sexta-feira, 24 de setembro de 2010

É incrível como os melhores estágios caem no meu colo sem que eu sequer tenha pensado neles. Porque estágio  se mede pelo aprendizado, não pela quantia de horas ou pelo valor da bolsa. Meu primeiro estágio foi uma oportunidade incrível para quem tinha acabado de terminar o primeiro ano. Até hoje não vi outro que aceitasse uma estagiária tão nova para um trabalho tão sério. Geralmente o pessoal do primeiro ano trabalha com a parte mais 'mecânica' do negócio, usa mais braços e pernas do que cabeça. Eu fazia todo o trabalho que um advogado faz, e olhe só, entrei sem concorrência nenhuma porque pagava pouco!

Quem me acompanha sabe como eu tenho procurado por estágios desde... março. Definitivamente esse período foi mais longo do que eu pensava, mas hoje eu sei que seria muito mais difícil chegar até aqui se eu tivesse conseguido uma daquelas vagas. E eu não teria conseguido essa. Incrível. Maravilhosa. Inimaginável. Até meu namorado ficou com inveja¹.

Me candidatei a outra vaga, que já estava ocupada, e essa caiu no meu colo. Um trabalho totalmente acadêmico: fazer, digitar e organizar fichamentos, traduções, pesquisas da bibliografia de um bi-doutorando. Ele faz dois doutorados ao mesmo tempo. Existe gente mais doida que eu. Que fique claro que primeiro ele lê, e depois me passa, ta? Recebo os livros todos grifados e anotados a lápis.

Dedicação de quinze horas por semana, perfeito pra quem estuda em dois períodos. Eu tenho o que eu gosto e o que eu preciso: uma biblioteca incrível e atualizada e direcionamento para as minhas leituras. (Eu não consigo me prender a um tema. Gosto de tudo. É difícil escolher!) Além do mais, o meu chefe patrão ainda não sei como chamá-lo tem a maior atenção do mundo pra responder às minhas perguntas. Ele ganha tempo, eu aprendo a lot. Bom demais.

¹ Um dos doutorados é em Economia. Ele (meu namorado) é doido com Economia. Estou com um monte de livros dos sonhos dele na minha estante ;)

Estágio Novo

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Louca por música que sou, não tenho nenhum artista (banda, cantor, cantora, grupo, coral, que seja...) favorito. Isso porque uma parte dos que eu ouço se acotovelam espremidos na posição de primeiro lugar, e é impossível tirá-los de lá. Alguns Vários dos artistas que eu mais gosto tem mais de vinte anos de estrada, e eu acho isso ótimo. Prova que eles são tão bons que conseguem reunir gerações em seu público. Um exemplo clássico de banda-favorita-de-todos-os-tempos é Resgate. Quem foi no show aqui em Curitiba na semana passada podia ter gravado todinho pra mim, né? viu isso muito bem.

Tão difícil como escolher um artista favorito entre todos - não me obriguem a fazer isso - é escolher uma única música dessa banda. As letras variam do contestador-de-saco-cheio ao adorador-completamente-entregue (mais alguém acha que não existe tradução para surrounded?), sem perder nada em qualidade de letra e música, tanto na composição quanto na execução. Os caras mandam bem mesmo. Eles têm aquilo que eu chamo de 'letra inteligente', aquela bem pensada, bem escrita, cheia de 'sacadas' que te pegam de surpresa, fazendo pensar como é que eles conseguem ser tão bons nisso.

Já escrevi tudo isso e ainda não escolhi a música, então...

A música escolhida faz parte do álbum Ainda Não é o Último, o disco do ano na minha opinião. Tem aquele jeito metafórico de ser que eu amo, e fala de um jeito muito natural da coisa mais gostosa do mundo.

Quero me entregar na tua terapia
No teu reino enlouquecer
Uma amostra grátis já me bastaria
Vou pra essa consulta sem meu relógio
Mas conto as horas pra te encontrar

Quem ainda não viu, há um histórico das músicas desse CD e dos outros álbuns da discografia deles no site. Eu acho muito legal saber como surgiram as músicas, qual é a preferida de cada um, o que aconteceu que eles não gostaram, essas curiosidades, sabe? Porque eu sou curiosa mesmo. Se você também é, clique aqui.

Letra da música
Ouça no Youtube
Site oficial da banda
Twitter
 @bandaresgate
@zebrunoresgate
@marceloresgate
@jorgeresgate
@hamiltonresgate
@DuduBorgesVip

A Terapia - Resgate

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

E aí que ontem eu já me preparava psicologicamente para o que eu achava que encontraria hoje. Ônibus, tubos e terminais de integração dez vezes mais cheios, com a torcida de que tivessem a consideração de colocar mais ônibus nas linhas mais movimentadas. Não sabe do que estou falando? Pois parece que não é só você. Hoje é o Dia Mundial Sem Carro, mas só pra quem não tem.

A infraestrutura de transportes públicos curitibanos contava com o mesmo movimento de sempre. As ruas com o mesmo fluxo de carros de sempre. Os estacionamentos no centro estão lotados como sempre. E eu ainda nem vi as bicicletas de que ouvi falar. Até pensei que fosse dar tudo errado, mas até o sol apareceu hoje em Curitiba. O trânsito é que é o de sempre. Uma pena!

Eu, que não vejo nenhum problema em andar de ônibus pra lá e pra cá - e acho condenável você sair de sua casa gastando sozinho o que poderia dividir com mais quatro pessoas. Não falo só do combustível, amigo. Seu carro ocupa um lugar a mais, é um poluidor a mais e não vai chegar mais rápido que o coletivo. É claro que um automóvel é útil! Para usar nos fins de semana, em emergências, para sair com crianças (criança em ônibus dá um trabalho!!)

Isso me faz pensar por que as pessoas saem de carro sozinhas quando poderiam muito bem usar outro meio de transporte? Eu amo pensar em porquês Por que acham uma pobreza andar de ônibus? Por que quando completaram dezoito anos foram logo tirar a CNH e ganharam um carro do papai? Por que tem preguiça de pensar? Por que são egoístas? Por que não gostam de cruzar com outras pessoas?

PS¹: Você acha que não consegue viver sem seu carro porque precisa sair o tempo todo? Inventaram um negócio chamado bicicleta que...
PS²: Alguém quer me dar uma bicicleta?
PS³: Três meses de Com tudo o que sou!! Viva!! Não parece que faz mais tempo? Acho que é por causa do Pirralha =P
PS4: Olha só o povo reclamando do trânsito! Vá de Galinha

Sem Carro

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Em As Cidades Invisíveis (1972), Italo Calvino extrapola os fatos possíveis e imagina um diálogo fantástico entre "o maior viajante de todos os tempos" e o famoso imperador dos tártaros. Melancólico por não poder ver com os próprios olhos toda a extensão dos seus domínios, Kublai Khan faz de Marco Polo o seu telescópio, o instrumento que irá franquear-lhe as maravilhas de seu império.
Em nenhuma outra obra Italo Calvino levou tão longe os valores que considerava fundamentais à sobrevivência da "espécie literária": leveza, rapidez, exatidão, visibilidade, multiplicidade e consistência. O leitor verá que é impossível não se perder nessas cidades, como é impossível não se enredar nessas teias de palavras. 
(Sinopse retirada da Biblioteca Folha - Imagem do Google Imagens)

Aí está um livro que eu provavelmente não teria lido se não fosse para a prova que tenho na próxima semana. Que bom que li! Esses livros que nos forçam a ler para provas, seminários e fichamentos têm a inconveniente mania de ser terríveis de chatos e por isso que só se lê por obrigação.

As Cidades Invisíveis me surpreendeu logo por ser uma narração em mini-contos (pois é, nem fui procurar saber sobre o livro, só sabia que tinha que ler), e sempre que eu penso em mini-contos, penso em blogs ♥

Além do mais, envolve personagens históricos - Kublai Khan (neto do Khan mais famoso) e Marco Polo - e metáforas. Milhões de milhares de metáforas. Amo metáforas (ou melhor, amo metáforas inteligentes). Eu já tenho mania de fazer uma aplicação filosófica/sociológica/jurídica... de quase tudo, me senti encontrando um amigo que tem as mesmas manias que eu. Quem não tem um amigo assim?

As cidades, todas com nome de mulher, espelham algum aspecto da vida, do ser humano, da sociedade. Algumas trazem reflexões escondidas em metáforas sobre a morte, os desejos, o trabalho, a religiosidade, os símbolos, as crenças... mas as minhas preferidas são as que falam do tempo - o passado, o futuro, o presente, a memória, aquilo que talvez nunca aconteça...

O viajante reconhece o pouco que é seu descobrindo o muito que não teve e o que não terá

Eu não poderia continuar sem transcrever os tantos trechos do livro de que gostei. É daquelas pra ler com um caderninho, pra anotar todas as excelentes frases (ou ficar enchendo a timeline alheia). Na verdade, acho que cada uma das cinquenta e cinco cidades pede um post pra falar só dela - todas muito egoístas. Mas eu não sou boa com séries. Difícil terminar as séries que começo. Então, se quiser, você lê e depois a gente conversa sobre elas, ta bom?

As Cidades Invisíveis - Italo Calvino

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Eu não sou letreira letrista letrada letróloga como é que se chama quem faz Letras? Enfim, eu não faço Letras, faço Direito. Mas bem poderia fazer Letras porque amo as palavras. Por que existe um curso de Letras e não um de Palavras? Ou por que Letras se chama Letras e não Palavras?

Eu gosto de ficar pensando nas palavras, além do significado delas. Sabe quando você encontra uma palavra estrangeira e, mesmo sem saber o seu significado, gosta do som de sua pronúncia? Já experimentou fazer isso com uma palavra que você conhece?

Esqueça o que ela significa, o que você lembra só de pensar nela. É isso aí, não vale pensar. Tem que mover os lábios. Vamos começar do óbvio. Pronuncie PALAVRA. Sentiu a pronúncia do L? Do R? Não é engraçado como sai tão naturalmente, e mesmo assim essa mesma pronuncia parece difícil em outros idiomas? O que achou? Que gosto tem?

Pronuncie GOSTO. Não, ninguém está te achando idiota por ficar aí falando sozinho. Você está lendo. Pessoas falam quando leem Ou eu sou a única? Que gosto GOSTO tem? Eu gosto dessas duas palavras, são palavras, bonitas, agradáveis. Mas existem palavras feias também. BORRACHA. Não gosto. Acho muito esquisita. É claro que eu falo borracha, mas se eu parar pra pensar na palavra... Hmm, não gosto dela.

Sabe uma palavra legal? FLOR. É legal e é difícil. Exige muita prática, se você ainda não percebeu. Peça pra uma criança dizer 'FLOR' e assista o esforço infantil para pronunciar corretamente a palavra (ou a simplicidade de dizer 'fô' sem o menor constrangimento).

São tantos anos convivendo com esse idioma que a gente deixa de apreciar, né? Muitas vezes quem estuda um idioma além do que foi forçado a aprender na infância tem sua palavra preferida, pelo som, pelo movimento. Eu gosto de BEHIND. Nada relacionado ao significado da palavra (atrás), mas é legal falar. THOUGHT também. Faz um movimento interessante com a boca-língua-etc. Em alemão eu gosto de KOMMST. E de BIER. A palavra, ta?

PS¹ Por que ao aprender um novo idioma nós nos constragemos a saber tudo de uma hora pra outra? Por que não fazemos como as crianças, que se deixam aprender tentando?
PS² Alguém mais já pensou nas palavras desse jeito? Ou é mais uma da minha mente me fazendo pensar que as minhas anormalidades são normais?
PS³: Não me surpreende nada no último teste de AH (altas habilidades - guarde essa sigla!) ter 'descoberto' que a minha primeira habilidade é a escrita e a segunda a leitura.

Palavras

domingo, 19 de setembro de 2010

Eu sempre pensei que isso fosse coisa de mãe, vó, essas histórias que elas contam pra assustar a gente de doenças que não existem, mas não. Eu tenho urticária ao frio. Esfriou de repente? Congelaram a cidade? Virou o tempo? Frio-calor-frio-calor... e me ataca essa alergia... ao frio!

Agora vê se não é uma grande ironia da vida: depois de me fazer amar essa cidade mais do que todas as que já amei, o meu próprio organismo a rejeita.

Pelo menos, de acordo com o que eu pesquisei, eu pesquiso tudo, depois de uns cinco anos melhora. Peraí, eu falei cinco anos?

*Por algum motivo muito estranho, o resto desse post foi parar no além. Esperamos consertar isso em breve.*

Alérgica a Curitiba

sábado, 18 de setembro de 2010

Não, eu não sou mãe. Nem estou grávida. É da minha mãe que eu quero falar. Dizem que eu falo muito do meu pai e pouco da minha mãe, então hoje vão ouvir dela até cansar.

Minha relação com minha mãe já foi muito diferente. Desde o 'me deixa, mãe' da pirralhinha cheia de opinião que achava que era grande e queria fazer tudo sem ajuda e que corria pra mamãe quando dava tudo errado, passando pela desconfiança naquela época da primeira paixonite, sabe? quando eu escondia tudo dela e não conseguia esconder nada, até o que temos hoje.

É um compartilhar. Um respeito mútuo, pelo que ela é, pelo que eu sou. São conversas inteligentes, dúvidas sobre o que vestir, troca-troca de roupas... mas ela ainda é, e será sempre mãe. Aquele cuidado e aquele colo que não aceitam limite de idade, sem cobranças, sempre com um conselho, com um apoio, um carinho.

Desde que descobriu que eu sou superdotada ela se empenhou em estudar, pesquisar aquilo que ninguém mais pesquisava, e que até hoje não recebe a atenção de quase ninguém. Antes de ser pedagoga, foi a minha professora, e ainda é.

*Por algum motivo muito estranho, o resto desse post foi parar no além. Esperamos consertar isso em breve.*

Mãe!