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sábado, 26 de julho de 2014

Eu nunca tive quatro avós.

Quando eu nasci eram três. E as histórias de uma avó Adelina, que foi homenageada com o meu nascimento - Annie Adelinne. Quando penso em vó Adelina, penso em uma mulher que sofreu muito. Não sei se é justa a imagem que eu tenho dela, mas é que não a conheci. Mineira, muquirana, muito honesta, batalhadora, mãe de 11 filhos, muitas vezes sozinha, algumas vezes solitária. Vi três ou quatro fotos da minha avó Adelina, que morreu de uma doença que, hoje, é a coisa mais besta do mundo: pedra na vesícula. A história da conversão dela é uma das mais lindas que eu conheço.

Quando meu irmão nasceu, três anos depois, já eram apenas dois. A imagem do vô Joviniano e do seu bigode, no entanto, só recordo das fotos que vi. Mas as histórias são tantas, que ele parece viver ainda através delas. Poderia ser um personagem de Ariano Suassuna ou de Jorge Amado. É o sanfoneiro profissional a quem toda a família se refere quando diz, orgulhosa "eu tenho a música no sangue". Festeiro, despreocupado, irreverente, mulherengo, muitas vezes ausente, mas nunca esquecido. Até na hora da morte estava distribuindo o que tinha, o chapéu a um, o relógio a outro...

Quando eu casei, era uma só. Meu avô Almerônio foi o avô que eu tive na vida. Ainda consigo ouvi-lo dizer "Menino malino! Fica bulinando no que não deve!" Lembro da sala onde ele fazia serigrafia, onde a presença de netos era proibida, o que só tornava as coisas mais interessantes. Eu, a única neta que foi morar longe, sempre fui alvo de mimos. Não podia pensar alto que tinha vontade de alguma coisa, que ela aparecia. Era quase mágica. Lembro de quando ele dirigiu da Bahia até Foz do Iguaçu, com o carro cheio de guloseimas baianas - um saco cheio de jambo só pra mim. Lembro de como ele acordava cedo e ligava o rádio do carro, tocando Roberto Carlos. Seu jeitinho discreto de dizer pro mundo que não é hora de dormir.

[O próximo parágrafo é triste, não pude deixar de escrever, faz parte da minha história com os meus avós, mas se quiser, pule para o próximo]

Lembro de quando minha mãe recebeu a notícia do câncer. Lembro do estado triste em que ele estava em sua última semana de vida, e agradeço a Deus por ter visto, por estar presente naquele momento, o último. Lembro do último olhar, quando me despedi dele pela manhã. Lembro de quando eu saí do banheiro do hotel em Salvador, pronta pra fazer um comentário indiscreto, e encarei três caras de assombro. Foi a primeira vez em que morreu alguém que eu conhecia. O choro do meu irmão, nos meus braços, dizendo que não queria ver morto o nosso avô. A viagem insone de volta ao interior da Bahia, acompanhando minha mãe. O choro cortante da minha avó. O cemitério, o momento exato em que ele foi descido à cova. Exatamente um mês depois, as lágrimas que eu segurava explodiram, enquanto o sol se punha no mar de São Luis do Maranhão. Ninguém disse nada. Não precisava. Há três anos e 11 dias meu avô morreu, e no dia 15 de julho de 2014 eu chorei de novo.

 

Hoje eu tenho uma avó. Vó Lourdes. A Dona Lourdes que todo mundo conhece. "Sou neta da Dona Lourdes" é um currículo completo em Camacan/BA. A única avó que eu conheci. Doce, sensível, disposta, batalhadora, talentosíssima. Todo mundo nessa família acha que prega um botão melhor que os outros, afinal, "minha avó é costureira de mão cheia". Ela fez o meu vestido de noiva à distância - eu só provei uma vez, com uma semana de antecedência. Mas isso porque ela tem experiência, com um armário cheio de vestidos de princesa das netas, quase uma linha do tempo em fita de cetim. Minha vó é uma fofa, e quem conhece concorda.

Eu nunca tive quatro avós, mas nunca me faltou. Eu não convivi tanto tempo com meus avós, como outros primos, mas nunca me faltou. Os avós que eu tive, pelo tempo que eu tive, e a avó que eu tenho ainda hoje, que deixa inbox no facebook com "BEIJOS DA VOVÓ", eles são mais do que eu mereço ♥

Dos avós que eu tive

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Parece que eu entrei no tornado de Oz e de repente estou nessa vida diferente. De vez em quando vem aquela sensação de "Ei, essa é a minha vida a partir de agora." e às vezes aquela dúvida "Isso aqui é a vida real ou eu vou acordar?". Não é a arena dos jogos, não é o país das maravilhas... só que muita coisa é diferente agora.



A #alunafederal agora é egressa. A #estagiária agora é desempregada dona de casa. A #estudantededireito agora faz a sua própria agenda de estudos. A minha #metadecuritibana ainda não se conforma com o verão africano de Foz do Iguaçu (e tudo o que acompanha esse clima quente e úmido pra fazer inveja à selva amazônica). Quem vivia #movidaamúsica agora está viciadíssima em séries (se a Netflix me pagasse pra fazer propaganda...). A #namorada agora é esposa, com direito a nome comprido e tudo mais. A #profissional ainda está pensando o que vai fazer da vida. 

É, muita coisa mudou, e não dá pra voltar atrás. Não que eu esteja arrependida. É que essa história de que nem se eu quisesse eu poderia desfazer isso tudo dá um frio na barriga, afinal de contas, as decisões já foram tomadas. Estou aqui, com aquele medinho lá no fundo, mas feliz, iniciando um novo ciclo, uma nova fase, cheia de novos marcadores para os novos posts do blog que... bom, esse é o de sempre.

Dinâmica

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012



Os últimos meses foram os mais difíceis para este blog. O maior período de silêncio para mostrar que esse negócio de greve não facilita a vida de ninguém. "Ai, que beleza, quatro meses de férias" uma ova. Quatro meses de estudo, seguidos por cinco meses de... jogos vorazes acadêmicos. Eu sou da turma do penúltimo ano, que não tem todo tempo do mundo pra recuperar o tempo perdido, mas que ainda assim entrou em greve (os últimos anos nunca entram em greve, pelo menos não aqui).

Então, nos últimos meses eu tive milhares de trabalhos e provas e trabalhos e artigos e provas em sequência. Sem contar que, além de estudar, eu tenho um trabalho e um estágio, tenho um namorado e uma família, tenho uma pretensão ao mestrado, tenho coisas demais pra manter um blog ativo em plena arena. 

2012, que pra mim só acaba em fevereiro, foi um ano de muita correria, mas que também teve bons resultados. A minha biblioteca triplicou, as minhas notas subiram, consegui participar da vida das pessoas que amo, comecei a trabalhar na área que eu mais gosto na vida, o mundo não acabou, tive um artigo aceito em uma conferência internacional sediada no Japão, terminei o ano no azul.

Aliás, lembram do projeto 101 em 1001? Os 1001 dias terminariam em novembro de 2012, e embora eu não tenha cumprido toda a lista, consegui algumas coisas interessantes. Fui ao Rio e a Foz do Iguaçu, também a uma praia em SC e a Florianópolis, que é uma ilha, e a São Luis, onde nunca pensei que fosse chegar tão cedo. Encontrei minhas amigas de infância e descobrimos que todo o nosso "em comum" hoje se resume às lembranças. Li muitos livros. Vi vários filmes. Comecei a acompanhar algumas séries. Dei muitos presentes.

O Com tudo o que sou também teve seus momentos, com várias postagens muito visualizadas, e eu espero continuar nessa força pra fazer um post específico em seguida, pra não ficar devendo. Quem andou mais parado ainda foi o Verbete Legal, que é uma ideia super legal, mas que precisa de mais inspiração do que pra escrever aqui, onde qualquer coisa vira assunto.

Eu não vou prometer nada, exceto que os blogs continuarão aqui. Pode ser que venham muitos posts depois desse, pode ser que só quando eu estiver de férias, ou talvez só depois das férias. Talvez eu só venha aqui esporadicamente, mas vou manter esse cantinho. Estou estudando uns colaboradores com postagens mensais ou semanais, pra não deixar a peteca cair quando eu estiver no sufoco do TCC, do estágio obrigatório ou das provas para o mestrado.

Então, quando o blog parecer assim, meio abandonado, quero que vocês tentem ficar felizes por mim, porque isso significa que provavelmente estou muito ocupada fazendo alguma coisa que me deixa ainda mais feliz que isso aqui. E olha que meus blogs me deixam muito, muito feliz.

Não sei se amanhã ou bem depois, mas a gente se vê ;)

Adeus, 2012

segunda-feira, 2 de abril de 2012

No dia da literatura infantil, uma homenagem e um desejo.

A um dos livros que marcaram a minha infância, a homenagem.
(Esse concorre juntinho com o Sitio, mas to economizando pro dia do Monteiro Lobato)


A todas as crianças do presente e do futuro, o desejo: que elas sempre tenham um livro amigo.

Carregando livros nas fraldas

domingo, 29 de janeiro de 2012

Leitora desde criancinha. Pra quem já lia aos três anos, não poderia ser diferente. Uma das lembranças mais legais da minha infância numa cidade pequenininha no interior do Paraná era quando minha mãe me levava com ela para a faculdade. Eu já sabia o caminho da biblioteca de cor, e enquanto ela assistia às aulas, eu ficava na biblioteca até ela aparecer e eu implorar pra levar uns dez livros pra casa. Depois nós esperávamos no ponto de ônibus pra voltar pra cidadezinha onde morávamos comendo sonho de goiabada que era vendido na porta da faculdade a cinquenta centavos.

Foi nessa parte da minha infância que eu conheci a Emília, a Clara Luz e o Tintim. Eu me sentava ao pé da estante de literatura infanto-juvenil, retirava os livros e os devorava ali mesmo, no chão. Lendo, relendo, relendo... A coleção do Tintim era quase completa. Não que eu soubesse o que era uma graphic novel. É claro que eu consumia todas as revistinhas da Turma da Mônica, mas o Tintim não era uma revistinha. Ora, só porque vem em quadrinhos, não deixa de ser um livro. Um livro em forma grande, mas que não tinha muitas páginas - o Sítio do Picapau Amarelo tinha livros maiores -, de capa dura e todo colorido.

Minha mãe se formou há uns dez anos... eu nunca mais vira o Tintim. Encontrava a Emília o tempo todo, e tive um pequeno ataque de histeria quando descobri a Clara Luz na biblioteca da faculdade onde agora eu era a aluna, mas o Tintim só me encontrou de novo recentemente, quando vieram os rumores sobre o filme. De repente as livrarias muniram-se de exemplares - infelizmente não como aqueles da infância, uns de capa flexível ou edições comemorativas do texto adaptado para o cinema - e, poxa vida, eu tinha que assistir a esse filme!

Não só assisti, como arrastei o namorado - que comprou a tal edição especial de presente de aniversário para o irmãozinho que agora tem 12 anos - o cunhado e a sogra para ver a sessão promocional da quarta-feira, já que só estão passando o filme em 3D na Roça Foz do Iguaçu e é caro levar todo mundo em sessões mais tranquilas. 

A adaptação foi das melhores que eu já vi. Muitas coisas foram modificadas, mexendo até no curso da história escrita por Hergé, mas foram muito bem feitas. Por exemplo, no filme, o Capitão e o Tintim não se conheciam, no livro, a história começa quando o Tintim compra uma réplica de um navio para presentar o Capitão, mas isso não compromete a história e deixa as coisas até mais interessantes, já que você perde um pouco da sensação de continuidade quando o enredo muda drasticamente.

Outra coisa que eu amei foi a adaptação do desenho 2D para a animação nas telas. Preferi não ver nenhum trailer, nenhuma crítica, nenhum comentário, então ainda tinha a curiosidade de como os meus amiguinhos de desenho seriam retratados. Gostei do trabalho que fizeram com eles! Só um detalhe contou em desfavor: os efeitos 3D. Que efeitos 3D?! Eram quase todos muito sutis... assim nem tem graça, né? Aquele jogo de sombras que você não consegue assistir direito sem os óculos, nem vê muita coisa com eles. Eu sempre fico meio decepcionada quando sou obrigada a ver um filme em 3D porque geralmente pago mais caro por algo que não compensa...

O filme é divertido, leve, e ao mesmo tempo traz cenas emocionantes de ação e mistério, assim como as histórias do incrível Hergé. Para públicos de todas as idades, para os que já conheciam o Tintim e para os que nem gostam de ler, aproveitem as férias e as meias entradas enquato podem! (Quem não tem férias nem meia entrada, sinto muito ajuda?)

PS: Assisti o filme dublado e ouvi dizer que alguns dubladores eram os mesmos do desenho animado do Tintim. Não sei dizer porque não assistia o desenho. Acho que não era do meu tempo...

As aventuras de Tintim (filme)

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Sierra, quanto teeeempo! Você não sabe o quanto eu esperei para ter notícias suas! Espero que não suma de novo, hein? Sabe que eu sempre me identifiquei mais com você do que com qualquer outra pessoa que eu conheci através da Cris. A gente combina, né? Até nos cachinhos! hahaha Olha, depois de tanto tempo, eu pensei que estaríamos mais distantes, mais diferentes, mas amizade de verdade é assim mesmo. Não importa quanto tempo a gente fique sem se falar, quando acontece aquele encontro ainda temos a mesma afinidade, o mesmo papo gostoso de sempre. Muito bom ver você!

Eu tinha ficado um pouco chateada, sabe? Eu soube que você esteve no Brasil. O quê? Por quatro anos? Poxa... e nesse tempo todo você sumiu! Tão pertinho de mim! Fiquei decepcionada mesmo, mas depois de saber que você está cheia de notícias, me animei logo! Você sabe que eu também cresci e mudei bastante. Não sou mais aquela pessoinha corajosa, espevitada e que se dava bem com todo mundo. Mas olha, você também mudou! E mudou igualzinho a mim!
Ela não era mais aquele lírio resplandecente, rápida para falar a qualquer um o que eles deveriam fazer com suas vidas. Em vez disso, ela se tornou uma observadora silenciosa e despretensiosa. O engraçado era que ela não fazia ideia do que fazer com a própria vida, quanto mais do que aconselhar aos outros.
A parte mais engraçada é que estou achando que estamos ainda mais parecidas do que antes. Você até arranjou um namorado parecido com o meu! E olha que eu comecei a namorar primeiro, hein? Enquanto eu lia sobre como vocês se conheceram, torci demais por vocês. Demais mesmo! Vocês formam um casal muito lindo. Tenho certeza que vai dar tudo certo entre vocês. Dessa vez vai, amiga!

Aqui, só tem umas coisinhas que vou te contar, hein! Como assim em quatro anos você só sabe falar 'Boa tarde' e 'Obrigada'? Mesmo você não sendo o primor linguístico, não acha que faltou um esforço, não? Poxa, quatro anos em um país e você não aprende a falar a língua deles? Não consegue entender o que o povo fala? Não acha que se acomodou demais só falando em inglês com a Mariana o tempo todo? Outra coisa, eu sei que é sua terra e tudo mais, você sente saudades... mas não acho que aí seja tudo melhor, não. Mas, como dizem, não existe lugar como o nosso lar.

Ahhh, e o Paul, hein? Não sei como você conseguiu. Tem que ter muito estômago. Se bem que... nada melhor do que encarar aquela paixão antiga e perceber que não rola mais nada, né? Mas mesmo assim, existem coisas totalmente desnecessárias. E a Tânia continua a mesma, né? Desculpa, é sua irmã, mas ô gentinha insuportável!

Mas bem... o que interessa é que você conheceu o Havaí, está feliz e contente, voltando pra casa com um namorado e tudo mais. Uhul! Estou super feliz por você! A gente se fala, hein? Beeeijos!!
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Esse livro faz parte da Série Love Finds You, uma iniciativa da Editora Summerside com histórias escritas por diversos autores de ficção cristã em diversas localidades dos Estados Unidos, trazendo um pedacinho de cada um dos cinquenta estados para o leitor. A editora não me presenteou com um exemplar; o livro que eu li foi emprestado pela Cíntia, que também escreveu uma resenha. Ou melhor, ela escreveu uma resenha. Eu escrevi quase isso haha Dá pra comprar pelo site da autora Robin Jones Gunn, pela Amazon, pela Livraria Cultura... Se quiser ganhar de presente, para dar a dica para os seus amigos do Skoob, a página do livro é essa aqui. Livro de graça mesmo e sem precisar da ajuda de ninguém é na biblioteca, mas eu não sei de nenhuma que tenha esse livro. Se você souber, informe nos comentários, por favor. (A capa diferente é da edição para Kindle)

Love finds you in Sunset Beach, Hawaii - Robin Jones Gunn

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

O mês de dezembro sempre me deixa ansiosa. Não por presentes ou por árvore de plástico enfeitada. Nós nunca tivemos um desses Natais com casa enfeitada e peru na mesa. Eu nem me lembro de um Natal com toda a minha família reunida. Na verdade, eu nem sei se já passei algum Natal que não fosse como família convidada no Natal dos outros. Também nunca ganhei presentes de Natal e nem por isso sou traumatizada com a data. Na verdade eu nunca ganhei muitos presentes, sempre vivi com o básico.

O que me encanta no Natal não são as luzes, nem os presentes, nem o tal do sentimento que algumas pessoas economizam o ano inteiro pra dizer que têm coração quando chega a festividade natalícia. O que eu mais gosto do Natal são as músicas. É, aquelas mesmas que irritam 9,5 a cada dez pessoas, segundo as pesquisas do INCEB (Instituto Não Confiável de Estatística do Brasil). Eu ouço músicas de Natal o ano inteiro, em todas as línguas e versões disponíveis, mas nessa época fica ainda mais irresistível encher a playlist com essas canções. Mas essa nem é a melhor parte. Afinal, eu posso ouvir essas músicas quando eu quiser, não é mesmo? A ansiedade toda é por outra coisa.

Ah, as cantatas de Natal! Eu amo os corais, os solos, os grupos, as peças, enfim... todas essas apresentações que só acontecem nessa época. Especialmente as que eu puder assistir ao vivo, cantando junto e me emocionando. (Sim, eu choro com músicas de Natal. Todo mundo tem uma fraqueza, né?). Aqui em Curitiba tem duas cantatas que eu já considero como atração turística da cidade.

As crianças cantam nas janelinhas.
O Natal do HSBC acontece no Palácio Avenida - não é nem meu banco, mas eu duvido existir agência bancária mais bonita ;) - e é uma cantata que já acontece há vinte e um anos da qual participam quase duzentas crianças e um convidado especial, geralmente um ator infantil. É algo totalmente comercial que faz muita gente chegar cedo na Boca Maldita com seus banquinhos pra pegar um bom lugar e movimenta o McDonald's e a feirinha da Praça Osório que fica ali do lado. Mas ainda assim é lindo.

Amo quando eles falam "Feliz Nataleluia!" no final!
Só não é mais bonito que o Nataleluia, a cantata de Natal da Primeira Igreja Batista de Curitiba.  (Ainda dá pra assistir a gravação do Nataleluia aqui!)Apresentado nesse formato desde o ano 2000, o Nataleluia é não somente um espetáculo musical, mas também de dança, interpretação, cenografia, luz... mas o mais importante e a razão principal porque o Nataleluia é especial é que as pessoas que fazem parte dele sabem do que estão falando. Elas já tiveram seu Natal. Mesmo quando a parte espetacular não é tão fantástica quanto no ano anterior, ou quando uma falha técnica faz com que o ator tenha que gritar por uns cinco minutos para um público de cerca de quatro mil pessoas que assistem a cantata a cada dia de apresentação, não tem como não sentir a vida brotando de cada letra, cada nota. É isso que eu amo no Natal. 

Foi em uma cantata de Natal que eu tive o meu Natal. Esse esplendor de vida me arrebatou há exatos treze anos, foi quando Jesus nasceu pra mim. Por isso essas cantatas são tão especiais, por isso essas músicas são tão esplêndidas. Elas me lembram a vida que nasceu em mim. Jesus é vida. É Natal.

Feliz Nataleluia!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Houve uma feliz alteração nas minhas escolhas para o Desafio Literário desse mês. Com um tema desafiador, porque não é qualquer um que se presta a ler biografias, da mesma forma que quem lê biografias não costuma ler qualquer coisa. Escolhi os novos livros entre as estantes de biografia da biblioteca. Pela capa, pelas figuras, pela edição, e, claro, pelo biografado. A biografia do Lobato logo me saltou aos olhos. Confesso: o que me fez não querer mais largar o livro (e não querer mais nenhum que não parecesse tão legal quanto esse) foram as declarações infantis sobre como imaginam o autor que preencheu a infância delas com fez com a minha.

Formou-se em Direito em uma renomada faculdade brasileira, onde acendeu sua militância e fez pulsar a veia jornalística, publicando vários artigos. Foi promotor, mas não se descobriu na área jurídica. Tentou ser fazendeiro nas terras que herdou do avô, o Visconde de Tremembé, mas acabou abrindo uma editora e fazendo carreira na literatura. Ô, seu Lobato! Não dá idéia!

Jornalista em São Paulo, foi um grande defensor de uma cultura nossa, brasileira. E não só da cultura, mas de toda a nação. Lutou tanto que ficou com raiva. Típico de Lobato: diz que não crê no Brasil e na sua gente e que quer se manter distante. Mas não consegue se afastar e persiste na luta. Por falar sempre o que quis, acabou preso duas vezes. E levou na esportiva, pra fazer passar raiva quem lhe prendeu. Só não aguentou a mordaça da censura 
"Eu nasci para escrever o que penso; sou escritor, portanto. Mas estou impossibilitado de exercer essa função. Sinto em minha boca um grande batoque enfiado... Uma rolha... Sou um homem desempregado e sem função."
Quis trazer ferro e petróleo ao Brasil. Perseguiu o sonho de Mauá pelo progresso dessa grande nação, que viveu muitos séculos fazendo papel de pobre coitado na economia mundial. Queria ganhar dinheiro na indústria para ter os livros como recreação. Acabou ganhando dinheiro com os livros para perdê-lo na indústria.

Com as crianças, fez sucesso por onde passou. Recebia muitas cartas elogiando seus livros, pedindo conselhos, perguntando se poderiam tê-lo como patrono da biblioteca da escola, e, é claro, dando muitos conselhos. Crianças são atrevidas, e Lobato queria isso delas. Admirava o fato de as crianças exporem suas opiniões sem se importar se elas são mesmo importantes.

Já no fim da vida, sofreu um AVC que lhe deixou uma sequela rara e cruel - teve agrafia. Não perdeu nada de sua consciência ou de seus movimentos, mas não reconhecia o significado dos traços das letras, nem sabia mais como traçá-las. Conseguiu fazer rápidos progressos e reaprendeu a ler. Um novo espasmo o levou de madrugada em 4 de julho de 1948. Foi velado, onde mais?, na Biblioteca Municipal, aplaudido por uma multidão de brasileiros que sempre retribuíram com cartas, convites e aclamações o amor indisfarçável que teve pelo Brasil.

Desafio Literário: Monteiro Lobato

sábado, 5 de fevereiro de 2011

O que é família?

A família é unidade básica da sociedade formada por indivíduos com ancestrais em comum ou ligados por laços afetivos.

A família representa um grupo social primário que influencia e é influenciado por outras pessoas e instituições.

É um grupo de pessoas, ou um número de grupos domésticos ligados por descendência (demonstrada ou estipulada) a partir de um ancestral comum, matrimônio ou adoção.

Dentro de uma família existe sempre algum grau de parentesco. Membros de uma família costumam compartilhar do mesmo sobrenome, herdado dos ascendentes diretos.

Eu acho que discordo de todas essas definições. Até porque, eu tenho quatro famílias e uma é diferente da outra!

Tem a minha família que eu convivo desde a infância. Pai, mãe, irmão e eu. É a família-preparatória. Aquela que a gente aprende a amar desde pequenininho. E aprende mais um montão de coisas também. Foi a minha principal família até agora, mas é claro que não será assim pra sempre. Afinal, essa família serve pra te ensinar o que é uma família. Infelizmente nem todo mundo consegue aprender, e quando chega a vez de ensinar, ensina errado. Isso é a coisa mais triste do mundo, afinal, a família deve ser o grupo mais firme de todos os que existem na sociedade, né? Sem essa família-preparatória, como vai ser sua relação com as outras? (Quer dizer, a minha. Nem sei se vocês tem outras... #empolgada)

A outra família é a família-extendida. No meu caso, eu chamo de família-distante. Porque muita gente tem a sorte ou azar de viver pertinho de todo mundo. Eu vivo longe de avós, tios, primos e tudo mais desde os 5 anos de idade. Pra falar a verdade, nunca morei muito perto, e moro cada vez mais longe. O bom disso tudo é que não tem espaço pra brigar. Quando a gente se encontra é só saudade, só alegria, emoção, e tudo mais. O ruim é que muitas vezes falta intimidade. Eu tenho primos e tios muito chegados. E meus avós, os únicos dois avós que sempre tive, são os amores da minha vida. Mas alguns primos eu só tenho contatos esporádicos por msn e twitter. E aquele negócio de olhar foto no orkut, cada vez mais decadente. 

Eu tenho pouquíssimas histórias de infância com meus primos. Muito poucas lembranças de aventuras, de coisas que só primos fazem. Todas correspondem a períodos de férias, que geralmente não duravam mais que uma semana, ou tinham um hiato de mais de cinco anos. Quer dizer, minha prima vai se formar em Engenharia Civil nessa terça-feira. A última vez em que nos vimos ela tinha acabado de começar o curso. E desde então, a gente não se falou nem dez vezes. Raramente alguma coisa relevante, raramente algum assunto nosso. Falta sabe o quê? Laços afetivos. Esses só existem quando construídos, e nós nunca tivemos tempo para isso. Pena...

Por falar em laços afetivos, a terceira família se formou nisso. Está vendo aquele monte de irmãos ali na descrição? Desses aí o Nino é o único que faz parte da primeira família. Os outros são todos irmãos de coração. Essa família é a mais recente. Deve ter uns cinco anos. Eu sempre me confundo com os anos. É formada por um carinho IMENSO que temos um pelo outro. Tão grande que eu me emociono só em pensar. Um cuidado grande de um para o outro. Uma saudade que faz a gente pegar um avião e ir passar uma semana na casa do outro, e sempre querer ficar mais um pouquinho. Um amor que não sabe o significado da palavra virtual. Só existe a realidade, seja qual for o meio que ele se utiliza para chegar à outra pessoa.

A última família só existe nos meus sonhos, por enquanto. É o meu maior sonho. É a família que eu vou formar a partir de... vocês vão saber quando. Por enquanto só existem duas pessoas nela: Haralan e Annie. Com o tempo chegarão outros integrantes, que depois vão sair de casa e vão adicionar mais pessoinhas lindas a essa família, que na verdade nunca diminui de fato. Só aumenta. Aumenta sempre de um jeito diferente, mas sempre aumenta. Quer saber? Mal posso esperar.

te amo três vezes o infinito ao cubo!!

Família

sábado, 29 de janeiro de 2011

Não sei como foi a infância de vocês, mas a minha eu divido em duas: a garota de cidade pequena e a menina de condomínio. Teve também a época que eu morei na Bahia, mas antes dos cinco anos não conta, combinado?

A garota de cidade pequena morava em uma cidade muito, muito pequena. Tão pequena que ela chegou a estudar na cidade vizinha por um ano. Mesmo sendo uma cidade pequena, a menina era menor ainda e, apesar de andar as nove quadras (não dá pra saber exatamente quanto é isso porque a cidade é tão pequena que o Google achou insignificante mostrar as ruas) que a levavam sozinha até a escola da 1ª à 4ª série, ela não podia andar sozinha por aí pra outros lugares. Afinal, não passava de uma garotinha.

Apesar de o pai da menininha achar que meninas não deviam brincar com meninos, ele não tinha muito o que fazer, afinal, ela era a única menina da rua, e apesar de ser mais velha que todos os meninos, era criança como eles. Pra brincar eles tinham a rua toda. Lá eles brincavam de pega-pega, futebol, alerta... No jardim, gostavam de se pendurar nas árvores e disputar quem chegava mais alto, quem pegava mais ameixas, quem pulava os muros mais depressa. Quando queriam aventura, brincavam no terreno ao lado da casa da menininha. Lá o cenário era quase sempre de guerra. Ela era a enfermeira e gostava de inventar um drama quando alguém se feria. Era sempre tudo muito grave. Quando chovia eles brincavam no pátio da igreja. (Eu não contei que a menina morava nos fundos da igreja?) Lá era muito bom pra brincar de pique-esconde. Depois da chuva iam jogar pedras nas lagoas que se formavam - hoje ela sabe que eram só poças de água - e pular na água, só até as mães descobrirem, o que não era difícil, já que pulavam gritando.

A menina de condomínio não gostava de brincar com as crianças grandes, apesar de ela já ser uma criança grande. Ela achava as outras todas muito metidas e sem imaginação. Com as crianças menores ela tinha muito respeito. Afinal de contas, ela era maior, mais forte e mais inteligente. Quando não descia para o playground, acabava sendo chamada pra resolver alguma briga - meninos sempre brigam. As brincadeiras também havia cenas de guerra, só que dessa vez ela lutava. Também gostava de fazer acrobacias e se pendurar de cabeça pra baixo. E de imitar agentes secretos em missões impossíveis. Ah, e é claro, fazer concursos de quem vai mais alto no balanço.

Os meninos da Rua Paulo pareciam com essas crianças. Eles gostavam de brincar de exército e de péla no terreno onde brincavam, chamado grund. Eram cheios de princípios e valores, como crianças. Já reparou como as crianças dão importância a isso? Pelo menos no meu tempo aquele negócio de 'quem rouba sempre perde' era muito forte. Quando alguém fazia coisa errada, era censurado por todos. Ah, e a lealdade. Coisa feia pra criança é traição. Amigo é amigo até o final. Ler Os Meninos da Rua Paulo é como se sentir criança de novo. É como uma narração da sua própria infância. A história conta a luta dos meninos pelo lugar que tanto amavam - o grund. O lugar que era deles. Todos juntos, corajosos, valentes - um por todos e todos por um. Ah, o romantismo infantil... Às vezes não dá saudade de ser criança?

Agora a avaliação mais técnica. O autor é um dos meninos, embora só algumas vezes ele deixe escapar esse fato. A narrativa é muito expressiva, e eu não pude evitar as lágrimas, sorrisos e risadas. Foram tão bem merecidas que saíram antes que eu pudesse segurar. O livro tem várias notas de tradução, o que foi bom e ruim. Bom porque os nomes húngaros têm uma pronúncia diferente e eu acho legal saber como se pronuncia os nomes das pessoas antes de começar a chamar pelo nome errado. Foi ruim porque tinha notas demais. Reclamo especialmente de quando tinha uma palavra pouco comum, com uma nota indicando sinônimos. Ora, ou deixa o nome difícil ou substitui de uma vez! Acho que, como tradutora, caham, até parece! fiquei muito enjoada com esses negócios.

Não me impressiona que o livro, escrito para o público infantil, tenha ultrapassado todas as barreiras etárias, étnicas, linguísticas... Porque é um livro sobre a infância e porque a infância é universal.

Desafio Literário: Os Meninos da Rua Paulo - Ferenc Molnár