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segunda-feira, 21 de julho de 2014

Não sei se é segredo pra alguém, mas eu estou em eterna conferência via email com alguns amigos mais chegados, conversando sobre todo tipo de coisa útil ou inútil e um dos temas polêmicos do grupo é o feminismo.

Falar sobre o tema é muito complicado, porque não existe um significado uníssono pra esse termo. De um lado, tem o feminismo" formado por putas feitas que não se depilam, odeiam os homens e querem dominar o mundo". De outro lado, tem o feminismo das mulheres oprimidas pelo machismo e pelo patriarcado e que exigem liberdade, mesmo que custe a liberdade alheia, afinal, todos os homens são estupradores em potencial. Enquanto isso, o famoso "feminismo é a luta pela igualdade" vai se tornando um mito...

Por trás da ideia de igualdade e de direito de escolha, existe sempre alguma dominação.


Pra começar, a ideia de igualdade é uma ideia falsa e opressora, porque as pessoas não são iguais. A única coisa que nos faz iguais é o fato de sermos todos humanos, e isso corresponde a um núcleo mínimo de direitos que todas as pessoas devem desfrutar, do qual ninguém pode abrir mão, independente de gênero, idade, cultura, religião ou o que for. Mas fora desse núcleo irredutível que corresponde à dignidade das pessoas, ninguém é igual. E essa é a graça. É por isso que convivemos em sociedade, que precisamos dos outros. Cada ser humano é único!

E é aí que vem uma coisa linda. Como cada ser humano é único, não existe "coisa de homem", "coisa de mulher", "coisa de asiático", "coisa de brasileiro". É claro que muitas dessas "coisas" serão encontradas mais facilmente em um grupo identificado de pessoas, mas por nenhum outro motivo senão o modo que foram criadas e como se relacionam na sociedade. Isso significa que cada um pode fazer o que quiser, mas também significa que os critérios para julgar devem ser iguais.

Eu vejo que muitas "bandeiras feministas" não têm o objetivo de tornar as coisas legais pra todo mundo, mas dar à mulher a liberdade de fazer aquilo de mais escroto , nojento e repugnante que os homens fazem por causa do machismo. A luta não é para que as atitudes machistas sejam eliminadas, mas que elas sejam liberadas pra todo mundo. Acontece que o que é feio pra um, é feio pro outro também. O que é degradante e fere a dignidade do homem (muito embora ele possa pensar que está abafando), também é degradante para s mulheres. O negócio é não nivelar por baixo.

Eu li recentemente um livro muito interessante chamado "O Machismo Invisível" (Marina Castañeda), que fala especialmente como o machismo afeta a vida dos homens. Claro, o machismo faz mal pra todo mundo. Oprime todas as pessoas. Faz com que os homens tenham que adotar uma atitude determinada para que sejam considerados "homens" pelos demais.

O que me deixou triste é que, quando a autora apresentava soluções para os problemas apontados, ela nunca considerou que as pessoas devem dialogar e combinar a forma como funciona melhor pra elas. Se o marido tem direito a ter sua conta particular e gastar como quiser, comprando um carro, por exemplo, sem falar com a esposa, então a esposa também deve ter sua conta particular e gastar como quiser, comprando um carro, por exemplo, sem falar com o marido. A ideia de que o esposo e a esposa devem conversar um com o outro sempre que quiserem usar o dinheiro da família pra comprar um carro, por exemplo.

É triste porque aquelas características consideradas "femininas", de consideração com o outro, de compaixão, de sensibilidade, são vistas como fraqueza, enquanto o egoísmo e a independência são supervalorizados. Isso nos enfraquece como sociedade.

Será que ninguém ainda pensou que certas coisas simplesmente não deveriam acontecer de forma alguma? Que se é nojento que um homem use as mulheres como objetos sexuais descartáveis, que seja violento, que não permita que elas expressem sua opinião, a recíproca também é verdadeira? Que anos de oprimido não justificam o desejo de opressão? Por que o modelo de mulher ideal é uma Lara Croft toda-poderosa que não precisa de ninguém e se vira sozinha? Por que, em vez de querer formar mulheres super-independentes, não autorizamos os homens a serem sensíveis, compassivos e dependentes?

Aqui entra a questão do direito de escolha. Porque se o modelo desejado é o da mulher que se despiu da fraqueza (aquelas características que a sociedade considera femininas) e se revestiu de super-poderes (aquelas características que a sociedade considera masculinas), as escolhas da mulher serão livres apenas se ela escolher se despir de sua fraqueza e se revestir de super-poderes. A mulher que escolhe ser mãe em tempo integral é oprimida. A mulher que é dona de casa é coitada. A mulher que dá de quatro está se sujeitando a um modelo de submissão.

As mulheres de hoje (e eu falo principalmente por mim) carregam nas costas o peso da obrigação de ser bem-sucedida. Aquela obrigação de esfregar na cara dos homens que podemos ser qualquer coisa, fazer qualquer coisa, ou mesmo que somos melhores que eles. O corpo é seu, a vida é sua, você é livre pra ser puta, mas não pra casar, pra deixar o mercado de trabalho, ou pra nunca entrar nele. Você não é livre pra amar e paparicar o seu marido (mesmo que em reciprocidade).

É por isso que eu não me identifico com o feminismo. Porque é muito arriscado se identificar com uma luta que não tem mais identidade. E não acredito no ideal de igualdade de gênero. Porque o que eu acredito é nesse núcleo irredutível de direitos para todos os humanos. E que para que todos desfrutem desse núcleo mínimo, precisamos nos despir do nosso egoísmo, da nossa independência, da nossa necessidade de fazer sucesso, e sermos todos mais servos, mais humildes, mais compassivos, mais "femininos".

Eu não me identifico com o feminismo

terça-feira, 26 de março de 2013



Nosso verbo ser é uma identidade, mas sem projeto
Beatriz surgiu meio que sem querer, numa série de contos, insistindo em voltar e mostrar um pouco mais de si. A "assessora de textos" que é personagem de Um Erro Emocional nos mostra em pequenos excertos um pouco mais de sua personalidade. Vemos Beatriz trabalhando, amando, pensando no seu passado e no seu futuro, tomando decisões, acrescentando informações essenciais sobre a sua identidade como se não fossem importantes.
... porque agora eu sei mais sobre Beatriz e Donetti do que sabia ao inventá-los.

Se altera as letras e esconde o nome faz anagrama
O primeiro conto é narrado sob a perspectiva de Paulo Donetti, antes Antonio, um escritor de pouco sucesso, um tanto quanto rancoroso pelo sucesso dos menos talentosos. A convite de um desses escritores, Donetti vai para Curitiba falar em uma mesa redonda horrível e, no jantar que segue conhece Beatriz, que outrora fora Alice. A história acaba sem dizer muita coisa, e é no dia seguinte que se inicia Um Erro Emocional, originalmente um conto. Conhecemos um pouco mais de Beatriz em Aula de Reforço, que narra um dia comum com os clientes mais malucos que a gente encontra por aí.
E que tal o meu filho, não é inteligente?

O diminutivo é que aperta o mundo e deixa miúdo
O toque especial fica por conta da profissão: aquela identificação quando o cliente acha que o preço da revisão é muito caro, ou os textos bizarros e pedidos estranhos que aparecem. Qualquer um cujo trabalho envolva um cliente/usuário tem uma coleção de histórias bizarras, e com Beatriz não é diferente. Nos contos seguintes ela se depara com mais um monte de gente maluca, mas primeiro voltamos ao Donetti em A Viagem, que ouve uma história machadiana no ônibus, a caminho de uma universidade do interior, a qual decide utilizar na palestra de logo mais. Depois, Beatriz ainda encontra dois clientes muito estranhos, que a colocam em situações inusitadas em Beatriz e a velha senhora e Um dia ruim. Pagando bem...
Uma mulher deve saber fazer seu caminho...

No entanto falta ter um sujeito pra ter afeto
O romance está presente, ou quase, em Amor e Conveniência e O Homem Tatuado. Depois de algumas experiências desastradas, Beatriz tem a oportunidade de experimentar a conveniência de um relacionamento estável, onde tudo é combinadinho. Benefícios para todas as partes. Boa companhia, boa vida, bom vinho. Às vezes o romance estraga as coisas, não? Mas é nos braços do homem tatuado que ela vive uma paixão fulminante e inesperada - o romance quente que toda mulher procura em algum momento da vida. São os únicos contos inéditos do livro.
... ao que Beatriz, gentil, respondeu com um beijo na boca dizendo em seguida, rindo: Mas não é melhor fazer do que escrever?


E o quê mais?
Não dá pra dizer como é Cristóvão Tezza. Veja bem, ele é um escritor de romances, e eu só li seus contos. Por outro lado, a auto-crítica à classe literária e a cara de pau exposta no prólogo dão um gostinho de alguém que vale a pena ser lido. Os contos tem uma escrita bem marcada, compassada, que demonstram bem o ritmo, o tom e a temperatura da história (nesse caso, mudando o tempo todo, conforme mudam as histórias).

A edição da Record combina com os outros livros do autor. (como eu amo edições combinadinhas! não canso de dizer isso!) O exemplar que eu li foi emprestado da biblioteca da UFPR, em muito bom estado. O livro é levinho (cento e quarenta e quatro páginas. Nem me lembrava da última vez que tinha pegado um livro tão pequeno), desses que dá para ler até andando. As páginas são de papel off-white 90g. O texto tem tipografia serifada, em tamanho confortável.

Beatriz foi lançado depois de Um Erro Emocional (2010), e, pelo que eu vi, quem já tinha lido o romance não gostou dos contos. Confesso que, quando tirei da prateleira, não tinha a menor noção do que estava levando para casa. Fiquei feliz em descobrir que inverti a ordem, porque assim talvez eu goste ainda mais do romance. Talvez seja como ver os extras do DVD antes do filme, mas isso não estraga tudo, né?

A música citada na resenha é Gramática, do grupo Palavra Cantada.

Comprei o meu (sim, comprei) na Nobel (a maiorzinha de Foz, cujo site só não é mais indecente que o da Editora Rocco), mas o livro está disponível também nas principais livrarias, como Travessa Cultura Saraiva e até no Submarino.

Beatriz (Cristóvão Tezza)

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Não que os dias nublados não tenham seu charme, mas em momentos tristes ou decisivos eu preciso do conforto da luz do sol no meu caminho. Naquele dia em especial o céu carregava uma camada espessa de nuvens que parecia pesar sobre os nossos ombros, pressionando nossos olhos já cheios de lágrimas contidas. Atribuí o peso às nuvens para desviar minha mente do peso das decisões importantes que me aguardavam e da tristeza que sentia em me despedir de tudo o que eu amo.

Entrei naquele avião minúsculo onde, por incrível que pareça, eu mal conseguia ficar em pé. Fitei as janelas do aeroporto onde sabia que eles ainda me olhavam, mesmo não podendo vê-los. Ampliei o meu olhar para o horizonte cinza e lembrei que o céu costumava me cumprimentar com alegria quando eu escolhia os seus caminhos para viver mais uma aventura. A paisagem não era nada convidativa e eu imaginava alguma turbulência no caminho de volta, mas eu precisava voltar para casa, por mais difícil que fosse.

Os alertas soaram, os avisos se acenderam, os aparelhos eletrônicos foram desligados. As turbinas foram ligadas e as hélices giraram com um barulho absurdo. Absurdamente irritante para quem não queria estar naquele avião. Irritantemente aterrorizante para quem sabia que os minutos seguintes a aproximariam de decisões importantes que não queria tomar, de tarefas imprescindíveis que infelizmente precisavam ser cumpridas.

Enquanto lembrava de como a vida tinha caminhos inconvenientes para chegar a destinos agradáveis, o pequeno jato emergiu das nuvens. Em questão de segundos, a nuvem cinza que os cercava revelou que a luz ainda existia, mais brilhante do que nunca. A espessa camada de nuvens, afinal, estava ali somente para irradiar em sua brancura todo o resplendor do sol. Nascia um novo dia pouco antes do pôr do sol.

Um novo amanhecer

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012



Os últimos meses foram os mais difíceis para este blog. O maior período de silêncio para mostrar que esse negócio de greve não facilita a vida de ninguém. "Ai, que beleza, quatro meses de férias" uma ova. Quatro meses de estudo, seguidos por cinco meses de... jogos vorazes acadêmicos. Eu sou da turma do penúltimo ano, que não tem todo tempo do mundo pra recuperar o tempo perdido, mas que ainda assim entrou em greve (os últimos anos nunca entram em greve, pelo menos não aqui).

Então, nos últimos meses eu tive milhares de trabalhos e provas e trabalhos e artigos e provas em sequência. Sem contar que, além de estudar, eu tenho um trabalho e um estágio, tenho um namorado e uma família, tenho uma pretensão ao mestrado, tenho coisas demais pra manter um blog ativo em plena arena. 

2012, que pra mim só acaba em fevereiro, foi um ano de muita correria, mas que também teve bons resultados. A minha biblioteca triplicou, as minhas notas subiram, consegui participar da vida das pessoas que amo, comecei a trabalhar na área que eu mais gosto na vida, o mundo não acabou, tive um artigo aceito em uma conferência internacional sediada no Japão, terminei o ano no azul.

Aliás, lembram do projeto 101 em 1001? Os 1001 dias terminariam em novembro de 2012, e embora eu não tenha cumprido toda a lista, consegui algumas coisas interessantes. Fui ao Rio e a Foz do Iguaçu, também a uma praia em SC e a Florianópolis, que é uma ilha, e a São Luis, onde nunca pensei que fosse chegar tão cedo. Encontrei minhas amigas de infância e descobrimos que todo o nosso "em comum" hoje se resume às lembranças. Li muitos livros. Vi vários filmes. Comecei a acompanhar algumas séries. Dei muitos presentes.

O Com tudo o que sou também teve seus momentos, com várias postagens muito visualizadas, e eu espero continuar nessa força pra fazer um post específico em seguida, pra não ficar devendo. Quem andou mais parado ainda foi o Verbete Legal, que é uma ideia super legal, mas que precisa de mais inspiração do que pra escrever aqui, onde qualquer coisa vira assunto.

Eu não vou prometer nada, exceto que os blogs continuarão aqui. Pode ser que venham muitos posts depois desse, pode ser que só quando eu estiver de férias, ou talvez só depois das férias. Talvez eu só venha aqui esporadicamente, mas vou manter esse cantinho. Estou estudando uns colaboradores com postagens mensais ou semanais, pra não deixar a peteca cair quando eu estiver no sufoco do TCC, do estágio obrigatório ou das provas para o mestrado.

Então, quando o blog parecer assim, meio abandonado, quero que vocês tentem ficar felizes por mim, porque isso significa que provavelmente estou muito ocupada fazendo alguma coisa que me deixa ainda mais feliz que isso aqui. E olha que meus blogs me deixam muito, muito feliz.

Não sei se amanhã ou bem depois, mas a gente se vê ;)

Adeus, 2012

segunda-feira, 12 de março de 2012

Existem atitudes que facilitam muito a vida da gente, mas que são tão difíceis de sair do falatório pra prática! Coisas que a gente sabe que precisa praticar, está cansado de saber que tudo seria muito melhor se você mudasse, chegando a dizer que a partir de hoje será diferente, compromissos feitos com a sua própria pessoa.

Eu sei que eu preciso aprender a errar. Não que eu nunca erre, o problema é o contrário. É que eu erro muito, mas não sei o que fazer nessa situação. Como é que se faz pra mudar de ideia e dar o braço a torcer sem ficar completamente sem graça. Pra quem sempre tem todas as respostas, sempre tem que ter tudo sob controle, pra quem acha que não pode errar, aprender a errar não é lição fácil. E eu não posso nem dar a receita. Ainda não aprendi e não faço ideia de como se faz isso.

Outra coisa que eu preciso aprender é a sair de uma discussão pacificamente. Eu tentei fazer isso outro dia, mas acho que escolhi a pessoa errada pra praticar. Acabou que o sujeito brigou comigo porque eu decidi concordar com ele pra acabar com a discussão. Mas nem quando eu tento perder! Ainda estou esperando me recuperar dessa experiência assustadora. Se tivesse um curso... Enquanto isso, tento aprender a não discutir. Quem sabe daqui a cinquenta anos eu chegue lá...

Eu preciso aprender...

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Quanto uma vida pode mudar em menos de 30 dias? É certo que mudanças fazem parte da vida, mas algumas mudanças dependem de um empurrãzinho. Outras precisam de um chute. Outras simplesmente acontecem, conforme o soprar dos ventos. Outras ainda surgem como um furacão.

Meu nome é Forasteiro
Vindo de uma terra distante
Meus pés estão cobertos de terra
De tantas idas e vindas
E eu tenho visto
Ótimas coisas à distância
Elas vêm a mim
Eu as sigo
Eu sigo em frente

Foi com um belo chute que eu decidi deixar o escritório onde trabalhava. Eu tinha acabado de renovar o contrato quando percebi que não conseguiria esperar o mês de dezembro ou janeiro para viver um pouco. Pensando no assunto, vi que a minha liberdade, que eu tanto amo, estava murchando; que eu já não me sentia tão desafiada e estimulada como no início; que os feedbacks que eu recebia eram de 'ficou muito bom, parabéns!' quando eu sabia que não estava tão bom assim e a versão final dos trabalhos vinha com trezentas modificações; que o esforço que eu sentia estava sendo maior que a recompensa. Que a coisa que eu mais prezava ali era a companhia das minhas colegas de trabalho (SAUDADE!!!) e, bem, eu não tenho filhos pra criar, nem prestações a vencer, e não havia nada que me obrigasse a continuar ali. Chegou a hora de chutar tudo pro alto. (Mesmo porque, em um contrato de estágio, você tanto pode decidir não voltar mais amanhã, como eles podem decidir que não querem mais você, e ninguém tem nada com isso).

Porque estou a ponto de largar tudo
E viver aquilo que eu acredito
Não posso fazer nada agora
A não ser confiar que você me sustentará
Quando eu largar tudo


Estágio é assim: dura enquanto todos têm benefícios. Quando os benefícios diminuem, e isso uma hora acontece, a gente leva com carinho as coisas que aprendeu para as oportunidades que virão, e deixa uma porta aberta com as pessoas que, afinal, vão sempre fazer parte da sua rede - se você não resolver mudar de profissão para uma área completamente diferente, morando em um planeta perdido em uma galáxia distante. É hora de experimentar; e eu, que já sou doida pra experimentar coisas novas, gosto muito da ideia de poder estagiar um pouquinho em cada área desse oceano jurídico, que é bem grande. Continuo a nadar, às vezes aproveitando as correntes, às vezes lutando pra fazer meu próprio caminho. (Quem disse que nunca vale a pena?)

Eu já vi sonhos que movem montanhas
Esperança que nunca acaba
Mesmo quando o céu está caindo
Eu já vi milagres acontecerem
Orações silenciosas sendo respondidas
Corações machucados se renovarem
É o que a fé pode fazer


Com um empurrãozinho eu decidi que precisava me dedicar a outra área. Não deixar o Direito - eu amo o que eu faço. Me dedicar também a outra área que eu também amo. Porque um pessôoo me convenceu que eu preciso ter dez mil horas de prática pra aumentar a minha capacidade, e porque eu sabia onde encontrar a oportunidade perfeita pra obter muitas horas de tradução. Foi por causa de uma porta aberta com aquele meu cliente que eu o resgatei nos meus emails exatamente no momento em que ele procurava alguém pra fazer essa tarefa. (Posso ouvir a Katie dizendo 'It's such a God-thing!'). Então, é bom variar as águas por onde eu nado. Ou misturar as correntes. Estou sentindo que essas vão me empurrar bem adiante!

Cedendo à sua gravidade
Sabendo que você está me segurando
Eu não tenho medo


Então veio um furacão e deliberadamente cortou a energia elétrica do lugar onde eu morava, pra me forçar a sair dali bem rapidinho. Foi uma semana até improvisar uma 'casa' nova, em um lugar ainda mais longe - coisa boa pra dar uma dor nas costas é mudança! Eu, que tenho carinha de vinte, mas corpinho de sessenta e dois, estou toda entrevada. Mas quem disse que essas mudanças também não podem ser boas? Ainda que forçada, eu consigo entender alguns benefícios. Por exemplo, dormir no mesmo quarto e pegar o mesmo ônibus que o meu irmão todos os dias está nos aproximando mais - sempre achei muito preocupante o casulo adolescente dele. E faz muito mais sentido plantar uma igreja quando você mora ali do ladinho (ou melhor, nos fundinh - okay, vamos deixar de ladinho), do que quando você mora em ooooutro bairro, longe de todo aquele povo que você quer apresentar a Jesus!

Eu vou andar pela fé
Mesmo quando não conseguir ver
Porque esse caminho esburacado
Prepara à sua vontade para mim


Enfim, os bons ventos me levam em uma direção não muito certa. São ventos suaves, mas há muita neblina no caminho. Muitas águas ainda vão rolar nessa corrente, e eu me deixo levar. É claro que é melhor ficar quieta sobre o que você ainda não ter certeza do que ficar falando sobre o que você acha que vai acontecer. Então eu fico quietinha e deixo acontecer ♪naturalmen - corta!! Posso não saber bem onde estou indo, mas não preciso saber muita coisa. Só ♫continue a nadar, continue a nadar...♪

Tu me guias e não me deixas cair
Tu me levas bem perto do teu coração
E certamente tua bondade e misericórdia me seguirão


PS: A Lisa diz que faz posts gigantes porque só escreve uma vez por semana. Considerando que esse é o primeiro post do mês, ficou até pequeno, né?
PS²: Pois é, a pessoa criativa aqui misturou as músicas das semanas passadas no post!
Na ordem em que aparecem:
Move Forward - Bethany Dillon
Let Go - BarlowGirl
What Faith Can Do - Kutless (posso dizer que cumpri minha obrigação com essa música?)
I'm Letting Go - Francesca Battistelli
Walk By Faith - Jeremy Camp
All The Way My Savior Leads Me - Chris Tomlin

Continue a Nadar

sábado, 25 de junho de 2011

Dou-me por intimada para defender o réu John Grisham das acusações feitas neste post, alegando preliminarmente exceção de incompetência. Você não pode ser o acusador e o juiz, não mesmo. Não é justo.

Nunca tinha lido John Grisham. Depois de milhares de recomendações, animei. Eu gosto do gênero, mas não sabia se gostaria do estilo do autor. Escolhi o título por sorteio na estante da biblioteca. Não decepcionou. O legal é que a história de A Firma, pelo menos pelo que ele conta, é parecida com a história de O Negociador. Só que A Firma não envolve espionagem entre escritórios (que feio, hein? A ética  profissional manda lembranças...), mas sim um escritório de fachada para lavagem de dinheiro da máfia. (O que, convenhamos, torna as coisas muito mais interessantes). Mas vamos às acusações.

John Grisham é acusado por ter escrito O Negociador. Bom, não existe nenhum problema em um escritor escrever um livro. Da próxima vez que quiser acusar alguém, acuse direito. Você pode acusá-lo por escrever um livro com personagens fracos e enredo sem graça, mas não por escrever um livro com título "O Negociador", o que nos leva à próxima acusação.

Como The Associate virou O Negociador não é segredo pra ninguém. Foi a editora que publicou o livro no Brasil que mudou o título. Grisham não tem nada a ver com isso.

É, Felipe, acho que você escolheu o livro errado. A Firma tem agentes federais, programa de proteção à testemunha, perseguição pela máfia, perseguição pela polícia, tiros, bombas, mortes, microfones escondidos... O livro todo é cheio de ação! Ah, e foi o primeiro do Grisham a virar filme (foram dez ao todo adaptados para a telona).

Os coadjuvantes também são ótimos. O irmão que está preso, os sócios (especialmente um muito sinistro e misterioso), os capangas, e, claro, Abby, a esposa de Mitch. Até o cachorro, o vizinho e os sogros dele tem um lugar especial na trama.

O livro me deixou ligada, esperando sempre alguma coisa acontecer, até que... acontece! Mas o livro não acaba. Ainda ficam umas trinta páginas arrastadas, sem graça, praticamente um epílogo. John Grisham não conseguiu fazer um final arrebatador (como Sidney sempre faz, mesmo nos epílogos). Quando chega quase no finalzinho, parece que a pilha acaba. Perdeu a vontade de escrever? Ficou de saco cheio? Não sabe o que fazer no final? É mais ou menos essa a impressão. Mas se pensar que essas últimas páginas correspondem a menos de 10% do livro, vale muito a pena!

Meu pedido não é pela absolvição do Grisham. Mesmo porque, se escrever um livro é crime, não há como negar que ele tenha escrito. Mas como não é, não há acusação. O pedido que me resta é: Felipe, dá uma segunda chance pro John?

Alguém por aí, de preferência, que já tenha lido os dois livros, pode julgar essa causa?

A Firma - John Grisham

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Vocês estão falando com a mais nova estagiária de Direito do sul do Brasil! Uhul! (Mas você não tinha estágio? Tinha e tenho, mas aquele chefe virou cliente, e a gente já tinha combinado que eu poderia arranjar outro estágio se quisesse, até porque são só três horas por dia no outro estágio do ex-chefe-agora-cliente) Já fazia algum tempo que eu estava procurando estágios. Na verdade, eu nunca parei de procurar. Desde o ano passado fiz milhares de entrevistas (umas cinco, no máximo) e por isso posso dizer que TUDO O QUE VOCÊ OUVIU ESTAVA ERRADO! 

MITO 1 Em entrevistas, use esmalte claro.
Em uma entrevista, seja você mesma. Vocês, garotos, não precisam ler essa parte porque não usam esmalte. Eu gosto de esmaltes coloridos. Laranjas, verdes, azuis, roxos... E em várias entrevistas eu lembro bem da cor de esmalte que estava usando. Em apenas uma era um rosa bem clarinho (Gatinha, Impala). Em outra usei marrom (Marrocos, Risqué). Depois eu pirei de vez. Verde (Dote), roxo (aquele fosco da risqué que eu sempre esqueço o nome), e por fim, o sinal dos tempos: fui sem esmalte algum na última entrevista. Porque eu estava com um esmalte cor de rosa com brilhinhos muito infantil, e se tem coisa que eu tenho trauma é de parecer infantil. (Se você gosta de usar esmalte infantil, não se reprima. Seja você mesma!)

MITO 2 Cuidado com cores fortes
Cores fortes é o meu nome do meio. Bom, na verdade meu nome do meio é Adelinne, que significa 'nobre, princesa', nada que tenha muito a ver com cores fortes. Já deu pra ter a prévia com os esmaltes, né? Essa semana ouvi pessoas dizendo que eu sou chique, mas eu sou mesmo é berrante. Sei ser discreta, é lógico. Mas eu amo usar uma cor extravagante! Minha bolsa favorita no universo é laranja. Não laranjinha. Laranja. Não sei se alguém já percebeu que essa é a minha cor favorita. Hoje eu resolvi combinar um vestido verde com a bolsa laranja. Um LINDO vestido verde, aliás. E não fui prejudicada por isso. Só não vista o arco-íris inteiro de uma vez. Tenha parcimônia, por favor, tá?

MITO 3 Tente parecer normal e comum
Eu tentei. É sério, eu tentei. Arrumei meu cabelo curtinho (nem contei que cortei, né?) super bonitinho, mas fui de ônibus, em pé, em frente à janela. Quando cheguei lá, meu cabelo já estava todo alternativo (do jeitinho que eu gosto, por sinal). Comportado? Meu cabelo? Só com muita oração! Estava com aquele voluminho que só quem assume muito bem os cachos consegue suportar. E os brincos? Um grande e um pequeno. (Tinha uma haste entre a bolinha e a borboleta, mas a haste de um deles quebrou e eu emendei a borboleta direto na bolinha, aí ficou cada um de um jeito). Enfim, sempre disse que eu gosto de ser alternativa, de fazer diferente, de ter o meu jeito.

MITO 4 Cause uma boa impressão
Definitivamente você não precisa causar uma boa impressão. Seja lá qual for o papel que você interpretar no dia da entrevista, não vai conseguir mantê-lo durante todo o tempo que trabalhar ali (se for contratado). O resumo de toda essa ópera aqui é: seja você mesmo. Quem vai te contratar tem que gostar de você, do que você é. Não tenha medo de parecer bobo. Se isso acontecer, talvez você seja bobo demais pra aquilo que precisaria enfrentar. Não, não tente causar uma boa impressão. Seja uma boa impressão.

Adendo (palavrinha de jurista essa, né?): Se você tem um blog, por que não colocá-lo no currículo? Já tive muitas oportunidades por causa de blog. Oportunidades de vários tipos. E nunca perdi a liberdade de falar o que eu quero por causa disso. Aliás, na penúltima entrevista que eu fiz ficamos, eu e o entrevistador, a metade do tempo conversando sobre o blog e Os Meninos da Rua Paulo :)

Desmitificando as entrevistas

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Não sei se existe alguma profissão que não sofra desse mal. É assim, você estuda, se prepara, se dedica, investe dinheiro, investe tempo, planeja o que você vai fazer, planeja como você vai fazer. Você tem uma carreira. Ou você ainda não tem, porque eu não tenho ainda e já estou sentindo os primeiros sintomas.

Começa sempre com uma simples pergunta, uma ajudinha básica. Afinal, você é quem conhece esse assunto, não custa nada dar uma mão pro seu amigo de tantos anos, ou pior, porque se for parente é até ofensa não responder. Tudo bem, responder uma pergunta básica não faz mal. Isso se parasse por aí. Depois dessa começam os favores, e as pessoas passam a achar que você tem uma profissão para ganhar dinheiro e atender amigos e parentes. (Tem gente mais egoísta que acha que você não precisa ganhar dinheiro)

Agora o grande problema é quando você trabalha com coisas consideradas 'simples'. Especialmente quando seu trabalho não é 'fazer'. Um consultor, por exemplo, trabalha dando orientações, respondendo perguntas. Algumas pessoas acham um absurdo pagar caro para que um advogado apenas responda às suas dúvidas, mas não levam em conta quanto tempo e quanto dinheiro ele investiu para poder responder a essas dúvidas. Para saber se vale a pena, basta se perguntar: eu posso perguntar isso pra qualquer outra pessoa, ou esta é a pessoa qualificada para me orientar nessa questão? É claro que algumas pessoas vão pensar que podem perguntar pra qualquer pessoa quando não podem, mas aí é problema delas. 

Por exemplo, eu sou doida pra ter um layout próprio no blog. Quer dizer, na verdade o projeto é mais complexo que isso, mas eu conheço pessoas que podem fazer. Ou melhor, eu conheço pessoas que fazem isso, trabalham com isso. Mas eu nunca vou pedir pra nenhuma dessas pessoas fazer isso pra mim enquanto eu não puder pagar pelo serviço dela. É diferente quando a pessoa se oferece. Eu já trabalhei e trabalho voluntariamente, para amigos e até para desconhecidos, com a mesma seriedade e dedicação com que trabalho pra ganhar as minhas contas, eu assumi um compromisso. Mesmo assim, é educado oferecer uma gratificação, mesmo que ela não aceite. (Não preciso contar se eu aceito ou não, certo?) E estar preparado para o caso de a pessoa aceitar, né? Nem que seja um livro, um chocolate, um jantar. (Já viram gente que oferece e depois fica bravo porque a pessoa aceitou?)

Meus pais dizem que eu sou cruel, verdade, eles dizem isso mesmo, porque eu disse que não trabalho pra parente. Mas como ter uma relação profissional quando a pessoa a qualquer momento vai querer apelar para os laços sanguíneo-afetivos que os unem? E pior, quando o parente/amigo acha que você pode fazer o favor de trabalhar de graça pra ele. Tá, às vezes pode, mas você é muito cara de pau de achar que pode pedir isso, né? Se a pessoa estiver numa situação difícil, por exemplo, enquanto ela está trabalhando de graça pra você, parente/amigo, poderia estar ganhando dinheiro, trabalhando pra um cliente, que poderia até ser você.

Tem gente que não gosta de fatiar as pessoas, (vida profissional, pessoal, espiritual, etc), mas é bom lembrar antes de pedir um favor a seu amigo/parente que esse é o trabalho dela. Respeite o trabalho alheio, assim como você quer ser respeitado em sua profissão. Não se aproveite dos seus amigos, tenha amor e consideração por eles, mais do que por você. 

(Na verdade era pra eu contar uns casos engraçados e outros tristes sobre isso, mas o post já está grande. A gente continua aqui embaixo, tá? Todo mundo aqui deve ter alguma história pra contar...)

Amizade Aproveitadora