encontrado no primeiro romance do autor. Esperando algo do nível, me decepcionei.

A história é sobre um sujeito que nasceu com um indicador a mais em cada mão e que, por isso, se acha destinado a ser assassino profissional. Filho de um anarquista, o rapaz é mais doido que o pai e vai para uma escola de assassinos onde aprende tudo sobre armas, venenos, bombas, enfim, toda espécie de engenharia mortífera. Sai dali destinado a matar grandes chefes de Estado totalitaristas e livrar os povos da opressão. Mas ele nunca consegue. Por vezes, o desacerto dele é acerto de outro, e o cidadão acaba morrendo de qualquer jeito.

O Jô repete aquela mistura de fatos verídicos com história fictícia. Começa pela morte de Francisco Ferdinando, passa pela morte de Jean Jaurès, a pandemia da gripe espanhola no Brasil, a máfia de Al Capone, o atentado contra Roosevelt, a Intentona Comunista, o Levante Integralista, até a morte de Getúlio, entre outros.

Extras

O exemplar que eu li veio da Biblioteca de Humanas, Educação e Artes da UFPR. (Aviso de utilidade pública: a biblioteca está fechando às 20h durante a greve. É, estamos em greve.) É a segunda edição, de 2000, capa azul. Pra idade que tem, está bem enxuto ;) O livro é o segundo romance de Jô Soares, publicado pela Companhia das Letras, em quase meio quilo de papel off-white de boa qualidade.

O esquema da diagramação é semelhante ao de O Xangô de Baker Street. Marcando as seções dentro dos capítulos temos desenhozinhos. O padrão é de bombas acesas, mas existem algumas partes em que elas combinam com o texto, com o desenho do trem quando ele estava no trem, do submarino quando estava no submarino, do barco quando... enfim, vocês já entenderam.

Eu não gostei do livro, mas pode ter sido pura implicância, ou vai ver que eu não estava mesmo com ares pra esse tipo de literatura. O livro tem bom conceito no Skoob. Pra quem quiser outra opinião, temos resenhas positivas do Vinicius Mahier (Recanto das Letras), outra de Daniel (Jazz e Rock).

Desafio Literário: O Homem que Matou Getúlio Vargas (Jô Soares)

sexta-feira, 30 de março de 2012

Foi uma escolha bastante lógica. Faltando uma semana pra acabar o mês, eu precisava de um livro com um serial killer, mas isso não é evidente. Eu não podia arriscar pegar um romance policial e depois descobrir que não tinha nenhum assassinato em série ali. Passei por mais ou menos quarenta estantes (literatura inglesa, americana, alemã, francesa ... pulei os orientais e o leste europeu ... portuguesa, brasileira) até que encontrei um livro que tinha serial killer escrito na contra-capa.

O autor - quem não conhece o Jô? Acho que até a equipe do GAG conhece, né? - pretendeu escrever um romance policial com um toque de humor. Receita arriscada. É muito chato um livro policial engraçado demais, parece que perde o propósito. O interessante era que as partes cômicas eram coadjuvantes. Quando as cenas mostravam o assassino em ação, ou alguma parte da investigação, havia um ar de serenidade, ou pelo menos um humor mórbido, sutil, combinando com a ocasião. Nada de comicidade exagerada, só aquele humor esperto, de quem não precisa dizer que está fazendo humor.

A história narra o primeiro serial killer do mundo, contando como Sherlock Holmes cunhou o termo enquanto investigava um crime bastante peculiar no Rio de Janeiro. Infelizmente, não conheço a obra de Conan Doyle (esse nome me lembra alguém...), mas agora quero muito saber se o Sherlock de verdade era assim mesmo. O livro também é recheado de personalidades reais como Dom Pedro II, Chiquinha Gonzaga, Sarah Bernhardt, que, apesar de terem sido retratados apenas ficcionalmente, não escaparam a um estudo minucioso.

Aliás, o cuidado na pesquisa bibliográfica é digno de nota, não só na fidelidade dos personagens, embora a história seja inventada, como também dos cenários e costumes à época do Império. Tem até referências bibliográficas no final do livro. É um alívio saber que o autor levou o livro a sério com tantos outros por aí cometendo gafes ao situar seus romances em lugares onde nunca estiveram e sobre os quais não tem o menor conhecimento - embora pensem saber o bastante para colocar todo esse conhecimento em um livro.

O assassino é apresentado aos poucos, embora desde o início dê a entender que seja um dos que estão sempre presentes. No início de cada capítulo, temos uma cena só dele, dando pistas sobre a sua identidade. Eu tive dificuldades para descobrir quem foi porque eu confundi dois personagens, achando que eram a mesma pessoa. Isso porque existem os marqueses, viscondes e eteceteras, com seus respectivos nomes de verdade, e eu atribuí o nome de um a outro... me confundi toda. Ainda assim, só tive um palpite certo depois de umas duzentas páginas - e isso pra mim é ponto positivo.

Não é o melhor dos policiais - já falei que gosto de sentir aquela tensão, né? Embora o mistério dos assassinatos e os crimes em si sejam escabrosos, as pitadas de humor tiram esse gostinho, mas sem estragar o conjunto. Apesar de uns comentários que li, achei engraçado, não hilário; inteligente, não genial; e ainda estou pensando se o final me agradou ou não. Quero dizer, o final da investigação, não o final do livro (tentando ser específica sem dar spoiler). Acho que deu um equilíbrio capaz de agradar quem gosta tanto de um gênero como do outro.

Extras

O livro teve sua primeira edição publicada pela Companhia das Letras em 1995 e foi o primeiro romance de Jô Soares. Hoje ele aparece no catálogo com uma edição normal e outra econômica (trinta reais mais barata que a primeira e com capa laranja ♥).

A edição que eu li foi a normal. Achei que a capa dá uma ideia errada, porque a silhueta remete ao Sherlock, enquanto o violino dá a entender que se trata do assassino, não sei se alguém achou estranho também ou se é só coisa da minha cabeça. Eles usaram no corpo do texto a fonte Garamond, tamanho 14, eu acho - maior do que eu costumo ler. Volta e meia eu pensava que não estava combinando... mas vai ser chata assim em outro planeta, hein? Mas se pensar bem, a edição econômica tem praticamente metade das páginas da original, e isso faz toda a diferença pra quem vai carregar esse volume pra cima e pra baixo o dia todo.

Sendo uma edição da Companhia das Letras, não preciso nem falar da qualidade do papel, da diagramação, da revisão, só reforçar o elogio para o esforço de pesquisa e a delicadeza de incluir as referências bibliográficas ao final. Uma coisa que me incomodou foram as frases em francês e inglês, quando alguém começava um diálogo nesses idiomas. O restante do diálogo era narrado em português, mas pra quem não conhece nenhuma das línguas, fica a sensação de que perdeu alguma coisa.

O exemplar, peguei emprestado da Biblioteca de Humanas e etc da UFPR e estava em muito bom estado. Se não me engano, a biblioteca possui três exemplares do livro, todos bem conservados. A despeito das minhas últimas leituras, demoradas, emperradas, esse livro acabou num instante. Com certeza a história ajudou.

Em uma das cenas (a do fígado) eu me dei conta de como ficaria legal se essa história fosse adaptada em filme... aí lembrei que isso já aconteceu. O filme foi lançado em 2001, com direção de Miguel Faria Jr. Assisti e achei muito inferior. Eu não costumo avaliar o filme pelo livro, mas fica difícil não fazê-lo, considerando que não gostei do filme. Me pareceu que todas as partes engraçadas foram suprimidas ou reproduzidas de forma não tão engraçada. Ainda estou pensando se o fato de manter os diálogos em francês e inglês nessas línguas foi positivo ou negativo...

Pra quem, como eu, sentiu o desejo de conhecer mais sobre um dos detetives mais famosos da literatura (confesso que ainda dedico 78% do meu entusiasmo com detetives ao Poirot), o chamado "cânon" de Sherlock Holmes consiste em quatro livros - A Study in Scarlet, The Sign of the Four, The Hound of the Baskervilles e The Valley of Fear. Os originais estão em domínio público, por isso existe mais de uma editora com as obras de Doyle no catálogo. Além dos livros, há ainda cinquenta e seis contos 'oficiais' sobre o detetive, que já teve muitos rostos no cinema, no teatro e na televisão, mas bem que poderia se parecer de verdade com o Robert Downey Jr...

Até agora encontrei mais duas resenhas desse livro no Desafio Literário 2012:
A Amanda, do Vivendo entre Livros, detestou a obra. Então, se quiser um contraponto...
Já a Francieli, do Pessoalmente Falando, se divertiu muito com a leitura ;)

Desafio Literário de Março (em março!): O Xangô de Baker Street (Jô Soares)

segunda-feira, 19 de março de 2012

Palhaçada esse meu desafio literário, né? Dois meses, dois atrasos. Pessoas já disseram que meu ritmo de leitura é invejável. Aí eu digo que estou lendo Lolita desde... (pausa pra olhar o histórico de renovações no site da biblioteca) 22 de fevereiro, pouco mais de trezentas páginas de narrativa. Eu poderia culpar a inconveniência dos últimos dias, o muito o que fazer, o retorno das aulas, o trabalho em ritmo alucinante, a crise alérgica, a crise mundial, a crise moral - uma misturinha louca que me faz chegar em casa pedindo pro mundo acabar enquanto eu estiver dormindo.

Colocar a culpa no livro é muito mais fácil. Ainda mais nesse livro. Posso dizer, por exemplo, que o livro me causou emoções demais, impressões demais, e que, por isso, eu precisava de um tempo para me recuperar entre uma leitura e outra. Ou você acha que é fácil ler a autobiografia de um pedófilo? Não, não é nada fácil ficar mudando de opinião o tempo todo sobre os personagens. Passar de aquela-vontade-de-dar-uma-joelhada-no-documento pra aquela-vontade-de-colocar-no-colo-e-fazer-carinho-no-cabelo não é fácil mesmo. Aquele desgaste emocional que só um texto emocionado pode lhe proporcionar.

Também posso usar como desculpa o grande exercício mental pra não ser preconceituosa com os personagens do livro. Porque não dá, absolutamente não dá, pra ultrapassar a vigésima página se ficar julgando a narrativa de Humbert como se ele já estivesse condenado. Ele também tem coração. E ele quer se explicar. Não dá pra prestar atenção no que ele diz se ficar o tempo todo retrucando. E não é fácil desligar o julgômetro.

Outra ótima razão pra ler devagar é que, embora o ritmo seja bastante bom na maioria das vezes, a narrativa esmorece em alguns pontos - principalmente nos primeiros capítulos da parte dois. Sim, porque às vezes o próprio livro pede pra ler devagar. É muito diferente ler três páginas de diálogos e três páginas de descrição de uma parede. Nisso achei Vladimir Nabokov um pouco parecido com Machado de Assis, só que nem tanto. Não sei se achei menos chato porque li Dom Casmurro há muito tempo, num tempo em que não tinha a menor paciência pra esse tipo de coisa, ou se essa característica descritiva é menos acentuada em Lolita. Acontece que as descrições são importantes para a história e é preciso abstraí-las completamente. Um exercício de imaginação um tanto complexo.

Por fim, tenho que confessar que eu torci contra Dolores quase o tempo todo. Aí fiquei com pena dela no final, mas só um pouquinho. No fim era uma mistura de 'coitada...' com 'bem feito!'. Acho que é inevitável não ficar tentando entender o Humbert. Acho que, durante toda a narrativa, o seu objetivo é entender a si, seus instintos e sua moralidade o tempo todo lutando no seu interior. Aquela sensação de você-está-fazendo-isso-errado. O que eu acho mesmo é que preciso conversar com alguém que leu Lolita. Quem se habilita?
Extras

O exemplar que eu li veio da Biblioteca de Humanas, Educação e Artes da UFPR (um beijo!). A capa com certeza tinha sido feita ali mesmo, uma capa dura azul, provavelmente porque arrebentaram com a capa original (vamos cuidar dos livros da biblioteca, gente?), mas a edição era essa da Folha, com tradução de Jorio Dauster (que achei bem boa), primeiro livro da coleção Biblioteca Folha. No link da edição tem outras informações interessantes sobre o livro, inclusive artigos publicados na Folha sobre a obra. E o exemplar foi doado por um professor do meu curso (informação irrelevante do dia!). Apesar de ter a letra pequena (eu achei, mas sou cega), é uma edição de bolso, então não dá pra reclamar. 

No Skoob do livro dá pra ver outras edições. Lolita no Brasil está somente no catálogo da Alfaguara, apesar de já ter sido publicada pela Companhia das Letras, inclusive pela Companhia de Bolso, pela Record, pela extinta Círculo do Livro... A edição da Alfaguara tem tradução de Sergio Flaksman e uma arte de capa linda (desejei). Apesar de Vladimir ser russo, quem gosta de ler no original pode ficar mais tranquilo porque a obra foi escrita em inglês. O livro aparentemente ainda não está em domínio público, então quem quiser deve comprar, pedir emprestado de quem tem ou procurar uma biblioteca, tá?

Lolita foi adaptada em pelo menos dois filmes (1962, direção de Stanley Kubrick, o cartaz é ótimo) (1997, direção de Adrian Lyne), um musical, quatro peças de teatro, uma ópera completa e dois balés e ganhou uma paródia de Umberto Eco, Granita. Os termos 'Lolita' e 'ninfeta' ficaram registrados na cultura pop como a designação da garota sexualmente (e precocemente) desenvolvida. Daí muitas referências em músicas - de Katy Perry e Celine Dion a Marilyn Manson e The Police, filmes - Beleza Americana (1999), Flores Partidas (2005), Manhattan (1979), e outros livros - O Diário de Lô (foi publicado pela Objetiva, mas está fora do catálogo), Lendo Lolita em Teerã (A Girafa e BestBolso), entre outros.

Pra quem gosta de livros altamente recomendados, vou lembrar que Lolita consta nas listas da Time (Os 100 melhores livros de ficção publicados desde 1923), da Modern Library (Os 100 melhores livros de ficção), do Le Monde (Os 100 livros do século) e na World Library (uma lista dos cem melhores livros organizada em 2002 com consulta de 100 autores de 52 países). Pra quem gosta de coisas proibidas, Lolita já foi censurado na França, Inglaterra, Argentina, Nova Zelândia e África do Sul. Apesar disso, não achei as cenas picantes tão picantes. Só o tema que é bem pesado, mas narrado com bastante... pudor.

Vocês gostam de ler essas informações extras além da resenha?

Desafio Literário (de fevereiro): Lolita - Vladimir Nabokov

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

"O tipo de livro que eu não imaginaria que você leria". Uma mistura de autoajuda com auto-biografia, e com certeza por isso se tornou um best seller. Cheio daquelas frases tocantes, sabe como é, não sabe? Cheio daquelas coisas que, no fundo, todo mundo sabe, só que às vezes se esquece. Por exemplo, que é bom ter um tempo só pra você. Ou que relacionamentos são difíceis. Ou que você precisa saber conviver consigo, com seus pensamentos e com sua própria solidão, antes de conviver com outras pessoas.

Não foi nada transformador. Francamente, quem se diz "transformada" por um livro como esse precisa de muita coisa na vida. Não que seja um livro ruim. Foi uma leitura agradável. Muito agradável, na maior parte do tempo. O ritmo do livro é quase sempre bem marcado. A personagem principal - a autora, né? - se expõe na medida certa. Você se sente próxima. E ela tem senso de humor, o que é ótimo. Mas, caramba, é um livro, com uma história, que nem é a melhor do mundo.

A narrativa mescla o tempo presente com os flashbacks que são uma espécie de por que eu cheguei até aqui. E eles são bastante frequentes na primeira parte que, paradoxalmente, fala sobre prazer. Digo paradoxalmente porque são lembranças bem feias, daquelas que a gente não quer lembrar. Divórcio, abandono, depressão, e esses sentimentos de falta de fé na vida que eu simplesmente não consigo aceitar, muito menos entender.

Então vem o prazer. Eu me lembro das aulas de sociologia no meu primeiro ano de faculdade (e ó, faz teeeempo) em que o meu professor dizia que o hedonismo (que é uma doutrina que afirma que o homem chega ao seu objetivo supremo através do prazer, mas que, na época, ele definiu apenas como a busca pelo prazer) era um grande mal dessa época. Outro paradoxo: essas pessoas que tão desesperadamente procuram o prazer, procuram nos lugares errados e pensam que encontraram. Elas não sabem sentir prazer.  Sabe aquele sujeito que sai de férias, mas não consegue relaxar? Aquelas pessoas que comem, mas não sentem o gosto da comida? Que viajam, mas não param pra apreciar o pôr do sol?

(Vamos abrir um parênteses para falar sobre a gastronomice do livro, já que ficou na categoria literatura gastronômica do Desafio Literário: eu fico com fome só de pensar nas delícias tão cuidadosamente descritas no terço italiano do livro. Basta?)

Mas parece que o prazer é feio. Porque depois sempre vem aquela culpa, né? Você está aí de férias, enquanto poderia estar ganhando dinheiro. Está comendo essas calorias que vão parar no seu quadril e não sairão nunca mais. E porque parou pra ver o pôr do sol, acabou pegando esse trânsito horrível na Avenida Iguaçu. Ou por que, afinal, você não deixa essa vida capitalista mesquinha para se dedicar a algo maior? Parece que a devoção é o oposto do prazer. Mas tem que ser? Elizabeth passou meses dentro de um ashram, num retiro espiritual. Todo o auto-conhecimento e a libertação dos fantasmas que ela ainda abrigava valeram a pena. Mas será que a devoção é mesmo o oposto do prazer?

Então vem o equilíbrio. E, com o equilíbrio, o amor. Chegam de mãos dadas, com suavidade, um empurrando o outro. O fato é que quando você está bem consigo, você consegue ficar bem com os outros. Quem não se suporta é mesmo insuportável. Então a busca pelo equilíbrio, na verdade, fala sobre todo tipo de relacionamento e sobre toda forma de amor.

Mas ninguém precisa ir à Itália para ter prazer na vida. Nem se trancar num retiro espiritual para se encontrar com Deus. Ou consigo mesmo. Muito menos passar em Bali para descobrir o que é ter uma vida equilibrada. E ninguém precisa ler Comer, Rezar, Amar para descobrir isso. Por isso que esse livro não transforma. Só fala de algumas coisas óbvias que talvez você não tenha prestado atenção.

Site da autora

PS: Estou lendo Comprometida e gostando muito mais.

Desafio Literário (de janeiro): Comer, Rezar, Amar (Elizabeth Gilbert)

domingo, 18 de dezembro de 2011


Eu sou teimosa. Quando na metade do ano eu tive que desistir do desafio literário deste ano, achei que não entraria no próximo desafio também. Na verdade, eu realmente não entraria. É que quando anunciaram 'As inscrições foram prorrogadas!' eu entendi 'Não vamos parar de anunciar enquanto você não se inscrever!'. Então, já que é assim, preparei a minha listinha. Listinha é eufemismo, claro, porque eu resolvi fazer uma lista com bastante opções pra ter mais liberdade de escolher conforme o feeling do momento.

Janeiro - Literatura gastronômica: a descrição diz que valem livros de todos os gêneros, desde que versem sobre a temática comida. É meio difícil saber se o livro fala mesmo sobre comida, principalmente se você pensar que tem muito livro aí cujo título não tem nada a ver com o negócio. Como no DL só valem livros que eu nunca li, eu deduzi que estes versam sobre comida, porque tem comida no título.


Comer, rezar, amar - Elizabeth Gilbert (Skoob) (Comprar) (Resenha) Atualização!
O restaurante no fim do universo - Douglas Adams (Skoob) (Comprar)
Tea at Glenbrooke - Robin Jones Gunn (Skoob) (Comprar)
Let them eat cake - Sandra Byrd (Skoob) (Comprar)
Baunilha e chocolate - Sveva Casati Modignani (Skoob) (Comprar)
Chocolate - Joanne Harris (Skoob) (Comprar)
Cinco quartos de laranja - Joanne Harris (Skoob) (Comprar)
O clube das chocólatras - Carole Matthews (Skoob) (Comprar)
A dieta das chocólatras - Carole Matthews (Skoob) (Comprar)
Sem açúcar, com afeto - Sonia Hirsch (Skoob) (Comprar)

Fevereiro - Nome Próprio: Essa foi a categoria mais fácil. Primeiro, porque qualquer livro que tenha um nome próprio de pessoa como título vale, não importa o conteúdo. Segundo, porque se o tema está no título fica fácil de achar, né? Incluí vários títulos que eu queria ler faz tempo.


Jane Eyre - Charlotte Brontë (Skoob) (Comprar)
Julieta - Anne Fortier (Skoob) (Comprar)
Hadassah - Tommy Tenney e Mark Andrew Olsen (Skoob) (Comprar)
Ulisses - James Joyce (Skoob) (Comprar)
Coraline - Neil Gaiman (Skoob) (Comprar)
Dom Quixote - Miguel de Cervantes (Skoob) (Comprar)
Helena - Machado de Assis (Skoob) (Comprar)
Euridice - José Lins do Rego (Skoob) (Comprar)

Março - Serial Killer: Parecia ser facílimo, mas não. Isso porque eu sou chata e não aceito que se classifique qualquer policial como serial killer. (A Sangue Frio, por exemplo, apesar de ter sido sugerido nos comentários das sugestões do DL, NÃO é sobre um serial killer. Eles mataram uma família, e foi com objetivo de roubo. Se tivessem matado outras famílias...). Os assassinos em série não simplesmente são pessoas que matam mais de uma pessoa. Assassinos em série matam várias pessoas geralmente com um modus operandi, uma assinatura, um padrão de vítimas... Pode ser até que algum livro da lista não se encaixe, porque né... eu ainda não li pra ter certeza ;)


O silêncio dos inocentes - Thomas Harris (Skoob) (Comprar)
Os crimes ABC - Agatha Christie (Skoob) (Comprar)
Perfume - Patrick Suskind (Skoob) (Comprar)
O psicopata - Robert Bloch (Skoob)
Cai o pano - Agatha Christie (Skoob) (Comprar)
E não sobrou nenhum (O caso dos dez negrinhos) - Agatha Christie (Skoob) (Comprar)
A noite das bruxas - Agatha Christie (Skoob) (Comprar)
Dexter - Jeff Lindsay (Skoob) (Comprar)
Querido e devotado Dexter - Jeff Lindsay (Skoob) (Comprar)
Dexter no escuro - Jeff Lindsay (Skoob) (Comprar)

Abril - Escritor Oriental: Um dos temas mais difíceis porque não basta ser um livro sobre o oriente. Na verdade, nem precisa ser, desde que o escritor tenha nascido na Ásia. A descrição fala em autores do extremo oriente e do sul da Ásia, mas não vejo porque descriminar o restante da Ásia. (Inclui autores da Rússia, mas apenas os nascidos na Rússia asiática)


O caçador de pipas - Khaled Hosseini (Afeganistão) (Skoob) (Comprar)
Atrevi-me a chamar-lhe Pai - Bilquis Sheikh (Paquistão) (Skoob) (Comprar)
Guerra e paz - Liev Tolstoi (Rússia) (Skoob) (Comprar)
A casa das belas adormecidas - Yazunari Kawabata (Japão) (Skoob) (Comprar)
Bordados - Marjane Satrapi (Irã) (Skoob) (Comprar)
Mel de leão - David Grossman (Israel) (Skoob) (Comprar)
Mao, a história desconhecida - Jung Chang (China) (Skoob) (Comprar)
Não me abandone jamais -Kazuo Ishiguro (Japão) (Skoob) (Comprar)
Jovens de um novo tempo, despertai! - Kenzaburo Oe (Skoob) (Comprar) Atualização!

Maio - Fatos históricos: Essa foi facílima. A maioria dos livros já estava na minha lista. Vou até dar duas dicas ótimas de livros que têm muita história e é, ao mesmo tempo, são incríveis: Incidente em Antares - Érico Veríssimo e O Nome da Rosa - Umberto Eco. Pena que não pode releitura. Mesmo não gostando de ler um livro duas vezes, esses eu ainda quero ler de novo!


A casa das sete mulheres - Leticia Wierzchowski (Revolução Farroupilha) (Skoob) (Comprar)
O menino do pijama listrado - John Boyne (Segunda Guerra Mundial) (Skoob) (Comprar)
Apátrida - Ana Paula Bergamasco (Segunda Guerra Mundial) (Skoob) (Comprar)
O leitor - Bernhard Schlink (Segunda Guerra Mundial) (Skoob) (Comprar)
To die for - Sandra Byrd (Dinastia Tudor) (Skoob) (Comprar)
Memorial do convento - José Saramago (Inquisição) (Skoob) (Comprar)
A escrava Isaura - Bernardo Guimarães (Escravidão no Brasil) (Skoob) (Comprar)
E o vento levou - Margaret Mitchell (Guerra de Secessão) (Skoob) (Comprar)
Hilda Furacão - Roberto Drummond (Ditadura Militar no Brasil) (Skoob) (Comprar)
Os sertões - Euclides da Cunha (Guerra de Canudos) (Skoob) (Comprar)

Junho - Viagem no tempo: Eu não levei fé que houvesse livros suficientes pra justificar um tema pro DL, e não estava tendo muito sucesso com a minha lista até que achei uma série que eu gostei...


A mulher do viajante no tempo - Audrey Niffenegger (Skoob) (Comprar)
A vida, o universo e tudo mais - Douglas Adams (Skoob) (Comprar)
O fim da eternidade - Isaac Asimov (Skoob) (Comprar)
Série Operação Cavalo de Tróia - J. J. Benitez
     Jerusalém (Skoob) (Comprar)
     Masada (Skoob) (Comprar)
     Saidan (Skoob) (Comprar)
     Nazaret (Skoob) (Comprar)
     Cesareia (Skoob) (Comprar)
     Hermón (Skoob) (Comprar)
     Nahum (Skoob) (Comprar)
     Jordán (Skoob) (Comprar)
     Caná (Skoob) (Comprar)

Julho - Prêmio Jabuti: Francamente, achei que seria mais fácil. Quanto livro chato ganhou esse negócio, né? Nos indicados, eu só achei três pra cada ano e categoria. É isso mesmo, produção? Nas regras só valem as categorias Livro do Ano e Romance, mas não diz se Livro do Ano é só de ficção... Aproveitei pra ver se quebro a implicância com Cristóvão Tezza e ainda fiz uma homenagem pro Chico, que está cantando lá no Guaíra hoje.


O filho eterno - Cristóvão Tezza (2008) (Skoob) (Comprar)
Leite derramado - Chico Buarque de Holanda (2010) (Skoob) (Comprar)
A hora da estrela - Clarice Lispector (1978) (Skoob) (Comprar)
O fotógrafo - Cristóvão Tezza (2005) (Skoob) (Comprar)
A descoberta da América pelos turcos - Jorge Amado (1995) (Skoob) (Comprar)
Joias de família - Zulmira Ribeiro Tavares (1991) (Skoob) (Comprar)
Luisa - Maria Adelaide Amaral (1987) (Skoob) (Comprar)
As meninas - Lygia Fagundes Telles (1974) (Skoob) (Comprar)
O coronel e o lobisomem - José Candido de Carvalho (1965) (Skoob) (Comprar)

Agosto - Terror: Tentei não preencher toda a lista com Stephen King. Eu nunca li nenhum desses. Acho que o único livro de terror que eu já li foi Descanse em paz, meu amor, do Pedro Bandeira. Fui pegando o que diziam que era de terror.


Carrie, a estranha - Stephen King (Skoob) (Comprar)
O iluminado - Stephen King (Skoob) (Comprar)
Os estranhos - Stephen King (Skoob)
Lugar nenhum - Neil Gaiman (Skoob) (Comprar)
Assassinatos na rua Morgue e outras histórias - Edgar Allan Poe (Skoob) (Comprar)
Frankenstein - Mary Shelley (Mais alguém escrevia Frankstein?) (Skoob) (Comprar)
O médico e o monstro - Robert L. Stevenson (Skoob) (Comprar)
Noite na taverna - Álvares de Azevedo (Skoob) (Comprar)
A estrada da noite - Joe Hill (Skoob) (Comprar)
Eu sou a lenda - Richard Matheson (Skoob) (Comprar)

Setembro - Mitologia Universal:  O tema mais difícil entre todos! Não que não haja livros com mitologia. É que a maior parte dos que eu encontrei foram escritos para pessoas menores de catorze anos e... não me empolgaram muito. Aceito sugestões!


A divina comédia - Dante Alighieri (Skoob) (Comprar)
Odisséia - Homero (Skoob) (Comprar)
Deuses americanos - Neil Gaiman (Skoob) (Comprar)
O livro perdido das bruxas de Salém - Katherine Howe (Skoob) (Comprar)
A canção de Tróia - Colleen McCullough (Skoob) (Comprar)
A maldição do tigre - Colleen Houck (Skoob) (Comprar)

Outubro - Graphic Novel: Eu achei que seria difícil. Até pensei em incluir Tintim. Eu já li vários dele na infância - na infância eu quero dizer quando tinha uns oito anos. Mas eu nem me lembro quais eu li e quais eu não li. (Aposto que se eu ler um pedacinho da história eu reconheço. Tinha umas tiradas tão boas que eu me lembro até hoje! hahaha). Mas quando fui pesquisando, fiquei com vontade de tudo! Aí resolvi pegar os mais diferentes e diversificados possíveis. O difícil vai ser escolher na hora de comprar...


O curioso caso de Benjamin Button - Nunzio DeFilippis, Christina Weir, F. Scott Fitzgerald e Kevin Cornell (Skoob) (Comprar)
Retalhos - Craig Thompson (Skoob) (Comprar)
A cidade do pecado - Frank Miller (Skoob)
Blues - Robert Crumb (Skoob) (Comprar)
Capitalismo para principiantes - Carlos Eduardo Novaes e Vilmar Rodrigues (Skoob) (Comprar)
Lovecraft - Hans Rodionoff, Enrique Breccia e Giffen (Skoob) (Comprar)
Capote no Kansas - Ande Parks (Skoob) (Comprar)
Moby Dick - Bill Sienkiewicz (Skoob) (Comprar)
V de vingança - Alan Moore, David Lloyd (Skoob)

Novembro - Escritor africano: mais fácil do que eu pensava. Só queria ter algum autor do norte da África também... Alguém sabe?


Cotoco - John van de Ruit (África do Sul) (Skoob) (Comprar)
O último voo do flamingo - Mia Couto (Moçambique) (Skoob) (Comprar)
O Hobbit - J. R. R. Tolkien (África do Sul) (Skoob) (Comprar)
A sociedade do anel - J. R. R. Tolkien (África do Sul) (Skoob) (Comprar)
As duas torres - J. R. R. Tolkien (África do Sul) (Skoob) (Comprar)
O retorno do rei - J. R. R. Tolkien (África do Sul) (Skoob) (Comprar)
O vendedor de passados - José Eduardo Agualusa (Angola) (Skoob) (Comprar)
Desonra - J. M. Coetzee (África do Sul) (Skoob) (Comprar)
A arma da casa - Nadine Gordimer (África do Sul) (Skoob)

Dezembro - Poesia: fiz questão de incluir também alguma poesia em inglês, pra acostumar com o ritmo da poesia em outra língua ;) Também quis variar bastante os poetas, com vários estilos, origens e temáticas.


Antologia poética - Vinicius de Moraes (Skoob) (Comprar)
Antologia poética - Carlos Drummond de Andrade (Skoob) (Comprar)
Antologia poética - Fernando Pessoa (Skoob)
Espumas flutuantes - Castro Alves (Skoob) (Comprar)
Romanceiro da inconfidência - Cecília Meireles (Skoob) (Comprar)
Cem sonetos de amor - Pablo Neruda (Skoob) (Comprar)
Caderno H - Mário Quintana (Skoob) (Comprar)
Para não dizer adeus - Lya Luft (Skoob) (Comprar)
The poetical works of Robert Browning - Robert Browning (Comprar)
Poesia - T. S. Eliot (Skoob) (Comprar)

PS: Esse post contém 296 links e 106 imagens. Pelo menos finjam que ficou bom, porque deu MUITO trabalho ;)

Desafio Literário 2012 - Minha listinha